Sobre os barbudos

Não, este não é um post para defender aqueles que apreciam deixar crescer pêlos na cara ou sobre o fato de eu ter pensado em tirar minha barba nas últimas semanas – já faz um ano e meio que ela me faz companhia. Estou aqui para falar sobre este singelo vídeo.

É a participação da Mallu Magalhães no show do Marcelo Camelo, ontem, no festival No Ar Coquetel Molotov, em Recife. A música é “Janta”, do primeiro álbum solo do ex-Hermano, Sou, recentemente lançado – e que conta com a participação de nossa menina prodigio na já citada canção. A música não é nada demais, bem fraquinha, diga-se de passagem – eu não ouvi o disco inteiro ainda, baixei apenas hoje (tem coisa mais interessantes pra ouvir, como o novo do Oasis) – mas o que impressiona é o público abafando a voz do Camelo, no melhor estilo show do Los Hermanos. Sim, eu já fui a shows dos Los Hermanos e sei que isso era super comum, e fica mais do que provado no disco mais recente deles, recém-lançado também, com a apresentação de despedida na Fundição Progresso, no ano passado. Mas em uma apresentação solo de um disco com menos de um mês?

O vídeo confirma um certo messianismo que a banda ganhou durante a década, muito por sua estreita relação direta com os fãs – tem a velha história de que a “parada por tempo indeterminado” foi anunciada sem comunicado à imprensa, direto no site e endereçada aos fãs, porque era a eles que ela interessava. É algo que só tem comparação, num passado recente do BRock, com a Legião Urbana. Mas com algumas pequenas diferenças. Os discos solos de Renato Russo não tiveram a mesma recepção, mas tudo bem, ele não fez shows e os projetos eram bem específicos, discos de covers em outras línguas (sem duplo sentido, plis). E principalmente porque o Legião sempre foi mainstream, e os Hermanos deixaram de o ser depois de “Anna Julia”.

Recentemente eu tive essa discussão sobre os Hermanos e o mainstream com o Matias na Poplist. Ele dizia que a banda lota qualquer casa média de shows do Brasil. Não discordo, eles levam no mínimo umas duas mil pessoas em qualquer show que fizerem em cidades médias ou grandes do Brasil. Agora, se eles voltarem um mês depois à mesma cidade, a chance de o público ser exatamente o mesmo é grande – afora São Paulo e Rio, mas aí estamos falando de cidades enorme (SP em especial). Fora do circuito indie pouca gente conhece os Hermanos. Falo isso por amigos meus de Curitibanos, lá no interior de Santa Catarina, que nem sabem que eles lançaram CDs depois de “Anna Julia”, e são pessoas que conhecem NX Zero, Pitty e toda essa cena emo e de rock adolescente – sinceramente não sei se eles manjam o Cachorro Grande. Estamos falando de um país de 180 milhões de habitantes, onde, sei lá, uns 50 mil ou pouco mais devem conhecer os discos recentes e ser fãs de Los Hermanos – se é que chega a esse número. E vamos combinar que isso está bem longe de ser mainstream.

Ah, e esse vídeo prova minha teoria de que se os Hermanos lançarem, em grupo ou em carreira solo, um disco composto todo por peidos um monte de gente vai achar genial.

P.S.: Pelas primeiras ouvidas, esse disco do Oasis me parece um disco que o Supergrass poderia ter lançado após o Road To Rouen. O que é um puta elogio.

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