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Motomix 2008: 10 em organização, 3 em performance

julho 10, 2008

A organização do Motomix 2008 há de agradecer muito a São Pedro. Diante de uma previsão de frio e chuva que se arrastou pela semana anterior, o sol que apareceu no sábado dia 28 de junho, mesmo sem acabar completamente com o clima frio, incentivou os indies de São Paulo a tomarem o rumo do Parque do Ibirapuera. Os ônibus que desciam a Brigadeiro Luis Antônio se enchiam de adolescentes com suas calças jeans justas, cintos com tachinhas e camisetas listradas nos pontos da Paulista. Uma horda feliz com o festival “di grátis” que estava por vir.

Pode-se chamar o Motomix 2008 de um programa família. Havia pouco consumo de drogas – pelo menos visível – e os vendedores ambulantes precisavam esconder as cervejas e demais líquidos em grandes e pesadas mochilas para circular pelo público. Muitas pessoas estavam com seus cachorros nas coleiras, empurrando suas bicicletas, pais com os filhos pelas mãos, toda uma legião de freqüentadores do parque que se depararam com o circo indie montado no Ibirapuera. Todos davam uma paradinha para olhar – e alguns ficavam mais tempo. Enquanto isso, rodas de amigos eram formadas nos gramados e filas se acumulavam na lanchonete mais próxima – coisa que não se repetia nos banheiros químicos, de fácil e rápido acesso, além de relativamente limpos para a situação.

Ah, teve música também. Bandas brasileiras? Fiquei com o show da Superguidis na noite anterior que, injustamente, tinha apenas uns 60 abnegados mais ou menos como platéia. Óbvio que a balada da sexta impediu o advento de acordar antes das 2 da tarde, o que impediu a ida ao Ibirapuera antes das 5, o que impediu-me de assistir qualquer das bandas tupiniquins. Mas enfim, se elas foram do nível das gringas, não há do que se arrepender.

Sim, porque o Fujiya & Miyagi só foi engrenar e empolgar com seu eletro-rock influenciado por Kraftwerk lá pela metade quando entrou o baterista – e teve gente que nem notou que faltava um baterista antes. O The Go! Team foi a estrela da noite, com a ótima performance da vocalista Ninja. E o Metric, que por um amigo era chamado de “o Pink Floyd do século XXI” (!!!!!!!!!!!! adicione quantas exclamações a mais quiser) chamou grande atenção por um ótimo fator: a beleza e as pernas da vocalista Emily Haines. Perfeito na definição da banda foi o Mac: aquele tipo de banda que você sai no meio da apresentação para comer um sanduíche e volta 20 minutos depois como se nada tivesse acontecido.

Como evento social o Motomix 2008 foi um sucesso, um ótimo lugar para se encontrar com os amigos. Estrutura e organização nota 10, mas quando o grande destaque é esse algo está errado. As estimativas de público mais otimistas apontavam 6 mil pessoas, agora, custasse R$15 o Motomix não reuniria 500 pessoas onde quer que fosse. Afinal, de um evento que tem como grande nome o Metric não se pode esperar muito mais. Ao menos se as performances das bandas fossem memoráveis… Trouxessem o CSS, para ficar no mesmo estilo musical, e o resultado seria bem mais agradável. E isso não é um elogio à banda brasileira.

Isso sim é talento prodígio

abril 5, 2008

A banda principal a se apresentar no projeto Rumos Itaú Cultural ontem era o Móveis Coloniais de Acaju. Mas quem roubou a cena foram seis meninos de Cariri, no Ceará. Eles abriram o show esbanjando carisma e presença do palco. Não se intimidaram nem um segundo com o teatro lotado, pularam no meio da platéia para “tocar guitarra”, fizeram o povo bater palma e cantar junto os refrões. Show melhor do que o de muito marmanjo barbado por ai. Depois da apresentação viveram momentos de popstar, tirando foto, conversando com o público. E, de repente, se espremeram na frente do palco para assistir ao Móveis – que arrasou, como de costume.

Achei essa foto da Helena linda.

“Meu quarto e sala já tem um corretor”

abril 4, 2008

Porque hoje é dia de gravação do DVD do Móveis Coloniais de Acaju no Itaú Cultural, às 19h. O show deles que vi no Inferno (e que já comentei um pouquinho aqui) foi o melhor do ano disparado, um dos melhores da vida talvez (sim, minha figura de linguagem favorita é a hipérbole). Então, por isso, três vídeos da banda.

“Aluga-se vende (versão acústica)”

“Seria o Rolex?”

“Copacabana”

E o Inferno lembra fim de semana

março 17, 2008

Sabe aquela listinha de shows ali de baixo? Então, pode tirar o Autoramas de lá e colocar Móveis Coloniais de Acaju no primeiríssimo lugar. Aliás, como disse o Upiara, dá pra colocar o show no Top 5 shows nacionais da vida fácil, fácil. Dia 4 de abril tem gravação do DVD no Itaú Cultural. Quero só ver a platéia aguentar sentada.

Enquanto não vem a resenha do show (e ela virá) coloco dois videozinhos. O primeiro é deste que vos escreve demonstrando toda sua vocação de Guitar Hero com o riff de Aluga-se Vende (a minha favorita da banda, sem dúvida). Em seguida, os próprios Móveis executando a canção. Não ficou igual?

Melancolia delivery (título inspirado na resenha do Jotabê Medeiros)

março 13, 2008

Ta ai a resenha do show do Interpol na terça. O texto entra na próxima edição do Bacana (que vai ter mais coisa minha) junto com a entrevista do Abonico, então já coloquei as duas coisas juntas aqui também. Entre as duas fotos está a resenha, e embaixo da segunda a entrevista.

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O Interpol se leva a sério demais. Fora o baterista Sam Fogarino, que disse querer pegar em um macaco (e virou capa de um grande portal da Internet com a declaração), em todas as entrevistas dadas antes do show de terça-feira, 11, no Via Funchal, as respostas eram secas, frias, calculadas – situação que mudou após o show e do carinho do público brasileiro, como pode ser conferido na entrevista do guitarrista Daniel Kessler abaixo. Faltava um pouco de jogo de cintura por parte dos músicos. E até Fogarino, o mais tranquilo deles, soltou um “os críticos deveriam lavar os ouvidos” em resposta às constantes comparações da banda com o Joy Division.

Em cima do palco essa seriedade se personifica em Paul Banks. O vocalista de voz grave e quase monocórdica permanece praticamente o show inteiro impassível. Nada de risos, movimentos bruscos, quase nenhuma interação com a platéia – fora os tradicionais “thank you” foram poucas palavras e, no momento em que mais soltou o verbo,c sua voz forte tornava incompreensível o discurso. Quem mais se esforçava em entreter o público era o guitarrista Daniel Kessler – levando a sério o conceito de show em que o músico anda pelo palco, abaixa-se para fazer solos e riffs, vai à frente do palco para causar um frisson na platéia, etc. O baixista Carlos De girava em torno de seu mundo particular e seu aspecto de Edward Mãos de Tesoura e Fogarino garantia a precisão necessária ao som melancólico do grupo.

Mas, pensando bem, nenhum dos quatro ali precisava fazer mais do que isso. Afinal, os quase 3 mil fãs que lotaram o Via Funchal esperavam, com seus corações e almas um tanto emo-góticas, o desfile de canções sobre dor, depressão, tristeza que compõe os três álbuns da banda. E respondeu com entusiasmo e fervor aos versos de Mr. Banks, com gritos histéricos, mãos para o alto, palmas, coro abafando o vocalista em alguns momento, levando a sério seu papel em um concerto de rock.

Há shows em que você vai mesmo sem conhecer muito a banda e volta fascinado (comigo aconteceu com o Arcade Fire). Em outros, apesar de simpatizar com o grupo sai decepcionado da apresentação (Placebo). Com o Interpol nada muda, ao final do show você continua com a mesma impressão – no meu caso, que o Antics é um baita CD principalmente por apostar em batidas mais dançantes (às quais a platéia reagiu com entusiasmo), o Turn On The Bright Lights é bem legal e tem ótimos momentos (“Stela Was a Diver and She Was Always Down”, “PDA”) e o Our Love To Admire é bem fraquinho (ouvi comentários de amigos que bocejaram durante as músicas do último álbum do quarteto).

No final do bis gigante, quando Banks pára de tocar guitarra em “PDA”, acende um cigarro e encara a platéia com olhar blasé e galanteador, enquanto Kessler e De transitam em seus universos paralelos, o vocalista exala um ar de dever cumprido. A intensidade dos brasileiros e sua reação ao show entusiasmaram tanto a banda que os sorrisos em cima do palco eram visíveis e Banks soltou um “you’re amazing” em agradecimento. Enfim, é um show para fãs, daqueles em que a banda oferece exatamente o que o público quer – nem mais, nem menos. O que não é ruim. Mas não custa se divertir um pouco às vezes.

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Entrevista feita na quinta-feira, 13 de março, pelo jornalista Abonico Smith, do Bacana.

A: Hoje à noite vcs tocam no Rio. No sábado ainda tem o show de BH. Haverá muitas mudanças com relação ao set de SP?
D K: Não sei como vão ser esses shows, mas provavelmente não haverá muitas mudanças não. Talvez uma ou outra música seja incluída ou tirada. Como é a primeira vez que estamos tocando no Brasil, achamos que não devemos arriscar muito.

A: O que você achou da platéia de SP? A reação foi do jeito que vocês esperavam, já que amigos de outras bandas de NY haviam os alertado sobre o público brasileiro?
D K: Sim, foi maravilhoso. De fato, foi uma das platéias mais entusiasmadas e maravilhosas que já tivemos. Estou adorando conhecer o Brasil. Não pensávamos muito em como seria antes porque, você sabe, não daria para prever estar aqui morando longe. Mas estou gostando e muito!

A: O último álbum me parece menos sombrio do que o anterior, com você e Paul (Banks, vocalista) explorando mais as harmonias na guitarra…
D K: Sim, esse é mais harmônico, com certeza. Abrimos novas possibilidades enquanto compúnhamos as faixas. Sobre ser menos sombrio, pode até ter sido esse o resultado, mas com certeza não foi intencional. QUando criamos, faezmos tudo junto. Eu começo com uma linha da guitarra, Carlos (D, baixista) e Samel (Fogarino, bateria) vão tocando atrás e depois Paul entra por último. Por isso nunca sabemos que direção cada música vai tomar.

A: Uma das músicas novas que mais me encanta é “Rest My Chemistry”. Ela não tem a tradicional batida reta, é diferente das demais. É um pouco groovy, com um certo balanço soul… Isso foi algo planejado?
D K: Que legal que você gosta dela. Essa música é muito boa. Realmente ficou um pouco distinta das demais. Gosto de tocá-la também. Mas como eu disse antes, nada é planejado. Ela saiu assim e gostamos muito do resultado.

A: O projeto gráfico do primeiro álbum (Turn On The Bright Lights) era todo baseado no preto. O posterior, Antics, já veio com o inverso, uma capa branca. Agora, em Our Love To Admire, vocês vieram com um encarte cheio de animais selvagens se atracando e comendo uns aos outros. O cenário do show também se baseia nisto. Por que a mudança?

D K: Bom, isso foi idéia do responsável pelas nossas artes gráficas. Ele pensou nisso, nos apresentou as fotos e nós gostamos muito. Não existe um significado por trás disso, na verdade. É só uma representação visual.


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