O poder de uma primeira frase

Gabriel Garcia Márquez conta que resolveu ser escritor por causa da primeira frase de A Metamorfose, do Kafka (“Certa manhã, ao despertar de sonhos intranqüilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”). Simples assim, em poucas palavras, Kafka consegue resumir praticamente todo o romance – quem já leu o livro sabe que, óbvio, há mais coisa no enredo, mas essa frase já basta.

É por isso que “Many Shades of Black” é a melhor música do novo CD do The Raconteurs, Consoler of the Lonely. Basta o primeiro verso para se entender a canção (“Go ahead, go ahead smash it on the floor”). Ali você já sabe que tudo que vem pela frente é devastação, é um caso acabado que não tem possibilidade nenhuma de volta. Ao contrário da outra balada de destaque do disco, “You Don’t Understand Me”, que é uma canção de redenção – depois de muito falar sobre alternativas para este amor, Jack White acaba cantando que “I’ve been looking around but I haven’t found anybody like you”. Há um final feliz.

Embora eu prefira a redenção, os finais felizes (sim, eu sou brega), “Many Shades of Black” mostra um término de relação de forma tão contundente, firme e carregada de uma carga emocional de raiva que é impossível não simpatizar com a canção.

“Many Shades of Black”

“You Don’t Understand Me”

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