Archive for dezembro \29\UTC 2008

Os melhores shows nacionais de 2008

dezembro 29, 2008

Se teve uma coisa que eu aproveitei em São Paulo em 2008 foi a possibilidade de ver shows, tanto nacionais como internacionais. Nos primeiros meses foram vários. Toda vez que uma banda que eu gostava ia tocar eu precisava ir, como se fosse a última vez que eu pudesse vê-los. Era um pouco da mentalidade de Floripa ainda, já que lá quase nunca tem show decente para assistir. Depois de um tempo fui percebendo que, enfim, se eu não visse banda X hoje eu poderia esperar e ver daqui um mês, porque provavelmente eles tocariam de novo.

Assim, tem muito show dessa lista que é do começo do ano. Na verdade, até ontem os três primeiros lugares eram ocupados por apresentações que eu tinha visto até abril. Mas o que o Pato Fu apresentou no Sesc Pompéia foi digno de nota. E ai, bem, não dá pra fazer nada se o show da Fernanda Takai já estava entre os melhores.

Como foi um ano muito bom, não consegui fazer um Top 5. Seguem então os 10 melhores shows nacionais que eu vi este ano (os internacionais vêm em outro post).

MELHOR SHOW NACIONAL

2393648967_a664ea6a75_oCrédito: Helena Nacinovic

1 – Móveis Coloniais de Acaju (Inferno): Provavelmente o show em que eu mais pulei, gritei, dancei em 2008. A performance deles em cima do palco é algo indescritível. Sintonia e interação total com o público. O melhor show do Brasil na atualidade.

3145498237_1b7f1294e1Crédito: Liliane Callegari

2 – Pato Fu (Teatro Sesc Pompéia): Junte um punhado de clássicos (“Sobre o tempo”, “Eu”, “Antes que seja tarde”, “Depois”), um punhado de canções perfeitas (“Spoc”, “30.000 pés”, “Mamãe ama meu revólver”, “Imperfeito”, “Anormal”, “Uh, uh, uh, la, la, la, ie, ie”), uma banda instrumentalmente irrepreensível (o que é o Xande tocando bateria) e a cantora mais simpática do Brasil (vê se aprende com a Fernanda, Mallu). Tem como esse show ser ruim?

3 – Fernanda Takai (Sesc Pinheiros): Eu nem gosto muito de Bossa Nova, mas o que Fernandinha fez com as canções de Nara Leão é algo digno de nota. Fora todo o carisma da mineira. As covers bem encaixadas dão um molho especial ao espetáculo.

4 – Do Amor (Studio SP): Devo ter assistido uns 12 shows deles este ano, mas os que aconteceram no antigo Studio SP são insuperáveis. Basta o primeiro acorde para os cariocas transformarem o ambiente em um constante carnaval.

5 – Cérebro Eletrônico (Calango): É uma pena que o show do Tim tenha tido diversos problemas, porque a atmosfera de festa em que Tatá consegue transformar o palco é algo reconfortante. Ouvir canções como De e Pareço Moderno me fez sentir em casa mesmo em Cuiabá.

6 – Del Rey (Studio SP): Fato: cantar Detalhes bêbado e abraçado com os amigos foi uma das coisas mais legais deste ano. A banda reúne a nata do repertório de Robertão e, bem, só isso já faz de qualquer show um clássico.

2503584679_3b801fb7a9Crédito Helena Nacinovic

7 – Wander Wildner (CB): Eu sempre digo que todo mundo deveria cantar “Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro” berrando uma vez na vida pelo menos. Mais uma vez a presença dos amigos tornou um show bom em memorável.

8 – Los Porongas (CCSP): As boas canções da banda crescem muito ao vivo com a cozinha precisa e principalmente com a entrega que o vocalista Diogo interpreta as músicas, parecendo que tira cada sílaba do fundo do peito.

9 – Wado (Teatro Sesc Pompéia): Simples, quase sem guitarra, despojado como seu último disco, Wado economiza nos movimentos e arranjos para mostrar porque é um dos maiores talentos da nova geração.

10 – Os Pistoleiros (Célula): A melhor banda de folk brasileira de todos os tempos em uma apresentação única depois de anos separados.

Uma pequena menção honrosa ao show mais divertido do ano, que foi de um tal de Francis Brungel (acho que é assim que se escreve), no HSBC Brasil. Uma apresentação que começa com um monte de dançarinas, tem participação do Sérgio Reis e termina com a bateria da Gaviões da Fiel não pode ser menos do que memorável. Ou uma experiência antropológica. E ainda ficaram de fora o Los Pirata, Curumin, Ecos Falsos, Autoramas, Vanguart, Macaco Bong, Pata de Elefante, Mallu Magalhães, Ludov, Cabruera, Orquestra Imperial, Superguidis, Nina Becker…

Anúncios

As melhores músicas de 2008

dezembro 26, 2008

Eu tô quase fechando minha lista completa dos melhores do ano, mas ainda falta algumas coisinhas – por exemplo, os shows nacionais estão praticamente definidos, mas ainda pode rolar de eu assistir o Pato Fu no domingo, então não posso fechar a lista por completo. Enquanto isso, lá vai a de melhores músicas.

NACIONAL


1 – “Pareço Moderno” – Cérebro Eletrônico


2 – “Magrela Fever” – Curumin


3 – “Meu Coração” – Do Amor


4 – “Fortalece Ai” – Wado


5 – “Ímpar Perfeito” – Wonkavision

INTERNACIONAL


1 – “Soul On Fire” – Spiritualized


2 – “Many Shades Of Black” – The Raconteurs


3 – “Living Well Is The Best Revenge” – R.E.M.


4 – “Kids” – MGMT


5 – “Mr. Maker” – The Kooks

“Do you realize?”

dezembro 24, 2008

Do You Realize – that you have the most beautiful face
Do You Realize – we’re floating in space –
Do You Realize – that happiness makes you cry
Do You Realize – that everyone you know someday will die

And instead of saying all of your goodbyes – let them know
You realize that life goes fast
It’s hard to make the good things last
You realize the sun don’-go down
It’s just an illusion caused by the world spinning round

Do You Realize – Oh – Oh – Oh
Do You Realize – that everyone you know
Someday will die –

And instead of saying all of your goodbyes – let them know
You realize that life goes fast
It’s hard to make the good things last
You realize the sun don’-go down
It’s just an illusion caused by the world spinning round

Do You Realize – that you have the most beautiful face

Feliz Natal a todo mundo 🙂

Sombra e água fresca

dezembro 22, 2008

Estou aqui na casa de mamãe e papai, no interior de Santa Catarina, curtindo um merecido descanso de final de ano. Apesar de estar conectado quase o tempo inteiro, dá uma preguiça de escrever no blog porque, enfim, eu to de folga, pô. Mas eu não podia deixar de comentar aqui o Mapa da Coxinha que a Alê postou no Comidinhas. Coxinha é vida e ponto final (tá bom, menos do que bacon). Dessas eu comi poucas até hoje, mas posso atestar que a do Veloso é qualquer coisa de outro mundo. Acrescento também a do Pão de Açúcar, que só eu devo gostar, mas que tem um grande problema: nem sempre está fresquinha e crocante, o que obviamente compromete o resultado final.

Aqui o link direto para o mapa no Google Maps.

“Prepara uma avenida, que a gente vai passar”

dezembro 14, 2008

Primeiro foi o Zé Flavio que comentou na comunidade da Bizz no Orkut que uma ótima idéia para a abertura dos shows do Radiohead no Brasil seria fazer uma reunião do Los Hermanos.  Como ele bem defendeu, é a única banda brasileira que teria tantos fãs e tanta comoção para o momento e, por mais que você possa odiar o Los Hermanos, seria muito mais digno do que ver um Wilson Sideral, como no show do R.E.M. (apesar que eu cheguei depois do show do mineiro nos dois dias, hehehehe).

Aí você pensa que é improvável pra caramba a reunião, ainda mais agora que o Camelo acabou de lançar o CD solo e o Amarante começou a turnê com o Little Joy. Só que teve um xará meu, que mora em Seattle, nos EUA, que conversou com o Amarante dia desses quando o a banda do hermano com Fabrizio Moretti fez show na cidade berço do grunge. E o barbudinho resolveu contar que a banda deve se encontrar para um show em 2009 e depois entrar em estúdio para gravar um disco novo. Particularmente acho que o show do Radiohead, em março, seria meio cedo para essa reunião, mas não custa nada torcer.

Agora, só um pedido Camelo: quando tiver o show, por favor não chame a Mallu para fazer participação especial.

“Hear the way she talks”

dezembro 14, 2008

Há um tempo eu estou pensando em escrever sobre a dupla de baladas das mulheres malvadas. Não tem nenhum motivo especial é apenas porque as ouvi recentemente e vi a conexão entre elas. E não há como negar que existem mulheres que têm o prazer de despedaçar o coração dos homens, e fazem isso de uma forma tão natural quanto cruel. Tudo bem, as meninas vão me dizer que existem os homens que fazem isso, mas eu não estou pra falar mal da minha raça, hehehehe.

A primeira é “Femme Fatale”, do Velvet Underground, que, bem, pelo nome já diz tudo. É o estereótipo da mulher má, tem o jeito de falar e de andar característicos, o olhar marcante, cheia de meandros. E os amigos tentam avisar sobre ela, mas não adianta, o coração é cego, e de alguma forma você acaba sendo traído pela emoção. Também, quem consegue resistir (ainda mais à Nico sussurando a melodia…)

“Let It Loose” é uma das mais belas baladas dos Stones, se não a mais linda. Só o dedilhado de guitarra inicial já é suficiente para deixar qualquer coração abalado, uma das combinações mais tocantes da história do rock. Balada típica dos Stones, com o tecladão marcado, a batida lenta precisa e o dedilhado inicial que insiste em se repetir durante todo o tempo. Enquanto isso Mick Jagger vai destilando sua voz embriagada falando daquela moça “que está ao seu lado, toda vestida para lhe fazer mal”. Na verdade, ela até é querida, uma boa pessoa, mas dê a ela apenas um mês ou dois para ver o que acontece. Mas, enfim, como resistir se ela faz tudo tão certinho, lhe dá tudo que você espera e precisa no momento certo? Não adianta, resta apenas fechar o punho forte e aguentar firme, com a ajuda do solo de metais intenso.

Falando em Video Hits…

dezembro 8, 2008

Procurando no YouTube achei esse vídeo da banda no Jornal Hoje. Simples, rápido e rasteiro, mas bem significativo do que era o som da banda. Uma das bandas de rock nacional que não existem mais que eu mais gostaria de ter visto ao vivo.

Aqui o grande hit da banda, “(vo)C”

A ótima baladinha “Sobras”

E aqui o post que eu fiz sobre a minha música favorita deles, “Perdido e Meio”.

“Nem assim consegui, chamar a tua atenção”

dezembro 8, 2008

Eu sempre fui fã de músicas que falam de amor ou suas adjacências (sic) de uma forma diferente do que o padrão choroso/meloso. Acho que muito vai do fato de eu ser uma negação para produzir versos ou frases sobre isso que não redundem em todos os clichês famosos, então quando eu vejo algo que é realmente original ou bem sacado eu fico “puta merda, como eu nunca pensei nisso?”. Pequenas frustrações de um romântico inveterado.

Talvez seja por isso que quando o Mac me mostrou o Tubaína do Demônio eu tenha gostado mais de “Nem” do que dos maiores “clássicos” da banda. Explique-se: Tubaína do Demônio é uma banda de São Paulo surgida em 92. Eles tocam rock engraçadinho antes mesmo dos Mamonas e têm uma fixação por cidades do interior do estado, principalmente Birigui. É um fenômeno (se é que podem ser chamados disso) extremamente regional. Mais informações aqui.

“Nem”, a música, tem seu lado engraçadinho, mas que acaba sendo sentimental e fofo. Vai jogando com contrastes para explicar tudo que é menor que o amor que o rapaz sente pela moça. E é nos refrões, onde um título do Bandeirante é citado,  que isso fica mais nítido. Dizer que a festa que uma cidade inteira faria se o clube que nunca ganha nada subisse para  1ª Divisão seria menor que a festa que o rapaz faria se a menina passasse a amá-lo é extremamente significativo (ok, aqui alguém vai vir me dizer que comparações com futebol são esdrúxulas, bizarras e não devem ser válidas, mas pô, só quem gosta de futebol entende o quão importante é o clube do coração ganhar alguma coisa – mas não, eu não sou desses pra quem futebol é tudo na vida, a pessoa amada vem SEMPRE antes, em qualquer circunstância). Abaixo a música e a sua letra.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Nem no céu nem no inferno
Encontrei um amor tão malvado e tão terno
Nem me olha nem me ignora
Você é a mulher que a minha mãe quer ter como nora

Nem bem longe nem encostado
Já nem sei se agüento, vou mudar pra outro lado
Nem Birigui nem Coroados
Lá no Nem vou viver nem que eu me sinta abandonado

Nem se o Bandeirante finalmente fosse campeão
E então subisse pra primeira divisão
Haveria uma festa tão grande quanto a que eu faria
Se conquistasse o seu coração

Nem feliz nem desesperado
Passo os dias à toa te seguindo pra todo lado
Nem no altar nem na minha cama
Só consigo te encontrar lá na Praça Dr. Gama

Nem de moto nem de opalão
Nem assim consegui chamar tua atenção
Nem quando empinei nem quando me esborrachei
Você nem olhou pra mim e uns pinos na perna eu ganhei

Nem se Birigui fosse eleita cidade do ano
E Araçatuba virasse um bairro suburbano
Haveria uma festa tão grande quanto a que eu faria
Se conquistasse seu coração

P.S.: Tem outra música que eu adoro e as pessoas costumam não gostar muito que é “Sentido Anti-Horário”, dos mestres da Video Hits. Quando Diego Medina canta no refrão Irmãos, perdoem este cantor / por amar com tanto ardor / uma moça do caralho / verão que a moça em questão / transformou meu coração / em festa de aniversário dá até um arrepio, de tanta sinceridade e simplicidade que a sentença traz consigo.

“For Emma, Forever Go”

dezembro 5, 2008

bon_iver-for_emma_forever_ago-new

É notório que pés na bunda e corações partidos são uma das grandes – se não a maior – fontes de inspiração para músicos e poetas criarem suas obras. Aquele que por muitos é considerado o primeiro álbum conceitual da história, In The Wee Small Hours, de Frank Sinatra, versa basicamente sobre isso. Um dos grandes poetas da música brasileira, Cartola, era mestre em transformar a dor profunda em lindas canções – “As Rosas Não Falam” talvez seja o melhor exemplo.

Justin Vernon, o americano por trás do projeto Bon Iver, passou por isso recentemente. Fundador da banda indie DeYarmond Edison, ele e seus três colegas resolveram tentar a sorte em Raleigh, na Carolina do Norte. Depois de um ano eles brigaram e Vernon resolveu voltar para casa, em Eau Claire, Wisconsin. O fim de um relacionamento amoroso também colaborou na decisão do retorno. Já em casa, o cantor resolveu passar um tempo isolado em uma propriedade da família no norte do estado. Basicamente queria ficar sozinho para se recuperar de tudo que havia acontecido.

E então, três meses depois, ele apareceu com o material que resultou no disco For Emma, Forever Go. Gravado de forma caseira por Vernon, que tocou todos os instrumentos, o disco apresenta muitas camadas de overdubs, principalmente vocais. Para reproduzir o clima nos shows, o cantor costuma distribuir folhetos com as letras para o público cantar junto – “não quero ser apenas um cara com um violão cantando músicas, porque isso é chato”, ele já declarou.  A idéia inicial de Vernon era mostrar as canções, que ele considerava como demos, para algumas gravadoras e depois regravá-las. Por insistência de amigos ele lançou o disco de forma independente em setembro de 2007, atraindo a atenção da gravadora indie Jagjaguwar, que relançou o disco em fevereiro de 2008, mantendo as versões minimalistas.

Sonoramente o disco é bem despretensioso, simples e rústico – mas, bem, vale lembrar que ele foi gravado em uma casinha no meio do nada. Na verdade, Vernon não precisou mais do que seu violão e um punhado de lindas melodias vocais para criar um dos discos mais lindos lançados na década. Folk no sentido mais calmo do termo, ele vai combinando delicados dedilhados a batidas secas nas cordas do violão, subindo o tom da voz nas melodias conforme elas evoluem, deixando um leve coro mais grave para trás para alcançar agudos solitários no limite da afinação. Acalma e instiga com seus versos majoritariamente curtos que tentam trazer conforto ao cantor mas que, tamanha a intimidade que o disco exala, parecem falar diretamente aos corações de quem o escuta pela primeira vez. São apenas nove músicas, e não é necessário nem um minuto a mais.

For Emma, Forever Go é dessas pequenas jóias que poucos vão ouvir. Vai entrar em algumas listas de melhores de 2008, mas não vai fazer estrago. Amigos vão trocar o MP3 entre si e alguns pretensos profetas vão tentar convencer todos de que ele é a melhor coisa lançada nos últimos anos. O que não deixa de fazer um certo sentido pois, assim como uma canção do Spiritualized ou uma comédia de Woody Allen, ele tem o poder de salvar dias cinzas. E isso já é o bastante.

Para assistir: a versão à capela da canção que dá título ao álbum no La Blogotheque

“I hate this time of year”

dezembro 3, 2008

santafinalfinalkv4

O Gmail do Papai Noel. Via Capitu.