Archive for maio \29\UTC 2008

Ch ch ch changes

maio 29, 2008

2008 tem sido um ano de mudanças. Muitas, muitas mesmo. Quando eu tô me acostumando com algo, organizando minha vida, algo acontece e gira tudo em 180º. Essa semana está cheia delas – as mudanças. Por isso tenho estado um pouco relapso quanto ao blog. Mas logo passa. É só eu me organizar…

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Bah, velhinho!!!

maio 26, 2008

Em dezembro do ano passado me formei em Jornalismo na UFSC. Para o meu TCC fiz um perfil do produtor musical e jurado do Ídolos Carlos Eduardo Miranda. Foram seis meses entre pesquisa, apuração e redação. O resultado é aquele que eu considero o meu melhor texto até hoje, sem dúvida. E como nenhuma revista quis publicar, resolvi colocar na internet mesmo.

Agradecimento especial ao Miranda, por ter aceitado me dar entrevistas; ao Mac e ao Neto, que me hospedaram em São Paulo; à Roberta, que me apoiou durante o processo, revisou e deu boas dicas; ao Alemão, que revisou o texto um sem-número de vezes; à Daisi, pela orientação; e ao fotógrafo Rui Mendes, que me salvou aos 45 do segundo tempo cedendo a foto que ilustra este post e abre a matéria e que também liberou que eu publicasse ela na internet sem fins lucrativos.

Então, terminada a puxação de saco, vamos ao que interessa: o TCC pode ser baixado neste link. Críticas, sugestões e até xingamentos são muito bem-vindos.

Só para complementar

maio 19, 2008

Hoje fiquei sabendo que um projeto novo em que estou envolvido estréia quarta. Tem tudo para ser beeeeeeeeeeem legal. Mas eu só falo mais disso na quarta, hehehe. Se eu já achava que a semana prometia…

Aliás, o roteiro para a visita do Alemão a São Paulo está sendo fechado. Too much to do, too little time.

Pequeno momento sentimental (2)

maio 18, 2008

Demorou, mas na última semana eu acho que entendi o motivo de algumas das minhas atitudes no último ano e meio, mais ou menos. Tenho me arrependido de não ter feito muita coisa, eu que sempre disse que o melhor era errar pela tentativa e não pela omissão. Mas agora passou e eu me sinto de mãos atadas, sem ter nada o que fazer. Dói, bastante. Mas tem coisas que vão aliviando e permitindo aguentar: o show do Wander na quinta, o final de tarde de sabado cheio de risadas no bar com os velhos amigos, os novos amigos de São Paulo e aqueles com quem os laços se estreitaram, a perspectiva de uma mudança que deve acontecer nessa semana e a vinda do amigo de Floripa pra São Paulo. Será uma semana e tanto.

“Que a esta altura da manhã, já não importa o nosso bafo”

maio 13, 2008

Quinta-feira, às 21h, tem lançamento do Cd La Cancion Inesperada do (agora não mais) punk-brega Wander Wildner, na Choperia do Sesc Pompéia. Dá pra ter uma idéia do que vai ser o disco a partir de duas versões que já estão no YouTube.

A primeira é “Amigo Punk”, da Graforréia Xilarmônica, talvez o maior clássico do rock independente gaúcho, que nas mãos de Wander ganhou ainda mais ares regionais e tradicionalistas, em uma versão comandada por um acordeon típico da música tradicional gaúcha – na verdade, de onde eu venho a gente chama acordeon de gaita.

A segunda versão é “(não contavam com) Os Pistoleiros”, da seminal banda florianopolitana de folk-rock Os Pistoleiros – eu prometo que qualquer dia desses vem um post falando deles. A balada ganhou um tom mais alt-country que a original, lembrando de longe os papas do gênero – os americanos do Wilco – e ecoando um pouco a MPG (Música Popular Gaúcha) de Fogaça.

Pelo que se vê e ouve, será que o punk-brega morreu pra sempre?

“Mas com amor é mais caro”

maio 11, 2008

Dois vídeos bacanas de uma das melhores bandas independentes brasileiras, a Poléxia, de Curitiba. De brinde, a matéria que o Abonico fez sobre a volta por cima da banda. Esse ano deve pintar cd novo, com produção de John Ulhôa, do Pato Fu.

“Aos Garotos de Aluguel”

“Eu te amo, porra!”

“My aim is true”

maio 10, 2008

Hoje me lembrei da “Teoria de Alison” e, como essa é uma das minhas músicas favoritas do Elvis Costello, resolvi relê-la. E nunca ela fez tanto sentido como hoje. Então, não dá pra deixar de repassar.

Teoria de Alison
por Miguel F. Luna

“Oh, it’s so funny to be seeing you after so long, girl.
And with the way you look
I understand that you are not impressed.”

Essas são as três primeiras frases de Alison, canção de Elvis Costelo, clássico absoluto. E é a canção que empresta som, palavras e sentimento para esse texto, ou melhor, teoria. Essas frases já são uma pista mas o que vem a ser a Teoria de Alison? Bem, a teoria de Alison é uma equação muito simples:

{É só juntar um cara legal, uma garota bacana, platonismo à vontade, alguns itens da Lei de Murphy, e, às vezes, um relacionamento quase perfeito acontece. Quase perfeito. Aí é só bater no liqüidificador e beber o resto da vida entre silêncios e sonhos}

Alisons são aquelas garotas que marcam a vida da gente e que a gente não consegue esquecer com o tempo, ao contrário, elas nos tomam cada vez mais, como se só existissem elas no mundo. Sei que não existem apenas elas, mas isso é inexplicável, acontece. E acontece a ponto de as tornarem as maiores adversárias de novos relacionamentos, embora nem estejam mais ali, talvez apenas como fantasmas, mas nós acabamos sempre as querendo. É diferente de flertes corriqueiros e inconseqüentes e é sacrifício até manter a amizade depois que a história chega ao fim, ou melhor, quase início.

Ela pode ser qualquer garota, como a vizinha, uma colega de classe, a amiga de um conhecido, a irmã de uma amiga, a namorada do melhor amigo, uma prima, qualquer uma. Parece piada, mas acredite, não é. Acontece. Quem tem uma Alison tem também uma porção de histórias tragicômicas para contar. Eu mesmo tenho um monte e daria para escrever um livro só contando minhas mancadas.

Cada um deve ter a sua Alison. Eu tenho a minha, bonita, inteligente, frases iniciadas por um e finalizada por outro, quase beijos, e por fim, silêncios. Tá, ela me envia emails vez em quando. Mas já não está sozinha, o que a torna ainda mais impossível. Mas é a minha Alison, vou fazer o que? Não escolhi. Ela me apareceu do nada, numa tarde de julho a quase 800 km da minha casa (acho que fui eu que apareci) e, bem, ela vai se casar em setembro e eu não quero ser muito sentimental (como canta Costelo) mas a vida segue, cada um na sua, e geralmente Alisons nos trazem tristeza. É a sina. Eu só sei que ela não é minha.

Isso é o fim ? Não, como eu disse, a vida segue. Apenas segue mais arrastada. Isso tudo não impede da gente encontrar alguém e se apaixonar e tal. Eu já me apaixonei mas não foi lá grande coisa, nem por culpa da paixão mas por culpa da Alison. Mesmo assim acredito que a minha garota está andando por aí e qualquer dia eu a encontro. Acredito. Mas Alison é Alison, a gente bebe a vida inteira dessa chuva. E desde então parece que tem chovido sempre. Sempre.

“Alison, my aim is true. My aim is true.”

Extraído do Scream & Yell.

“Sem freio, faço questão de ficar com você”

maio 7, 2008

Clipe novo do Autoramas. A melhor balada do Roberto Carlos não escrita pelo Roberto Carlos.

“A 300 Km/H”

Da série Links Amigos

maio 7, 2008

Vale a pena dar uma boa olhada no blog do Richard, que foi meu veterano (nossa, como o tempo passa, hehehe) lá na UFSC e desde o ano passado está em Pequim para aprender a cultura do país das próximas Olimpíadas. Tem muita história boa. Recentemente o Richard, que já trabalhou na SporTV, estreou um blog no portal Globo Esporte com o mesmo propósito – contar mais sobre as peculiaridades da China e mostrar o clima que antecede as Olimpíadas de Pequim. Uma das coisas mais legais dos blogs é a AmanTV – o nome é auto-explicativo. Eis o mais novo quadro da “emissora”, o Amante Entrevista, que começa com uma ótima participação.

Essa tal Virada Cultural

maio 7, 2008

Se teve uma coisa pela qual valeu a pena a Virada Cultural foi o clima de descontração e alegria que dava pra sentir nas ruas de São Paulo. Acabei assistindo apenas os shows do domingo à tarde (estava em Florianópolis me formando no sábado, mas isso é outra história) e por isso acabei não vendo o centro à noite cheio de gente andando pelas ruas, o que dizem que é uma coisa linda. Mesmo assim, ver as ruas lotadas durante o dia já foi super agradável, ainda que o calor infernal e o fedor de mijo de algumas ruas castigassem os cansados. De qualquer forma, segue um relato bem pessoal e parcial, porque, enfim, não dá pra cobrir nem um décimo da Virada sozinho.

Há de se dizer que eu quase não fui para a Virada. Cheguei de Floripa às 10h, literalmente virado do baile de formatura, já extenuado, com as pernas doendo. Mas, depois de um banho e uma ligação para um amigo me animei e pensei: “estar em São Paulo durante a Virada e não ir é um dos maiores sacrilégios que podem existir”. Total verdade. Comi uns salgados no Pão de Açúcar (já falei que a coxinha deles é qualquer coisa de sensacional?) e saí correndo pra conseguir assistir o Do Amor no Pátio do Colégio – já tinha perdido o Overcoming Trio no Palco das Meninas.

Depois do ônibus errado e de problemas no Metrô cheguei exatamente 12h20 – hora marcada para o show – na Praça da Sé. Assim que comecei a andar em direção ao Pátio ouvi os primeiros acordes de Morena Russa e apressei o passo para não perder a apresentação. Com um som extremamente bem regulado, os cariocas do Do Amor fizeram o habitual – um show competentíssimo, quase sem retoques, praticamente perfeito. Nem o sol de rachar do meio-dia impedia o (infelizmente) pequeno público de balançar ao som da mistura de rock com ritmos regionais da banda.

Cerveja quente, ruim e mais cara na mão – comprei Nova Schin a R$ 3,00 quando na esquina tinha Skol e Brahma por R$ 2,50 – parti junto com alguns amigos rumo ao palco Canja Rock Blues, onde uma super banda punk – Mingau (365/Ultraje), Clemente (Inocentes), Redson (Cólera) e Ari (365) – fazia uma homenagem ao Clash. Depois completos pelo ex-VJ Thunderbird, atacaram clássicos do punk nacional, movimentando as rodinhas de pogo que se formavam em frente ao palco. Aliás, esse palco se mostrou uma boa opção para quem estivesse de bobeira, sempre com garantia de bom rock sendo executado e agradando pais e filhos – mais tarde passei por ali de novo e uma banda comandada por Andréas Kisser interpretava clássicos do hard rock dos anos 70. Saí buscar minha credencial de imprensa bem no momento em que a presença de Wander Wildner no palco era anunciada, mas não podia me deter mais ali com perigo de não conseguir voltar a tempo de ver a Orquestra Imperial.

Confesso que preciso assistir ao show da Orquestra com melhor humor. Adoro o CD deles, dava pra ver que eles estavam se divertindo em cima do palco, a execução das músicas era competente, o público dançava junto como num grande baile, mas eu não consegui gostar. O fato é que, cansado do jeito que eu estava – além de ter virado a noite de sábado, eu praticamente não dormi na sexta, e ainda tinha na bagagem duas viagens de avião em menos de 48 horas em assentos não lá muito confortáveis – parecia que apenas guitarras distorcidas conseguiam me animar (mas não, eu não sou indie-roqueiro de carteirinha). E o som que chegava baixo onde eu estava, bem longe do palco, também não colaborava. Assim, de cinco em cinco minutos eu olhava o relógio para me certificar que sairia a tempo de percorrer o trajeto Av São João – Pátio do Colégio a tempo de ver o Superguidis às 16h30. Tomei um bom copo de café e parti.

Cheguei às 16h20 e o show já tinha começado (a pontualidade extrema de algumas apresentações era de se espantar). Sem o som perfeito do Do Amor e contando com alguns percalços como a queda da guitarra de Andrio durante “Malevosidade”, os Guidis fizeram uma apresentação um tanto aquém do que eu esperava. Não dá pra dizer, porém, que eles não são competentes e tem boas canções que se sustentam ao vivo – como a Orquestra, fica para o rol das apresentações a serem vistas novamente em outras condições.

Enquanto o MQN se arrumava para subir ao palco, meu comboio partiu em direção daquele que prometia ser o grande show do dia, o Ultraje A Rigor. Antes, uma breve passada pelo Palco das Meninas para dar uma olhada no maravilhoso show da Fernanda Takai, com todo seu charme sutil. Ancorada no repertório de seu disco dedicado a Nara Leão, ela fazia uma multidão cantar as doces melodias de músicas como “Com Açúcar, Com Afeto” e “Diz que fui por ai” – mas cantarolar estas canções é fácil, visto que elas estão no imaginário popular brasileiro, difícil (e lindo) é fazer o coral entoar junto os vocais de “There Must Be An Angel”, do Eurythmics.

Totalmente esgotado da maratona, encontrei alento em algumas cadeiras da área de imprensa do Palco Rock República, enquanto esperava por cerca de 20 minutos o Ultraje entrar para encerrar a Virada. Como bem disse um amigo, quando a passagem de som começa a dar problemas é sinal de que o show não vai ser tão bom. Não deu outra, os problemas de som ora na guitarra de Roger ora na de Serginho Serra deram a tônica da apresentação. Sem tocar na íntegra o álbum Nós Vamos Invadir Sua Praia como foi anunciado na programação, o Ultraje fez um show irregular, apoiado na excelência técnica de seus músicos e de um repertório com algumas das grandes canções do rock nacional. A participação especial de Lobão tocando bateria em “Nós Vamos Invadir Sua Praia” deu um brilho especial à apresentação, mas a banda abusou das covers e dos solos de guitarra.

Toda banda tem uma cota de chatice para gastar antes de entrar no palco. Há quem não gaste nada dela e há quem a ultrapasse. No show da Virada (sem trocadilho, please) o Ultraje usou a segunda opção no momento em que Roger e Serginho voltaram para o bis fazendo uma longa improvisação baseada em dois acordes básicos e em ritmo de blues, demorando mais de cinco minutos para realizar uma das introduções de música mais sacais da história. Depois de toda punheta virtuosística, atacaram “Marylou”, “Eu Gosto É de Mulher” e debandaram a tocar covers. Eu, já com os olhos quase pregados, debandei também, preferindo não enfrentar as filas nas catracas do Metrô nem a espera por um ônibus e agüentando o mal-humor do taxista até em casa (“que merda de evento, só serviu pra foder o trânsito”, esbraveja, enquanto me oferecia uma bala de coco).

O saldo final da Virada ficou mesmo com – ao contrário do que a anta do taxista disse – a beleza do evento. Como disse outro amigo, para quem gosta um mínimo de música brasileira a Virada é um prato cheio. Nunca estive em nenhum grande festival europeu, mas não há como não pensar neles como parâmetro. Fora isso, nenhum show memorável – os melhores (Do Amor e Fernanda Takai) eu já tinha visto antes e, como diz o ditado lá de onde eu venho, “figurinha repetida não completa álbum”.

P.S.: A matéria de capa do Caderno 2 especial com a cobertura da Virada Cultural foi um dos textos mais escrotos que eu já li na minha vida. Deu até vergonha de assinar o jornal.

P.S. 2: A máquina não ajuda, mas sim, eu sei que eu sou um péssimo fotógrafo. :~