Archive for abril \30\UTC 2008

Isso sim é querer ser interativo

abril 30, 2008

Tipo, neguinho às vezes abusa dessa história de colaboratividade. O Skol Beats resolveu montar toda sua programação de acordo com escolhas do público. Vai rolar uma discussão pra definir uma pré-lista e, desses nomes pré-definidos, haverá uma votação pra ver quem são os preferidos. Ai os organizadores vão tentar trazer essa galera. Fora que quase tudo que tiver a ver com o festival – lugar, decoração, formato, horário – será decidido pelo público. Mas, como bem disse o Terron, o ingresso que é bom vão ser eles que vão determinar.

Nessa mesma linha teve a história da nova companhia aérea brasileira, que fez concurso pra escolher o nome e vai definir tudo – catering, identidade visual, uniforme e o caralho a quatro – através do voto popular. Como é bonita essa tal interatividade. Detalhe, o concurso de nomes gerou todas essas porcarias aqui. Bizarro.

P.S.: Sim, eu to particularmente ranzinza hoje.

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O melhor momento da Virada Cultural 2008

abril 29, 2008

Essa gravação é de um dos shows no Sesc Pinheiros no início de março. Mas foi emocionante ver e ouvir a platéia do palco das meninas cantando essa música junto com Fernanda Takai – sendo que, sei lá, 90% delas não devia nunca ter ouvido a versão original.

“Vazio feio eu senti”

abril 23, 2008

Lá pelos idos de 2004 mais ou menos estava eu em Curitiba ouvindo sem parar Perdido e Meio, da Video Hits. Música foda, de longe a melhor do segundo álbum da banda, gravado mas nunca lançado (a faixa em questão entrou na trilha sonora do filme Houve Uma Vez Dois Verões). E eu ficava imaginando um clipe para ela, mais ou menos assim:

Tudo se passa na rodoviária de Curitiba. Tem várias cenas da banda tocando nos corredores do local mas, ao contrário do clipe do Charme Chulo, tem que ser de dia e, de preferência, com pessoas ao redor. E apenas um ator, meio com cara de banana, todo engomadinho, que vai esperar a namorada com um buquê de flores na mão – e, apesar de adorar buquês de rosas, no clipe ele seria de flores do campo (não me pergunte por que). Conforme a música toca ele passa pelas situações da letra – esperar com uma puta cara de bobo e apaixonado (redundância), perder a carteira sentado num banco de uma lanchonete, se desesperar e começar a pedir informação para todas as pessoas, conversar com um policial… E, com o tempo passando, o figurino fica mais desleixado – a camisa amassada sai pra fora da calça, o cabelo cheio de gel despenteia. Até que o clipe acaba com ele indo embora desolado e deixando cair o buque de flores já meio surrado e desarrumado – e nessa hora tem uma tomada foda, filmada do chão, enquadrando ele ao fundo e a foto meio desbotada da namorada no chão, em primeiro plano.

Pode ser canastrão e sentimentalóide, mas eu gosto. Quem sabe um dia eu conheço o Diego Medina e convenço ele a fazer a produção. Agora leia tudo de novo ouvindo a música. Talvez faça mais sentido.

P.S.: Amanhã, com calma e não de madrugada, subo o segundo disco da Video Hits pra quem não conhece ouvir. É uma pequena obra-prima.

“As lembranças são escolhas”

abril 22, 2008

Mais um textinho meu pra nova edição do Bacana. Durante a semana republico aqui outros legais que rolaram por lá.

Uma das coisas que marca no Terminal Guadalupe é sua divulgação. É difícil a semana em que pelo menos um e-mail com alguma informação sobre a banda não chegue à caixa de entrada dos participantes do mailing do TG. São anúncios de shows, lançamento de clipe, mas principalmente clipping – toda nota ou matéria sobre a banda publicada em qualquer canto do Brasil ou da Internet é reproduzida, não passa nada. Uns podem considerar chatice. Outros dirão que é trabalho.

O que não se pode negar é que a banda (o vocalista Dary Jr, os guitarristas Allan Yokohama e Lucas Borba, o baixista Rubens K e o baterista Fabiano Ferronato) tem gerado repercussão no país, em todos os sentidos, e principalmente no último ano. “2007 foi o melhor ano da banda, com certeza”, atesta Allan Yokohama. Tudo começou no final de janeiro, quando a banda apareceu como um dos destaques da cena independente nacional em matéria na revista Veja – e terminou com a indicação de um recém-inaugurado MySpace brasileiro como uma das dez apostas para 2008.

No meio de tudo isso, um disco lançado (A Marcha dos Invisíveis) – e uma turnê que, além das principais capitais, rodou por cidades do interior do Brasil como Araraquara, Umuarama e Rolândia. A Marcha dos Invisíveis, gravado no estúdio Toca do Bandido, foi considerado um dos principais discos pelas votações de críticos do Brasil e ganhou uma pré-indicação recente para o Prêmio Tim de música brasileira. Com uma produção primorosa, o disco apresenta alguns dos melhores sons de guitarra gravados nos últimos anos no indie brasileiro e pelo menos três grandes músicas – “Atalho Clichê”, “Pernambuco Chorou” e a linda “De Turim a Acapulco”, uma das melhores baladas do rock brasileiro nos anos 2000.

O esgotamento da primeira tiragem e uma parte da repercussão do álbum entre o público são devido à aparição da banda na revista Veja, acredita Yokohama, sem tirar a importância da Internet no processo. “Foi muito bom (aparecer na Veja), pois quem se interessou e não nos conhecia correu atrás de informações sobre o TG. E tudo isso pela Internet, claro. Ela nos ajudou a atiçar a curiosidade das pessoas interessadas no disco novo e nos deu tempo de fazer as coisas com mais calma.”

Com o fim da primeira tiragem de A Marcha dos Invisíveis a banda iniciou conversas com a Universal para um relançamento do disco. A informação, divulgada no blog do crítico carioca Mauro Ferreira, foi alvo de um dos e-mails informativos da banda. Ao divulgar a informação antes do acerto com a gravadora o TG pode ter dado um tiro no escuro. Se o contrato acabar não acontecendo, a banda pode acabar conhecida como aquela que poderia ter chegado lá e não chegou. Mesmo que não corresponda à verdade, o efeito pode parecer o de um certo fracasso na direção ao mainstream.

Caminhada ao mainstream que é o grande objetivo do Terminal Guadalupe. “Não queremos ficar presos a guetos, queremos que todos tenham acesso a nós, sem que a gente perca nossa essência”, conta o guitarrista. E, de fato, pela sonoridade pop-rock redonda a banda é a atual maior candidata a romper a barreira do independente – se é que isto ainda pode acontecer. As letras politizadas e a sonoridade pop-rock suscitam comparações constantes com as grandes bandas brasileiras dos anos 80, especialmente com a Legião Urbana. “As comparações não nos incomodam nem um pouco, são excelentes referências”, afirma Yokohama. “Nossa maior influência é a música pop, não importa o formato. De Iron Maiden a Legião Urbana, de Chico Buarque a Queens of the Stone Age. Adoramos os anos 80, o rock nacional daquela época é importantíssimo pra nós e acho que sem ele muita coisa ainda estaria atrasada em termos de cena independente.”

Completando cinco anos de existência em 2008, a banda começa a planejar o futuro. Depois de lançar em março o “bootleg autorizado” Ao Vivo na GGG – um registro acústico de canções inéditas e pouco tocadas, executadas pelo guitarrista e o vocalista Dary Jr, – eles já começam a compor canções para um novo áçbum. E, se as lembranças são escolhas, aproveitam para passar a limpo tudo que aconteceu neste tempo. “Como em qualquer banda, lavamos algumas ‘roupas sujas’ e depois rimos de tudo, sempre juntos. Mas as lembranças são as melhores possíveis – os lugares por onde passamos, o prêmio de Melhor Disco Independente de 2005 da revista Laboratório Pop, as risadas de cada viagem, o Tributo a Odair José, todos os momentos engraçados que estão até captados pela minha câmera (prometo fazer um documentário qualquer dia desses), as pessoas que a gente vai conhecendo ao longo do caminho e vai fazendo amizade e, é claro, os shows, afinal, é pra isso que estamos aqui, né?”, finaliza Yokohama.

Concertos para a juventude

abril 9, 2008

Dá uma olhada no que eu achei.

Eu lembro de assistir esse programa na TV, mas não lembrava que o Xande já tava no Pato Fu. Quem sabe faz ao vivo.

“Porque sei calcular o valor de um amor que desponta…”

abril 9, 2008

“… eu meço pelo tamanho da dor que eu sei que no final vai chegar”

O Pato Fu é como vinho – quanto mais velho, melhor.

“Gol de Quem?” (Porque essa música me lembra minha adolescência e uma época em que coisas legais e bem feitas faziam sucesso popular nesse país)

“Imperfeito” (Porque o Ao Vivo MTV da banda mineira é um dos melhores registros de show nacional)

“Mama papa” (Porque eu estava nesse pocket ano passado na FNAC – e depois entrevistei os três para o meu TCC e para o Bacana. O nome do cachorrinho de pelúcia é Poti, que é o nome mais comum de cães no Japão – John e Fernanda o compraram durante uma viagem à terra do sol nascente)

P.S.: Preciso urgentemente me organizar.

Sobre blogs

abril 8, 2008

O caderno Link, do Estadão, trouxe hoje uma matéria sobre o aniversário de dez anos de blogs em português. Vale a pena uma boa olhada – a matéria dá um panorama histórico da blogosfera (não gosto dessa palavra) nacional e aborda questões importantes, como plágio, como ganhar dinheiro com blogs e a popularização da ferramenta.

Amanhã eu comento mais e conto a história deste humilde blog. Muitas coisas acontecendo nessa semana. Preciso dar uma boa dormida hoje, porque amanhã começa o projeto Tiagão 2008.

“His goal in life was to be an echo”

abril 7, 2008

Minhas músicas favoritas do Wilco, sem nenhum tipo de ordem.

http://tinyurl.com/5mspa6

(Se alguém manjar de edição HTML no WordPress por favor fale comigo. Não tem jeito de colocar o player bonitinho do Mixwit aqui – e olha que eu tentei.)

UPDATE: Para quem quiser baixar, ta aqui.

Isso sim é talento prodígio

abril 5, 2008

A banda principal a se apresentar no projeto Rumos Itaú Cultural ontem era o Móveis Coloniais de Acaju. Mas quem roubou a cena foram seis meninos de Cariri, no Ceará. Eles abriram o show esbanjando carisma e presença do palco. Não se intimidaram nem um segundo com o teatro lotado, pularam no meio da platéia para “tocar guitarra”, fizeram o povo bater palma e cantar junto os refrões. Show melhor do que o de muito marmanjo barbado por ai. Depois da apresentação viveram momentos de popstar, tirando foto, conversando com o público. E, de repente, se espremeram na frente do palco para assistir ao Móveis – que arrasou, como de costume.

Achei essa foto da Helena linda.

Pequeno momento sentimental

abril 5, 2008

“E assim é também na vida. Muita gente acredita que o ser humano realmente bravo é aquele que nunca esmorece. Ora, este só pode ser é louco de pedra!

O verdadeiro bravo vai dormir derrotado, desanimado, pensando em desistir de tudo, porque a vida apronta cada falseta que ninguém merece… E daí acorda renovado e canta pra si mesmo: afinal de contas, não tem cabimento entregar o jogo no primeiro tempo! Pensa em novas táticas, em novos argumentos, em ações diferentes. E vai à luta.

Existem vitórias que nos prejudicam terrivelmente, existem derrotas que nos ensinam muita coisa. A toda essa aprendizagem sou demais de agradecida, graças a ela me tornei a pessoa que sou hoje.”

A Roberta roubou autorizadamente do blog da Regininha. E eu roubo na cara dura, porque esse texto é lindo. Exatamente há uma semana atrás eu era esse cara que ia dormir derrotado e desanimado, pensando em desistir de tudo. Procurar emprego em São Paulo tava começando a ser algo chato e
desalentador e eu realmente começava a duvidar das minhas capacidades. Sábado foi um dia especialmente ruim nesse sentido, com um monte de dúvidas passando pela cabeça. Ainda bem que eu tenho amigos muito queridos que ajudam a segurar a barra – e sem todos eles, os de perto e os de longe, eu não sei se conseguiria.

Mas eis que eu termino a semana de outra forma, totalmente feliz, porque um monte de coisa aconteceu e eu tenho boas perspectivas pro futuro. Pode ser que os astros tenham se alinhado de uma forma que possibilitou tudo, que tenha sido coisa do destino ou qualquer bobagem. Mas eu não acredito. Desde que eu li esse texto da Regininha durante a semana me reconheci totalmente nele. Finalmente eu defini minha tática para o segundo tempo. E não vou deixar que o jogo acabe sem a virada.