Archive for novembro \30\UTC 2008

“All that is left is all that I hide”

novembro 30, 2008

É o indie invadindo a Globo. No teaser da mini-série Capitu, baseada no livro Dom Casmurro, de Machado de Assis, a primeira música é da sensacional banda de folk com ritmos do leste europeu Beirut. Liderada por Zach Condon, a banda já lançou dois álbuns, Gulag Orkestar e The Flying Club Cup, que transbordam lirismo e beleza. Trompetista de mão cheia, Condon cria arranjos belíssimos e melodias tão doces quanto envolventes. Qualquer música da banda dá uma vontade irresistível de tomar a pessoa amada nos braços e sair rodando pela sala, em um rompante de dança que pode durar horas e horas sem cansar. As harmonias singelas tem o dom de elevar o espírito a outros níveis, enchendo de uma calma sem fim. É uma dessas bandas que fazem você ter esperança de que algo novo e surpreendente pode ser feito.

Abaixo, o teaser da série (que estréia dia 9 de dezembro) e o lindo clipe de “Elephant Gun”, a música do Beirut nele.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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Duas músicas novas

novembro 29, 2008

Bem, a primeira nem é tão nova assim. É o single de abril do Wonkavision, “Paranóia“. Eu já tinha falado de outra música deles, “Ímpar Perfeito”, aqui. “Paranóia” tem uma das melhores linhas de baixo da banda, que junto com o teclado frenético do refrão vai envolvendo o ouvinte de uma maneira toda particular. Dá pra baixar aqui, ou então ouve no player abaixo.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

A outra é “Você Já Teve Mais Cabelo”, dos curitibanos da Poléxia, uma das minhas bandas nacionais mais queridas. A música vai estar no próximo CD da banda e foi produzida pelo John, do Pato Fu, que fez dela um hit pop cheio de frescor, bem redondinho. Impossível não gostar. E o clipe é muito bom.

Vá lá, só mais uma da Poléxia, porque essa letra é muito boa. (Desconsiderem as imagens toscas, é que as versões ao vivo da música tavam bem ruins)

“This mess we’re in”

novembro 29, 2008

PJ Harvey pode salvar noites. E essa música também entra aqui porque, enfim, é um dueto com o Thom Yorke e semana que vem começam a vender os ingressos pro Radiohead.

“I got a hurricane inside my veins”

novembro 28, 2008

A provável música do ano.

Mera coincidência?

novembro 28, 2008

O Marcus Preto fez uma entrevista com a Mallu para a Época. Uma das coisas que dá para notar é que, bem, a Mallu não sabe bem o que quer nem o que sempre quis – numa hora ela diz que sempre sonhou em fugir com o circo, noutra em ser veterinária, noutra ser jornalista e noutra que sempre se viu no mundo artístico, como hoje. E o mais engraçado é que bem hoje o Forastieri colocou no blog dele sua famosa resenha sobre o show da Angélica para Bizz. Veja só, Angélica tinha 16 anos à época, assim como Mallu hoje. E eu fico pensando: será que alguém não podia escrever um texto neste estilo para nossa garota prodígio do folk? Eu juro que pensei em fazer isso quando falei sobre o ultimo show de gravação do DVD mas, bem, eu não sou tão bom.

Abaixo, o texto do Forasta, que está com um blog muito foda.

Querida Angélica:

Fui ver o show que você fez lá no Projeto SP.

Tenho que confessar que nunca tinha visto um show seu, nem ouvi seus discos. Nem o Clube da Criança eu vejo, porque eu trabalho e não dá tempo e além disso eu não gosto nem dos desenhos que você passa e nem do Jaspion.

Sabe por que eu fui ver o seu show? Porque eu sou jornalista. Escrevo sobre música e portanto todo mundo que vende muito e está se tornando uma estrela me interessa. Também fui ver seu show porque nunca entendi bem a razão do seu sucesso. Você é bonita, mas não é sexy. Não sabe cantar – sem ofensa, é só uma constatação. Tua voz é pequenininha, nas gravações ela é sempre multiplicada e melhorada. Eu ouço música para caramba, lembra, reconheço uma voz tratada quando ouço uma. Você também não dança muito bem – apesar de pular bastante como uma menininha. Aliás você fala como uma menininha, faz caretas e tudo como se fosse uma piveta.

Só que você não é, né? Você já tem dezesseis anos. O John Lennon já tinha uma banda com essa idade. O Sid Vicious entrou para os Sex Pistols com dezessete. Os caras do De La Soul são pouco mais velhos que isso. Eu quando tinha dezesseis anos matava aula com meus amigos repetentes para ouvir Clash. A coisa que eu mais queria era crescer e virar dono do meu nariz o mais rápido possível. Você parece encanar que é uma versão loirinha do Peter Pan, que não queria crescer.

Aí eu estava sentado lá no Projeto SP e fiquei pensando sobre você, o seu sucesso e o seu show. Não gostei muito dele, não, achei que faltava ritmo – pô, toda hora tinha interrupções para você falar com as crianças e cada vez que você ia trocar de roupa demorava um tempão e aquele cara vestido de macaco eu achei muito metido a gostosão e pentelho.

Do que mais eu não gostei? Daquele cenário com umas rosas vermelhas, era muito brega. A iluminação era legal e o playback estava bem gravado, as suas músicas são super bem arranjadas, bem pop, lembram um pouco o que aqueles produtores ingleses da Kylie Minogue fazem. Também gostei das suas roupas, principalmente daquele conjuntinho de couro preto e PVC, com as meias de rede e a capa vermelha. Só não entendi por que você escolheu ele para cantar aquela versão de “if”, que eu não ouvia desde os tempos de bailinho. Também adorei aquele momento anos 50, você de peruca bolo-de-noiva e vestidinho branco (sem sutiã por baixo, notei, mas não se preocupe que não dava para ver nada).

O principal problema do teu show, das tuas músicas e da tua imagem, Angélica, é que esse charme infantil vai durar muito pouco. Em três anos você já vai ser uma mulherona, e não tem nada mais ridículo que gente grande fazendo beicinho. No seu estágio atual, você está fazendo sucesso porque é bem moderna – no sentido que o Milli Vanillí é moderno. Mas, se você quiser que sua carreira tenha um futuro, tem de tomar umas providências.

Primeiro, aprenda a cantar – se a Madonna conseguiu, você também consegue. É o que a Patrícia, que é esperta, fez. Dois, pára de trabalhar tanto e vive um pouco. Sei que você tem uma empresa para sustentar, mas invista um pouco no teu lazer senão você acaba maluca e vazia que nem o Michael Jackson.

E três, que tal se apaixonar logo? Agarra o primeiro menino que te interessar e arrasta ele para a cama. Sem experiência não se chega a lugar nenhum – e isso incluí e exige experiência sexual e afetiva. Nada como apanhar um pouco da vida para perder o excesso de açúcar. Se você cair na vida, pode muito bem se tornar uma estrela pop de primeira. Se insistir em ser criança para sempre, vai passar como passam todas as modas. Boa sorte e beijos do teu possível futuro fã,

ANDRÉ FORASTIERI

(Bizz, 1990)

O melhor do SP Noise

novembro 24, 2008

3053909733_6271c59721_oAmber Webber, vocalista do Black Mountain, com o casaquinho e as maracas (Foto de HelenaN)

3049480705_030d575ebbE sem o casaquinho e com o pandeiro (Foto de Liliane Callegari)

Corre, antes que acabe

novembro 24, 2008

Bruce Springsteen, The Boss, colocou para download gratuito seu novo single aqui. É só clicar ali na parte do download e ser feliz. Musiquinha mais no climão country-folk do Seeger Session’s.  O disco novo sai no final de janeiro.

“Can you hear me Major Tom?”

novembro 24, 2008

Aí estou eu assistindo Friends hoje e vejo uma cena em que o Joey canta a minha música favorita do Bowie. Bem engraçado.

E tem um episódio em que o Chandler canta a mesma música.

E, para comparar, o próprio Bowie cantando.

De brinde, Chandler com o coração despedaçado cantando Lionel Rithie. Impagável.

Olha ali, sou eu

novembro 16, 2008

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Tem dois textinhos meus (um sobre a Relespública e outro sobre o novo disco do Móveis Coloniais de Acaju) na edição de novembro da Rolling Stone. Corre lá comprar. De quebra você ainda tem uma matéria enorme com a Madonna (e uma prévia do show que vem pro Brasil, a partir do relato do editor Ademir Correa, fã da moça, sobre um show em Chicago) e uma ótima entrevista com o Michael Stipe, publicada em 1992, no auge do sucesso do R.E.M.

E tem a minha cobertura do Planeta Terra, pro Mondo Bacana, escrita a quatro mãos com o Abonico. Toda a minha ranzinzice tá lá, apesar de eu ter pegado leve com algumas coisas – Animal Collective e o Bloc Party, principalmente.

Beirando a perfeição

novembro 13, 2008

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Michael Stipe disse, em entrevista para a Rolling Stone americana em março de 92, que seu maior medo era que o R.E.M. se tornasse “uma dessas bandas bestas que entram em sua segunda década de vida sem perceber o quão ruim são e a hora certa de parar”. No dia 10 de novembro de 2008, ao entrar no palco do Via Funchal, em São Paulo, o vocalista, Peter Buck (guitarra) e Mike Mills (baixo) ostentavam 28 anos de carreira e, nas primeiras notas de “Living Well Is The Best Revenge”, do álbum Accelerate, lançado este ano, ficava claro que o R.E.M. continua sendo uma das maiores e mais relevantes bandas de rock do mundo.

Em cima do palco a banda não aparenta ter todo este tempo de estrada. Com a espontaneidade e a felicidade natural de três novatos vão executando, cada um à sua maneira, as poderosas canções que acumularam ao longo de tanto tempo. Mills é o que parece mais menino dos três. Sustenta com vigor as linhas de baixo, sempre com um sorriso enorme no rosto. Buck, mais contido, dedilha sua guitarra de forma econômica, provando que um grande guitarrista não precisa fazer enormes solos – apesar de mostrar que também os sabe fazer em “She Just Wants To Be”.

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Stipe, particularmente, se diverte como um dos grandes frontmans do rock. Corre, pula, dança, rebola como a Shakira, conversa com a platéia, comanda o balançar de mãos coletivo em “Drive” com elegância. E ainda faz discurso em prol da Anistia Internacional, reverencia o presidente americano recém-eleito Barack Obama e até pede palmas para a atração de abertura, Wilson Sideral, sem soar caricato, como o mais famoso dos ativistas do mundo rock, Bono Vox.

Não há canções ruins nas duas apresentações que o R.E.M fez em São Paulo – e olha que foram 35 diferentes, ao todo. Na verdade, não há canções nem medianas no show. Mesmo as músicas do álbum mais recente, que geralmente são pontos fracos de bandas veteranas, surgem poderosas e com qualidade – destaque para a já citada “Living Well Is The Best Revenge”, “Supernatural Superserious” e “Hollow Man”. Há os clássicos que fazem o chão tremer – como “Losing My Religion”, “It’s The End Of The World (As We Know It)”, “Man On The Moon”, “The One I Love” e “Imitation Of Life” – e os que fazem chorar – a balada arrasa quarteirões “Everybody Hurts” e “Nightswimming” -, além de momentos singulares como quando eles se juntam em círculo para tocar “Let Me In” de forma acústica. Prova de que o R.E.M. talvez seja a super banda de rock que melhor e com mais dignidade envelheceu.

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Todo esse preâmbulo é para tentar expressar o quão próximo da perfeição foram os shows em São Paulo. Pegue todos os shows dos festivais Planeta Terra e Tim juntos e você não chegará perto do que foram as apresentações do R.E.M.. Um desses shows para ser um dos melhores – se não o melhor – de toda uma vida. Pena que deixa um gostinho de querer continuar a ver apresentações tão boas quanto, e saber que isso será difícil. Mas, bem, pelo menos agora parece que realmente em março o Radiohead vem aí.

Fotos: AgNews

P.S.: Vale MUITO a pena ler o texto que o Mac fez sobre os shows. Clica aqui. Sou fã =)