Archive for outubro \28\UTC 2008

Os shows do ano (até agora)

outubro 28, 2008

A Marina vive me cobrando pra atualizar a minha listinha de melhores shows do ano. Findo o Tim Festival, acho que já dá pra fazeruma outra boa prévia. O Terra e o R.E.M. devem provocar mudanças nos internacionais, mas a nacional vai precisar de boas surpresas, já que dificilmente algum show vá superar os cinco citados. Nunca se sabe, porém…

SHOWS NACIONAIS


1 – Móveis Coloniais de Acaju, no Inferno


2 – Fernanda Takai, no Sesc Pinheiros


3 – Do Amor, no Studio SP


4 – Cérebro Eletrônico, no Calango


5 – Los Porongas, no CCSP

SHOWS INTERNACIONAIS


1 – Rufus Wainwright, no Via Funchal


2 – Gogol Bordello, no Tim


3 – Josh Rouse, no Sesc Vila Mariana


4 – The National, no Tim


5 – Klaxons, no Tim

Fotos: Helena Nacinovic (Móveis, National, Klaxons), Liliane Callegari (Fernanda Takai, Los Porongas, Josh Rouse), Ligia Helena (Rufus), Tiago Agostini (Do Amor), Divulgação Tim (Gogol)

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Pareço Virtual

outubro 23, 2008

O Cérebro Eletrônico lança para download gratuito um EP especial, Pareço Virtual, com oito músicas: quatro do CD Pareço Moderno, uma versão ao vivo e os três remixes que estão na edição digipack do álbum. Dá para baixar aqui. Só o remix do Guab para a faixa título já vale o download. Aqui a minha resenha do Pareço Moderno.

Ela não quer calar

outubro 23, 2008

Voltei ontem do show do Kanye West na segunda noite do Tim Festival com uma dúvida: quem está errado, eu ou o mundo? Assim que eu tiver tempo (a semana tá corrida pacas) eu falo sobre.

“So please don’t kiss another girl”

outubro 14, 2008

A noite era de gala, afinal, era a última gravação do DVD que Mallu Magalhães está preparando desde o início do ano. Para não deixar dúvidas, a protagonista entra no palco com um vestido preto longo, sóbrio, uma gravatinha borboleta e uma cartola. Bem diferente das roupas quadriculadas e de brechó que a acompanham desde o início da carreira, em janeiro deste ano. Um dos primeiros sinais das mudanças do maior fenômeno da música indie nacional em 2008.

Faz menos de um ano, mas Mallu evoluiu bastante. Dos primeiros shows, em janeiro e fevereiro, a timidez que ela ainda deixa transparecer nas entrevistas foi sumindo aos poucos em cima do palco. Primeiro a postura – agora ela canta em pé e encarando a platéia, ao contrário dos shows sentados e com cabeça baixa, atrapalhando um pouco a saída da voz. E também a interação. Na hora de falar com o público não há espaço para aquela menina lacônica que aparece nos vídeos. Mallu está mais à vontade no palco, resultado de dez meses fazendo diversos shows por todo o Brasil, passando por grandes festivais independentes e enfrentando o público de diversos lugares.

Na voz os efeitos também são perceptíveis. Apesar de ainda escorregar e dar umas pequenas desafinadas em alguns momentos, ela achou seu jeito de cantar. Isso fica claro na última música do show, a cover de “Folsom Prison Blues”, em que Mallu deixa de tentar interpretar a música da mesma maneira que o original e canta com falsetes, adaptando os agudos a suas limitações. Resultado 100% melhor do que o do início, quando Johnny Cash devia se revirar no túmulo ao ouvi-la cantar.

Tocando para um público formado por adolescentes e seus pais em um bar de um bairro nobre de São Paulo, onde era possível se distinguir os perfumes das pessoas ao invés de se infestar com cheiro de cigarro – um cenário atípico para os padrões indies – Mallu apresentou um repertório variado, não se prendendo apenas ao folk que lhe deu a fama. E talvez seja esse o grande erro de Mallu. Ao tentar atacar de diva ou ao apresentar uma música recém-composta bem influenciada pelo trabalho de Marcelo Camelo (ela participou do primeiro disco solo dele, Sou, na música “Janta”) ela comprova que seu talento está em criar melodias folks doces e suaves ao violão – qualquer coisa fora disso soa forçado. Entre os destaques do repertório, além dos sucessos “Tchubaruba” e “J1” – cantados timidamente pela platéia – a bela balada “Sualk”, com direito a solo de guitarra farofa e dancinha graciosa de Mallu à bailarina.

Apesar da enorme evolução, ainda faltam alguns detalhes para Mallu atingir uma performance plena. Em vários momentos ela começa a dançar no palco, alonga uma sílaba e você fica torcendo para ela se soltar mais, e ela pára exatamente quando está quase chegando no momento certo da entrega no palco. Coisas que se adquirem com experiência – e que ela tem muito tempo para alcançar. Até o momento ela soube evoluir, e é de se esperar que o DVD, gravado em vários shows desde fevereiro, mostre esses momentos diferentes. Talento e potencial ela sempre demonstrou.

Fotos de divulgação

Três nerds no rock

outubro 14, 2008


O Young Knives é formado por três tiozinhos nerds ingleses que, a maioria das pessoas, deve imaginar em qualquer lugar menos em cima de um palco. Henry Dartnall, guitarra, poderia muito bem ser personagem de um episódio de Mr. Bean; Thomas “House of Lords” Dartnall, baixo, é uma versão do Bill Gates mais gordinho que poderia ser um personagem do The Office; e Oliver Askew, bateria, poderia estrelar um seriado policial americano dos anos 70. Mas, mesmo contrariando este visual, em cima do palco eles fazem um show bem competente.

Mais pós-punk ao vivo do que em disco, a sonoridade do trio é algo entre o Devo e o Gang Of Four, com baixo reto e quadrado e privilegiando os riffs secos de guitarra, mas que em alguns poucos momentos mais melódicos lembra um pouco o Supergrass do primeiro disco. Se mexendo o tempo todo – derrubaram o pedestal do microfone duas vezes – eles tem uma ótima presença de palco, com dancinhas nervosas e desengonçadas como bem compete a pseudo-nerds como eles.

O público era pequeno, mas razoável se considerarmos uma quarta-feira fria em São Paulo e que o show é de uma banda indie não tão conhecida no país. Mesmo assim, a vibração era boa, com meninas se jogando perto do palco e alguns poucos cantando as músicas. Os pontos altos foram justamente as músicas mais melódicas, como “Up All Night” e “She’Attracted To”.

Parte do projeto Incubator que deve fazer um intercâmbio de bandas inglesas com o Brasil, a noite ainda teve o show folk-intimista de Johny Flynn, que, apesar de suas canções singelas, chamou mais atenção pela aparência e pelo frisson que causou entre algumas meninas. Dois shows divertidos que sofreram um pouco por acontecerem em um segundo semestre lotado de shows e festivais. Mas um projeto que, certamente, deve garantir novos bons momentos para São Paulo, assim como o semelhante entre Brasil e Suécia.

Fotos de HelenaN

Ela voltou

outubro 11, 2008

Pois bem, meu povo, eis que Britney Spears lançou seu mais novo clipe e, bem, dá para babar bastante com a loira. Ela aparece nua em uma sauna e bancando a dominadora com todos os looks possíveis – loira, morena, ruiva. Um espetáculo. Ah, a música, bem, não é o melhor que Britney já fez – Toxic toma este posto – mas é um desses pops dançantes que vão pegar, de uma forma ou de outra. Ela está, definitivamente, de volta ao jogo.

“Dê amor, dê paixão”

outubro 5, 2008

Depois da redescoberta dos Mutantes pelo público brasileiro no começo da década, de Caetano Veloso virar indie e lançar um dos melhores discos de rock de 2006 e de Paulo César Araújo fazer uma nova leitura sobre os cantores bregas dos anos 70 e biografar Roberto Carlos, nada mais natural do que o lançamento de Pareço Moderno, segundo disco dos paulistas do Cérebro Eletrônico. Porque, de alguma forma, cada um destes elementos citados anteriormente fazem parte central da formação e equação sonora da banda.

Formado por Tatá Aeroplano (voz e barulhos), Fernando Maranho (guitarra), Isidoro Cobra (baixo), Dudu Tsuda (teclado) e Gustavo Souza (bateria), o Cérebro é resultado de uma mistura de pessoas com diversos projetos musicais paralelos. O mais famoso e emblemático deles é o Jumbo Elektro – os cinco participam da banda. Essa experiência é a que acrescenta o outro elemento na sonoridade do Cérebro, o pop, tão presente nas músicas do Jumbo, que dá o toque final, principalmente na presença de palco da banda.

Falando desta maneira, o Cérebro poderia ser considerado apenas mais uma das diversas bandas atuais que misturam rock com elementos regionais, do brega e da MPB. A lista, só para ficar em nomes de destaque em 2008, é grande – Do Amor, Curumin, Wado, Marcelo Camelo, sem contar Móveis Coloniais de Acaju, Charme Chulo e o Cidadão Instigado. Cidadão que, aliás, talvez seja a banda que mais se aproxima do Cérebro quanto à proposta de flerte com o brega. Contudo, enquanto a banda de Fernando Catatau explora outras sonoridades regionais – principalmente do norte – o Cérebro foca em um romantismo e melodias bem construídas como nenhuma outra banda tem feito nos últimos anos.

Pareço Moderno, segundo disco da banda, tem um clima lúdico e intenso, que facilmente prende a atenção. A belíssima balada que dá nome ao disco e narra as desventuras de um apaixonado que tenta ser indiferente à amada mas acaba sofrendo em silêncio é um bom exemplo. Com apenas três acordes e uma estrutura rítmica simples, ela vai ganhando força até irromper no refrão, quando você se pega gritando do fundo do peito os versos como se fossem seus. A música escancara, na letra, duas influências diretas da banda – Roberto Carlos e Sérgio Sampaio – e encarna no nome o grande paradoxo da banda: apesar dos barulinhos tecnológicos o som é totalmente retrô.

O clima continua com o ótimo no hino sexual “Dê” e seu ritmo crescente, a crítica à modernidade “Dominó Tecnológico” e ao meio rock brasileiro dos anos 80 “Me Atirar na Orgia”. O disco termina em ritmo mais calmo, com a quase bossa de “Talentoso”, de autoria de Júpiter Maçã, e a balada “Sérgio Sampaio, Volta”, mais do que uma homenagem ao ídolo uma canção de amor perdido. Tudo pontuado pelas letras simples e diretas de Tatá. Apenas “Mar Morro” e “Portal dos Sonhos”, justamente as mais MPBísticas, deixam um pouco a desejar.

Com este disco, o Cérebro Eletrônico se torna o maior candidato a ocupar a vaga deixada pelo Los Hermanos no cenário nacional. Parecidas na atenção dispensada às melodias, as bandas se distanciam nas influências do passado em que cada uma bebe. Até por força de geografia, os cariocas do Los Hermanos reeditam o samba e os paulistas do Cérebro reprocessam a Tropicália que se formou mesmo em São Paulo. E com a principal diferença de que os Hermanos sempre tiveram aquela postura blasé e toda festa promovida em seus shows vinha da platéia, com a banda respondendo à empolgação do público. No Cérebro a diversão é proporcionada pela banda, dos primeiros acordes aos pulos de Tatá no palco.

O remix de Guab para “Pareço Moderno” que acompanha a caprichada edição do CD em digipack – com faixa interativa com fotos, histórias das músicas, letras e biografias dos integrantes –  apesar de óbvio faz todo o sentido. Ao terminar a canção com o grande sucesso de Sérgio Sampaio, “Eu Quero é Botar Meu Bloco na Rua”, ele resume bem a intenção do quinteto. A festa está apenas começando.