Archive for setembro \28\UTC 2008

“I see my light come shining”

setembro 28, 2008

Entra aqui, faz o cadastro e baixa uma baita versão de “I Shall Be Released”, de titio Bob Dylan, com o Wilco e o Fleet Foxes, os atuais queridinhos do cenário folk. Dá pra sentir uma prévia vendo esse vídeo abaixo.

“Tongue? Cool”

setembro 27, 2008

Um bom exemplo da diferença entre homens e mulheres.

“Ian” Maiden

setembro 24, 2008

Esse vídeo é impagável. Destaque para a “participação especial e muito bem humorada de Eddie, o monstro”. Como disse uma amiga, é praticamente a sessão da tarde!

Sobre os barbudos

setembro 20, 2008

Não, este não é um post para defender aqueles que apreciam deixar crescer pêlos na cara ou sobre o fato de eu ter pensado em tirar minha barba nas últimas semanas – já faz um ano e meio que ela me faz companhia. Estou aqui para falar sobre este singelo vídeo.

É a participação da Mallu Magalhães no show do Marcelo Camelo, ontem, no festival No Ar Coquetel Molotov, em Recife. A música é “Janta”, do primeiro álbum solo do ex-Hermano, Sou, recentemente lançado – e que conta com a participação de nossa menina prodigio na já citada canção. A música não é nada demais, bem fraquinha, diga-se de passagem – eu não ouvi o disco inteiro ainda, baixei apenas hoje (tem coisa mais interessantes pra ouvir, como o novo do Oasis) – mas o que impressiona é o público abafando a voz do Camelo, no melhor estilo show do Los Hermanos. Sim, eu já fui a shows dos Los Hermanos e sei que isso era super comum, e fica mais do que provado no disco mais recente deles, recém-lançado também, com a apresentação de despedida na Fundição Progresso, no ano passado. Mas em uma apresentação solo de um disco com menos de um mês?

O vídeo confirma um certo messianismo que a banda ganhou durante a década, muito por sua estreita relação direta com os fãs – tem a velha história de que a “parada por tempo indeterminado” foi anunciada sem comunicado à imprensa, direto no site e endereçada aos fãs, porque era a eles que ela interessava. É algo que só tem comparação, num passado recente do BRock, com a Legião Urbana. Mas com algumas pequenas diferenças. Os discos solos de Renato Russo não tiveram a mesma recepção, mas tudo bem, ele não fez shows e os projetos eram bem específicos, discos de covers em outras línguas (sem duplo sentido, plis). E principalmente porque o Legião sempre foi mainstream, e os Hermanos deixaram de o ser depois de “Anna Julia”.

Recentemente eu tive essa discussão sobre os Hermanos e o mainstream com o Matias na Poplist. Ele dizia que a banda lota qualquer casa média de shows do Brasil. Não discordo, eles levam no mínimo umas duas mil pessoas em qualquer show que fizerem em cidades médias ou grandes do Brasil. Agora, se eles voltarem um mês depois à mesma cidade, a chance de o público ser exatamente o mesmo é grande – afora São Paulo e Rio, mas aí estamos falando de cidades enorme (SP em especial). Fora do circuito indie pouca gente conhece os Hermanos. Falo isso por amigos meus de Curitibanos, lá no interior de Santa Catarina, que nem sabem que eles lançaram CDs depois de “Anna Julia”, e são pessoas que conhecem NX Zero, Pitty e toda essa cena emo e de rock adolescente – sinceramente não sei se eles manjam o Cachorro Grande. Estamos falando de um país de 180 milhões de habitantes, onde, sei lá, uns 50 mil ou pouco mais devem conhecer os discos recentes e ser fãs de Los Hermanos – se é que chega a esse número. E vamos combinar que isso está bem longe de ser mainstream.

Ah, e esse vídeo prova minha teoria de que se os Hermanos lançarem, em grupo ou em carreira solo, um disco composto todo por peidos um monte de gente vai achar genial.

P.S.: Pelas primeiras ouvidas, esse disco do Oasis me parece um disco que o Supergrass poderia ter lançado após o Road To Rouen. O que é um puta elogio.

“Bicho, se tu tá de bobeira”

setembro 18, 2008

“Não tem nada de cabeçudo na parada, é tudo de coração, sincero. Não tem preocupação conceitual, é uma festa.” É em cima do palco que a afirmação de Ricardo Dias Gomes, baixista da banda carioca Do Amor, faz o maior sentido. Quando ele, Gustavo Benjão (guitarra), Gabriel Bubu (guitarra) e Marcelo Callado (bateria) – os quatro cantam – tocam juntos, a festa de ritmos está armada. Metaleiros, micareteiros, indies, não tem quem não dê pelo menos uma balançada nas cadeiras.

Há duas informações básicas que quase sempre acompanham qualquer comentário sobre o Do Amor. A primeira é em relação ao passado musical: os quatro tocam ou tocaram em diversas bandas e com artistas extremamente respeitados – Marcelo e Ricardo fazem parte da atual banda de Caetano Veloso, Bubu acompanhou o Los Hermanos, Benjão já tocou com Lucas Santana e Totonho e Os Cabra, entre tantos outros. A segunda é que a banda mistura em sua equação sonora o maior número de ritmos e estilos musicais possíveis, do heavy metal ao carimbó, do punk ao axé, do hard rock ao frevo. Sem desafinar ou perder a linha em qualquer momento.

De alguma forma essas duas características intrínsecas ao Do Amor têm tudo a ver uma com a outra. “Crescemos tocando em outras bandas e, de alguma forma, nossas influências vêm daí”, analisa Ricardo. De cada experiência profissional eles foram agregando alguma coisa em sua formação, não apenas musical. “Aprendi com o Los Hermanos a ter uma certa organização, vender as coisas no show, coisas que a gente não fazia com o Carne de Segunda (banda anterior ao Do Amor que contava com Bubu, Marcelo e Benjão)”, conta Bubu. “E os contatos que a gente constrói com as outras bandas servem pra gente também”, completa Marcelo.

Sentados na mesa do restaurante ou em uma conversa pós-show, os quatros transparecem uma naturalidade enorme no relacionamento, entre si e com os outros. Talvez seja o jeito carioca de ser. Não há momento em que não haja sorrisos nos rostos ou uma piada a cada cinco minutos. Espontaneidade, coisa que se reflete no som e nas apresentações. Os quatro parecem estar à vontade o tempo inteiro, principalmente juntos. Há uma segurança em relação ao trabalho e à banda diferente do que normalmente se encontra. Coisa de quem se conhece desde moleque, que convive desde as peladas na zona sul carioca.

Algo que se reflete no momento das composições. “É uma coisa bem despretensiosa, de fazer a musica e jogar pra fora, sendo boa ou ruim. Um processo de construir idéias, acho mais divertido ver o que acontece, deixar aquela coisa não fazer mais parte de você”, explica Bubu. Assim, com cada um colocando um elemento novo, experimentando enfoques, eles constroem um estilo único de não soar repetitivo em momento algum. “Quando a banda se prende a um gênero fica algo político até. E isso não é ruim, mas a gente não tem compromisso em seguir nada, a gente gosta igual de muitos estilos”, resume bem Ricardo.

Tudo isso estará registrado no primeiro disco da banda, que deve sair até o começo do ano que vem. Gravando com o produtor Chico Neves, que trabalhou com o Los Hermanos no disco “Bloco do Eu Sozinho”, eles não tem pressa. “Vamos fazendo no nosso ritmo, conciliando um monte de coisa, porque tá sendo feito meio na camaradagem”, conta Marcelo. “E tem uma coisa relevante do processo de gravação, de registrar a banda naquele momento, os arranjos de cada música”, completa Bubu.

Certo é que a banda é o grande destaque do cenário independente em 2008. Mesmo sem nenhum dos quatro ter previamente estabelecido, 2008 é o ano do Do Amor. Com a parada por tempo indeterminado do Los Hermanos e o fim da turnê do disco Cê, de Caetano Veloso, os quatro puderam se dedicar mais à banda. “Não que antes a gente não se falasse. Estávamos viajando, mas sempre trocando e-mails, dois dias depois que o Marcelo e o Ricardo chegaram da turnê do Caetano a gente já tinha show marcado”, diz Benjão.

O resultado são diversas apresentações por todos os cantos do país. Só em São Paulo já foram mais de dez neste ano, fora a participação em alguns dos principais festivais independentes do Brasil até agora – Bananada, Casarão, Calango e Se Rasgum no Rock. E não devem parar. “Esse ano a gente tá tentando usar todo o tempo livre pra banda. Vamos correr atrás, mesmo que bata com outra coisa”, afirma Benjão. “Quem quiser trabalhar com a gente agora vai ter que conviver com a banda”, completa Ricardo.

“The Night They Drove Old Dixie Down”

setembro 8, 2008

Pra começar a semana cheia de emoção.

Uma celebração do passado

setembro 5, 2008

Se as pessoas conhecessem Os Pistoleiros não dariam tanta importância para Vanguart e Mallu Magalhães. Nada contra o quinteto de Cuiabá e a garota-prodígio do indie nacional – ambos são talentosos e fazem um folk rock bem competente – mas é que a qualidade e simplicidade das canções do quinteto de Florianópolis são algo difícil de ser alcançado. O título de melhor banda folk brasileira cunhado por Fernando Rosa não é injusto.

Fato é que a banda é uma lenda do rock de Floripa desde que acabou, no distante ano 2000. Não por acaso, assim que foi anunciado o show de retorno da banda para o aniversário de dois anos da coluna Contracapa, do Diário Catarinense, a comoção geral começou. Teve quem saísse de São Paulo, quem viajasse mais de 400 km em menos de 24h viajasse mais de 400 km em eus queira que n tudo. Bem, ae local. o se fosse uma “arem las. emento pr e quem há muito não saía de casa e foi até a Célula no dia 30 de agosto, mesmo com a noite congelante que fazia na ilha. Um público devoto se espremendo em frente ao palco e cantando todas as canções do EP homônimo lançado em 2000 e que corria a internet meio que como raridade até o relançamento virtual pelo Senhor F. O show não teve muito mais do que as sete músicas gravadas – além delas, duas instrumentais, duas antigas não gravadas (“Pouca Coisa” e “Contestado”), uma inédita (“Remédio Amargo”) e duas covers.

A fórmula musical d’Os Pistoleiros é fácil de assimilar. Assim como Wander Wildner – sem o punk – as composições se destacam pela simplicidade de ritmo, arranjo, harmonia e letra. Seja para falar de inocência e pureza juvenil em “(Não Contavam com) Os Pistoleiros”, sobre desilusões em “Neve Over The Town”, para armar um bailinho folk em “Domingo se não chover” ou sonhos futuros em “Se eu tivesse um walkman”, eles não têm firula. Não à toa Wander regravou, em seu mais recente CD, “(Não Contavam com) Os Pistoleiros”. E o final do show, com a cover enérgica de “Rockin’ In The Free World” deixa tudo mais claro – Neil Young, o autor da música, é mestre nas canções de rock diretas. Houve quem dissesse que foi igual há oito anos atrás – o que é um ótimo elogio.

Mais do que apenas uma celebração de uma das grandes bandas que Santa Catarina já teve, a noite de aniversário da Contracapa deixou bem claro um contraste entre passado e presente na cena musical de Florianópolis. Sim, porque de alguma forma a maioria das pessoas que se espremiam em frente ao palco para cantar que “ainda vai levar uma semana ou duas, até que o carro velho fique pronto” não estavam muito interessados no Clube da Luta All Stars, uma “superbanda” reunindo músicos de diversas bandas do “movimento”.

O Clube da Luta foi uma espécie de associação criada há quase dois anos por oito bandas. A cada duas semanas, duas delas subiam ao palco do Fios e Formas para “duelar”. Entre as regras estava a obrigatoriedade de apenas tocar músicas próprias. Uma ótima maneira de incentivar a produção e criação de uma cena. Hoje já são 13 bandas na associação e as apresentações se tornaram semanais, todas as sextas na mesma Célula onde Os Pistoleiros tocaram.

Na teoria tudo é lindo, mas há um porém que faz toda a diferença. Ano passado, quando entrevistei, em Florianópolis, o Miranda para o meu TCC o Clube da Luta comemorava seu primeiro ano de vida. Perguntei a ele se iria aos shows e ele disse que não, comentando que até havia ficado sabendo de umas palestras que ocorriam naquele sábado à tarde e que tinha pensado em aparecer para falar apenas uma coisa: “veio, o segredo ta em fazer música boa. O que não é difícil, hoje tu tem tudo nas mãos, os instrumentos, a tecnologia. É só escutar as bandas certas e aprender como se faz”.

Aí está o contraste entre passado e presente: a qualidade das bandas. De nada adianta criar uma associação para incentivar as bandas se a música é ruim. Assim, soa patético quando o vocalista da Samambaia Sound Club, Jean Mafra, esbraveja no palco antes de cantar que “Santa Catarina tem que melhorar muito até chegar no nível do Clube da Luta” e que “Florianópolis é Provincianópolis”. Ora cara pálida, fosse o Clube da Luta tão relevante assim todos na cena indie nacional o conheceriam. Mas não é bem isso que acontece – várias pessoas com quem conversei no Festival Calango deste ano, entre elas produtores de festivais, não faziam a menor idéia do que se tratava.

Na verdade, o Clube da Luta tem que melhorar muito para chegar no nível que a história da cena independente de Floripa merece. Porque houve uma época em que Floripa era relevante musicalmente, no distante início do século, quando Pipodélica, Pistoleiros, Ambervisions expandiam o som ilhéu pelo Brasil. Bandas que mais do que apenas copiar e emular nomes famosos se preocupavam em adicionar um elemento próprio ao que faziam. Bandas que justamente por isso expandiam seu público pelo Brasil, ganhando respeito por onde passavam.

Florianópolis é uma cidade com vida cultural praticamente nula. Isso não impede que alguns poucos tentem movimentar a cena – e nisso o Clube da Luta tem boa participação. Mas não adianta ficar fechado numa noite por semana, tocando para quase sempre as mesmas pessoas. É necessário expandir os horizontes, tocar em outras cidades, levar bandas de fora para tocarem lá. Em resumo, é preciso ter um pouco de ambição e humildade, pensando no que se pode melhorar e não achando sabem e já fizeram tudo.

Nos dias 26 e 27 de setembro acontece o Floripa Noise Festival, como se fosse uma “filial” do Goiânia Noise, organizado pela Insecta Cultural, de Floripa, em parceria com a Monstro. As pessoas locais por trás do festival são veteranos daquela cena do início da década, o que pode ser uma boa ajuda para fortalecer o indie local. Que também vai precisar de boas bandas para alavancar tudo. Bem, aí estão Os Pistoleiros de volta. Deus queira que não por apenas um show.

P.S.: As fotos são do Eduardo Xuxu.