Beirando a perfeição

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Michael Stipe disse, em entrevista para a Rolling Stone americana em março de 92, que seu maior medo era que o R.E.M. se tornasse “uma dessas bandas bestas que entram em sua segunda década de vida sem perceber o quão ruim são e a hora certa de parar”. No dia 10 de novembro de 2008, ao entrar no palco do Via Funchal, em São Paulo, o vocalista, Peter Buck (guitarra) e Mike Mills (baixo) ostentavam 28 anos de carreira e, nas primeiras notas de “Living Well Is The Best Revenge”, do álbum Accelerate, lançado este ano, ficava claro que o R.E.M. continua sendo uma das maiores e mais relevantes bandas de rock do mundo.

Em cima do palco a banda não aparenta ter todo este tempo de estrada. Com a espontaneidade e a felicidade natural de três novatos vão executando, cada um à sua maneira, as poderosas canções que acumularam ao longo de tanto tempo. Mills é o que parece mais menino dos três. Sustenta com vigor as linhas de baixo, sempre com um sorriso enorme no rosto. Buck, mais contido, dedilha sua guitarra de forma econômica, provando que um grande guitarrista não precisa fazer enormes solos – apesar de mostrar que também os sabe fazer em “She Just Wants To Be”.

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Stipe, particularmente, se diverte como um dos grandes frontmans do rock. Corre, pula, dança, rebola como a Shakira, conversa com a platéia, comanda o balançar de mãos coletivo em “Drive” com elegância. E ainda faz discurso em prol da Anistia Internacional, reverencia o presidente americano recém-eleito Barack Obama e até pede palmas para a atração de abertura, Wilson Sideral, sem soar caricato, como o mais famoso dos ativistas do mundo rock, Bono Vox.

Não há canções ruins nas duas apresentações que o R.E.M fez em São Paulo – e olha que foram 35 diferentes, ao todo. Na verdade, não há canções nem medianas no show. Mesmo as músicas do álbum mais recente, que geralmente são pontos fracos de bandas veteranas, surgem poderosas e com qualidade – destaque para a já citada “Living Well Is The Best Revenge”, “Supernatural Superserious” e “Hollow Man”. Há os clássicos que fazem o chão tremer – como “Losing My Religion”, “It’s The End Of The World (As We Know It)”, “Man On The Moon”, “The One I Love” e “Imitation Of Life” – e os que fazem chorar – a balada arrasa quarteirões “Everybody Hurts” e “Nightswimming” -, além de momentos singulares como quando eles se juntam em círculo para tocar “Let Me In” de forma acústica. Prova de que o R.E.M. talvez seja a super banda de rock que melhor e com mais dignidade envelheceu.

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Todo esse preâmbulo é para tentar expressar o quão próximo da perfeição foram os shows em São Paulo. Pegue todos os shows dos festivais Planeta Terra e Tim juntos e você não chegará perto do que foram as apresentações do R.E.M.. Um desses shows para ser um dos melhores – se não o melhor – de toda uma vida. Pena que deixa um gostinho de querer continuar a ver apresentações tão boas quanto, e saber que isso será difícil. Mas, bem, pelo menos agora parece que realmente em março o Radiohead vem aí.

Fotos: AgNews

P.S.: Vale MUITO a pena ler o texto que o Mac fez sobre os shows. Clica aqui. Sou fã =)

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