“As lembranças são escolhas”

Mais um textinho meu pra nova edição do Bacana. Durante a semana republico aqui outros legais que rolaram por lá.

Uma das coisas que marca no Terminal Guadalupe é sua divulgação. É difícil a semana em que pelo menos um e-mail com alguma informação sobre a banda não chegue à caixa de entrada dos participantes do mailing do TG. São anúncios de shows, lançamento de clipe, mas principalmente clipping – toda nota ou matéria sobre a banda publicada em qualquer canto do Brasil ou da Internet é reproduzida, não passa nada. Uns podem considerar chatice. Outros dirão que é trabalho.

O que não se pode negar é que a banda (o vocalista Dary Jr, os guitarristas Allan Yokohama e Lucas Borba, o baixista Rubens K e o baterista Fabiano Ferronato) tem gerado repercussão no país, em todos os sentidos, e principalmente no último ano. “2007 foi o melhor ano da banda, com certeza”, atesta Allan Yokohama. Tudo começou no final de janeiro, quando a banda apareceu como um dos destaques da cena independente nacional em matéria na revista Veja – e terminou com a indicação de um recém-inaugurado MySpace brasileiro como uma das dez apostas para 2008.

No meio de tudo isso, um disco lançado (A Marcha dos Invisíveis) – e uma turnê que, além das principais capitais, rodou por cidades do interior do Brasil como Araraquara, Umuarama e Rolândia. A Marcha dos Invisíveis, gravado no estúdio Toca do Bandido, foi considerado um dos principais discos pelas votações de críticos do Brasil e ganhou uma pré-indicação recente para o Prêmio Tim de música brasileira. Com uma produção primorosa, o disco apresenta alguns dos melhores sons de guitarra gravados nos últimos anos no indie brasileiro e pelo menos três grandes músicas – “Atalho Clichê”, “Pernambuco Chorou” e a linda “De Turim a Acapulco”, uma das melhores baladas do rock brasileiro nos anos 2000.

O esgotamento da primeira tiragem e uma parte da repercussão do álbum entre o público são devido à aparição da banda na revista Veja, acredita Yokohama, sem tirar a importância da Internet no processo. “Foi muito bom (aparecer na Veja), pois quem se interessou e não nos conhecia correu atrás de informações sobre o TG. E tudo isso pela Internet, claro. Ela nos ajudou a atiçar a curiosidade das pessoas interessadas no disco novo e nos deu tempo de fazer as coisas com mais calma.”

Com o fim da primeira tiragem de A Marcha dos Invisíveis a banda iniciou conversas com a Universal para um relançamento do disco. A informação, divulgada no blog do crítico carioca Mauro Ferreira, foi alvo de um dos e-mails informativos da banda. Ao divulgar a informação antes do acerto com a gravadora o TG pode ter dado um tiro no escuro. Se o contrato acabar não acontecendo, a banda pode acabar conhecida como aquela que poderia ter chegado lá e não chegou. Mesmo que não corresponda à verdade, o efeito pode parecer o de um certo fracasso na direção ao mainstream.

Caminhada ao mainstream que é o grande objetivo do Terminal Guadalupe. “Não queremos ficar presos a guetos, queremos que todos tenham acesso a nós, sem que a gente perca nossa essência”, conta o guitarrista. E, de fato, pela sonoridade pop-rock redonda a banda é a atual maior candidata a romper a barreira do independente – se é que isto ainda pode acontecer. As letras politizadas e a sonoridade pop-rock suscitam comparações constantes com as grandes bandas brasileiras dos anos 80, especialmente com a Legião Urbana. “As comparações não nos incomodam nem um pouco, são excelentes referências”, afirma Yokohama. “Nossa maior influência é a música pop, não importa o formato. De Iron Maiden a Legião Urbana, de Chico Buarque a Queens of the Stone Age. Adoramos os anos 80, o rock nacional daquela época é importantíssimo pra nós e acho que sem ele muita coisa ainda estaria atrasada em termos de cena independente.”

Completando cinco anos de existência em 2008, a banda começa a planejar o futuro. Depois de lançar em março o “bootleg autorizado” Ao Vivo na GGG – um registro acústico de canções inéditas e pouco tocadas, executadas pelo guitarrista e o vocalista Dary Jr, – eles já começam a compor canções para um novo áçbum. E, se as lembranças são escolhas, aproveitam para passar a limpo tudo que aconteceu neste tempo. “Como em qualquer banda, lavamos algumas ‘roupas sujas’ e depois rimos de tudo, sempre juntos. Mas as lembranças são as melhores possíveis – os lugares por onde passamos, o prêmio de Melhor Disco Independente de 2005 da revista Laboratório Pop, as risadas de cada viagem, o Tributo a Odair José, todos os momentos engraçados que estão até captados pela minha câmera (prometo fazer um documentário qualquer dia desses), as pessoas que a gente vai conhecendo ao longo do caminho e vai fazendo amizade e, é claro, os shows, afinal, é pra isso que estamos aqui, né?”, finaliza Yokohama.

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