Mera coincidência?

O Marcus Preto fez uma entrevista com a Mallu para a Época. Uma das coisas que dá para notar é que, bem, a Mallu não sabe bem o que quer nem o que sempre quis – numa hora ela diz que sempre sonhou em fugir com o circo, noutra em ser veterinária, noutra ser jornalista e noutra que sempre se viu no mundo artístico, como hoje. E o mais engraçado é que bem hoje o Forastieri colocou no blog dele sua famosa resenha sobre o show da Angélica para Bizz. Veja só, Angélica tinha 16 anos à época, assim como Mallu hoje. E eu fico pensando: será que alguém não podia escrever um texto neste estilo para nossa garota prodígio do folk? Eu juro que pensei em fazer isso quando falei sobre o ultimo show de gravação do DVD mas, bem, eu não sou tão bom.

Abaixo, o texto do Forasta, que está com um blog muito foda.

Querida Angélica:

Fui ver o show que você fez lá no Projeto SP.

Tenho que confessar que nunca tinha visto um show seu, nem ouvi seus discos. Nem o Clube da Criança eu vejo, porque eu trabalho e não dá tempo e além disso eu não gosto nem dos desenhos que você passa e nem do Jaspion.

Sabe por que eu fui ver o seu show? Porque eu sou jornalista. Escrevo sobre música e portanto todo mundo que vende muito e está se tornando uma estrela me interessa. Também fui ver seu show porque nunca entendi bem a razão do seu sucesso. Você é bonita, mas não é sexy. Não sabe cantar – sem ofensa, é só uma constatação. Tua voz é pequenininha, nas gravações ela é sempre multiplicada e melhorada. Eu ouço música para caramba, lembra, reconheço uma voz tratada quando ouço uma. Você também não dança muito bem – apesar de pular bastante como uma menininha. Aliás você fala como uma menininha, faz caretas e tudo como se fosse uma piveta.

Só que você não é, né? Você já tem dezesseis anos. O John Lennon já tinha uma banda com essa idade. O Sid Vicious entrou para os Sex Pistols com dezessete. Os caras do De La Soul são pouco mais velhos que isso. Eu quando tinha dezesseis anos matava aula com meus amigos repetentes para ouvir Clash. A coisa que eu mais queria era crescer e virar dono do meu nariz o mais rápido possível. Você parece encanar que é uma versão loirinha do Peter Pan, que não queria crescer.

Aí eu estava sentado lá no Projeto SP e fiquei pensando sobre você, o seu sucesso e o seu show. Não gostei muito dele, não, achei que faltava ritmo – pô, toda hora tinha interrupções para você falar com as crianças e cada vez que você ia trocar de roupa demorava um tempão e aquele cara vestido de macaco eu achei muito metido a gostosão e pentelho.

Do que mais eu não gostei? Daquele cenário com umas rosas vermelhas, era muito brega. A iluminação era legal e o playback estava bem gravado, as suas músicas são super bem arranjadas, bem pop, lembram um pouco o que aqueles produtores ingleses da Kylie Minogue fazem. Também gostei das suas roupas, principalmente daquele conjuntinho de couro preto e PVC, com as meias de rede e a capa vermelha. Só não entendi por que você escolheu ele para cantar aquela versão de “if”, que eu não ouvia desde os tempos de bailinho. Também adorei aquele momento anos 50, você de peruca bolo-de-noiva e vestidinho branco (sem sutiã por baixo, notei, mas não se preocupe que não dava para ver nada).

O principal problema do teu show, das tuas músicas e da tua imagem, Angélica, é que esse charme infantil vai durar muito pouco. Em três anos você já vai ser uma mulherona, e não tem nada mais ridículo que gente grande fazendo beicinho. No seu estágio atual, você está fazendo sucesso porque é bem moderna – no sentido que o Milli Vanillí é moderno. Mas, se você quiser que sua carreira tenha um futuro, tem de tomar umas providências.

Primeiro, aprenda a cantar – se a Madonna conseguiu, você também consegue. É o que a Patrícia, que é esperta, fez. Dois, pára de trabalhar tanto e vive um pouco. Sei que você tem uma empresa para sustentar, mas invista um pouco no teu lazer senão você acaba maluca e vazia que nem o Michael Jackson.

E três, que tal se apaixonar logo? Agarra o primeiro menino que te interessar e arrasta ele para a cama. Sem experiência não se chega a lugar nenhum – e isso incluí e exige experiência sexual e afetiva. Nada como apanhar um pouco da vida para perder o excesso de açúcar. Se você cair na vida, pode muito bem se tornar uma estrela pop de primeira. Se insistir em ser criança para sempre, vai passar como passam todas as modas. Boa sorte e beijos do teu possível futuro fã,

ANDRÉ FORASTIERI

(Bizz, 1990)

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