Archive for janeiro \31\UTC 2009

Exercitando a rabugice

janeiro 31, 2009

A tradução literal do nome da banda Little Joy seria pequeno prazer, mas é preferível ficar com a versão meio sacana entreouvida ao final do show do trio (sexteto ao vivo) mezzo americano mezzo brasileiro: joinha. Por que, enfim, o que Rodrigo Amarante, Fabrizio Moretti e Binki Shapiro apresentaram na quinta-feira na Clash, em São Paulo, não pode ser classificado como muito mais do que isso.

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Foto: Marcelo Costa

Resumidamente, ao vivo a banda repete a sensação que se tem ao ouvir o primeiro e único disco gravado por eles: um som bonitinho, aconchegante, agradável, que não incomoda e você pode ficar ouvindo por horas enquanto está conversando com seus amigos na sala de estar. Nas palavras de Rob Fleming, algo que você possa ignorar. Não vai mudar sua vida, mas não custa nada ouvir.

Fato: Rodrigo Amarante e Fabrizio Moretti estavam extremamente animados com seu segundo show em terras paulistas e o terceiro no Brasil. A recepção que a banda teve, além dos ingressos esgotados para três noites de shows em menos de duas horas, davam uma segurança enorme para a dupla apresentar suas canções. Na real, mais do que tudo, a legião de fãs de Los Hermanos que estava presente ao show e entoava cada letra como se fosse uma profecia de Nostradamus era a maior força para essa segurança.

Por que, vamos combinar, o Little Joy só é o que é porque é a banda de um Los Hermanos e um Strokes. Existem, no mínimo, 15 bandas melhores, mais inventivas e inovadoras do que eles no Brasil. Mas a equação música que não ofende + músicos bonitos e “famosos” conseguiu atrair e enganar muita gente. Prova? Em algum momento do show você consegue ver um monte de barbudos e as menininhas paga pau entoando a letra de “Brand New Start” como se fosse a nova “Something”. E, bem, nada contra o Little Joy, mas você já ouviu tudo que eles tocam de uma forma mais original e melhor. A verdade é que esse disco e shows tivessem sido lançados em 64 talvez seriam algo relevante. Mas, pô, estamos em 2009, afinal.

Foi um show curto e suficiente, contando com uma animação com jeito de etílica de Fabrizio. A platéia em alguns momentos ensandecida acabava atrapalhando um pouco quem quisesse acompanhar o show com calma. Talvez em um teatro a apresentação funcionasse melhor. No final, não dava para negar que 90% do público tenha saído satisfeito, apesar do preço extremamente salgado (R$ 60) do ingresso para assistir a uma banda com pouco mais de meia hora de repertório. Um show que pode entrar na classificação bem particular do “diversão ok”. Com o detalhe de que devem ter umas 20 bandas no Brasil que entrem na mesma classificação. Basta não ter preguiça de procura-las.

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“Here comes the fear again”

janeiro 29, 2009

Porque o Jarvis Cocker é muito, muito foda.

Melhores do ano Scream & Yell

janeiro 20, 2009

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Saiu ontem à noite a melhor e mais significativa lista de melhores do ano do Brasil. Eu já sabia de boa parte das parciais mas me surpreendi positivamente com a dobradinha de vencedoras em Melhor Música Nacional – até porque a minha favorita acabou ganhando. Cola aqui e olha o resultado.

“All we hear is”

janeiro 18, 2009

FRAGUEI. Desde a primeira vez que eu ouvi a versão de “Lucid Dreams” do Tonight: Franz Ferdinand eu achei que aquele final com o synths não me eram estranhos. Ontem à noite eu tive o estalo e descobri de onde veio a inspiração Compara ae.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Primeira consideração: esse final de “Lucid Dreams” é FODA. Até eu que não gosto muito de synths e dance adorei.

Segunda consideração: Brandon Flowers tá tentando há anos ser o Queen e o Kapranos, na miúda, sem alarde, faz isso melhor do que todas as tentativas do Flowers. Pra mim a contenda acaba aqui. A melhor banda da geração é mesmo o Franz Ferdinand.

Melhores shows internacionais de 2008

janeiro 17, 2009

Finalmente eu consegui deixar show internacional de fora da minha lista de 5 melhores – nos outros anos eu só assitia 3 ou 4 no ano.


1 – R.E.M. (Via Funchal):
Acho que foi o Paulo Cavalcanti que disse que eles tocam músicas medianas como se fossem mega-hits – e fica convincente e natural. Melhor show da minha vida até hoje.


2 – Rufus Wainwright (Via Funchal):
Duas horas que passaram tão rápido quanto dois minutos. Sublime ao piano, o cantor arrancou lágrimas da platéia em diversos momentos.


3 – Gogol Bordello (Tim Festival):
A música é uma merda, mas não tem como ficar imune à presença de palco e energia de Eugene Hutz. Com um público na mesma sintonia então, não há como permanecer parado sem pular.


4 – Josh Rouse (Sesc Vila Mariana):
Folk, soul e country na medida certa, o americano envolveu um público emocionado com sua simpatia sincera e uma calma impressionante na hora de cantar.


5 – Spoon (Planeta Terra):
Eles estavam totalmente à vontade no palco comandando uma massa de indies com suas doses homeopáticas de microfonia e melodia. “Black Like Me” ao vivo foi um dos momentos mais emocionantes do ano.

“Alguma coisa acontece no meu coração”

janeiro 17, 2009

Foi um tempinho sem atualização, mas os motivos são os mais nobres possíveis – as últimas semanas foram bem corridas na lojinha, com plantão, cobertura especial, BBB começando, e no meio eu ainda tive uma mudança para fazer, as coisas ainda estão tudo meio bagunçadas mas a gente dá um jeito com o tempo. Hoje e amanhã pretendo colocar um pouco de ordem nas idéias e começar a colocar tudo que eu pensei nos últimos tempos por aqui.

Este post, no entanto, deveria ter sido escrito na segunda-feira, dia 12, dia em que eu completei um ano morando em São Paulo. Primeiro eu tinha elaborado uma super retrospectiva completa e sentimental, mas o tempo acabou me engolindo e eu nunca sentei pra escrever. Em resumo, dá pra dizer que este meu primeiro ano de vida nova – formado, trabalhando, cidade nova – foi simplesmente maravilhoso. Conheci algumas das pessoas mais legais do mundo, fiz amigos muito especiais, fui a muitos lugares que eu queria ir, arrumei um trabalho maravilhoso com pessoas que se tornaram uma espécie de família para mim (eles nem sabem, mas foram o alicerce em boa parte das minhas tristezas nesse ano, e eu consegui superar cada adversidade tão bem e rápido porque eles estavam juntos), viajei a trabalho, cobri festivais, tive reconhecimento profissional que me surpreendeu… Enfim, muita coisa, um ano super feliz. Tenho a plena certeza de que é apenas um começo, que 2009 trará mais surpresas e alegrias. Alguma coisa me diz que estou no caminho certo =)

Obrigado a todo mundo que fez e faz parte dessa jornada. Eu não estou bêbado, mas considero todos pra caralho.

“What can we forgive?”

janeiro 8, 2009

Por que eu demorei muito pra assistir esse filme e simplesmente achei foda. Então, se você ainda não viu, não perde mais tempo. E que trilha

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“Sometimes people need a little help, sometimes people need to be forgiven”

“Vai, vai, vai, vai, vai…”

janeiro 7, 2009

Atenção: assista ao vídeo antes de ler o texto. Ele é muito importante para a compreensão. =)

Todas as luzes do teatro do Sesc Pompéia estão apagadas. Aos poucos, é possível perceber alguns vultos subindo ao palco e, quando John dedilha o primeiro mi menor de “O amor em carne e osso” (a música do vídeo), você sabe que o show do Pato Fu já vai começar, mesmo com apenas alguns poucos feixes de luz passeando pelo local. Ao trio inicial no palco – além de John, Fernanda Takai (voz, violão) e Ricardo Koctus (baixo) – adiciona-se o baterista Xande Tamietti que, discreto em uma percussão, comanda o ritmo da versão lenta de “Spoc”, uma das melhores músicas da carreira da banda. E, após um início intimista e mais, digamos assim, “alternativo”, Fernanda Takai abre os trabalhos, já com o estreante Dudu Tsuda (teclados) no palco, garantindo que este também será um show de músicas conhecidas. John, para não decepcionar, puxa o riff de “Perdendo Dentes”.

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O que se seguiu nas próximas quase duas horas é a grande razão para o Pato Fu ser a melhor banda de rock em atividade no Brasil. Misturando os barulhinhos e esquisitices de “Mamãe Ama Meu Revólver” e “Capetão 66.6 FM” com os acordes doces e melodias suaves de “Agridoce”, “Canção pra você dizer mais” e “Anormal” e o peso de “Eu”, a banda passeou pelos 15 anos de história e oito discos de estúdio. Teve música para dançar “Uh, uh, uh, la, la, la, ie, ie” -, para cantar junto – os hits “Depois”, “Antes Que Seja Tarde”, “Made In Japan – e bônus ao gosto do freguês – “Anormal”, “2 Malucos”, “Licitação”. Como num bom CD do Pato Fu, um repertório variado e de qualidade.

Fernanda arrasa como frontwoman. Talvez tenha sido o tempo com a turnê de seu disco solo, onde ela acaba sendo o centro total das atenções. Conversa com a platéia, faz concurso de dança com dois fãs e mostra toda sua simpatia e doçura ao chamar uma convidada especialíssima para abrir o bis. Nina, a filha de seu casamento com o guitarrista, traz consigo o cachorrinho de pelúcia Poti, que é responsável pelos barulhinhos de “Mamã papá”, ainda mais linda que em disco. É o tipo de show que deveria ter toda semana.

Quando a cantora anuncia a última música, “Sobre O Tempo”, a conclusão óbvia é que, com o perdão do clichê, o Pato Fu amadureceu como nenhuma outra banda no Brasil. Isso significa uma Fernanda que nunca esteve tão à vontade para cantar as canções da banda e uma banda afiadíssima, com destaque para a versatilidade e rapidez do baterista Xande. Macio, macio, o tempo tem sido companheiro e aliado do jeitinho mineiro da banda para construir uma das mais tranqüilas trajetórias do rock nacional. Vai, vai, vai, tempo amigo, porque, como o vinho, o Pato Fu fica melhor a cada dia.

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Crédito fotos: Liliane Callegari

Years of Refusal

janeiro 4, 2009

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Tem bandas e cantores que você sempre tem certeza que vão lançar trabalhos bons. É como aquela história de que um filme ruim de Woody Allen é melhor que a maioria dos filmes. Enfim, vazou hoje Years of Refusal, de titio Morrissey. Não tem nada de novo, mas é um disco com a cara e a assinatura de Mozz. O que já garante a qualidade. “All You Need Is Me” já é a melhor música de 2009. Basta ver, abaixo, o vídeo dela no Jools Holland.

Uma ótima maneira de começar o ano novo.

O que se dança quando se é um indie

janeiro 2, 2009

Folga de Natal em Curitibanos, estou numa festa em um sítio, pouca luz, uma tenda, uma estrela colorida pendurada em um fio entre uma árvore e a cabine do DJ, uma outra tenda com uns, sei lá, 3 metros de altura. A música é eletrônica o tempo inteiro, mas não me peça para especificar, não entendo de house, psy, trance e outras coisas. Além de mim outras pessoas também não gostam da trilha sonora, mas enfim, ali estão os velhos amigos da infância (e alguns eu não via há muito tempo) e a bebida – qualquer uma delas – é barata de uma maneira praticamente inimaginável para quem se acostumou a morar em São Paulo. Eis que, em algum momento, falando sobre festas, uma amiga me pede que tipo de música toca nas baladas que eu vou em São Paulo.

2686761696_f7744407d1_oCrédito: Helena Nacinovic

Eu me empolguei tanto que no dia seguinte acabei fazendo uma coletânea dupla sob o singelo título de “O que se dança quando se é um indie”. Antes de mais nada, há de se deixar claro que está é uma compilação para apresentar o “estilo” (se é que existe um) para uma pessoa que tem pouco ou quase nenhum contato com o “mundinho indie”, que se bobear nunca ouviu falar no MGMT e no Justice e não se importa nem um pouco com o vazamento do novo Animal Collective ou com o que o Franz Ferdinand vai apresentar no terceiro disco – e há a chance de ela ser bem mais feliz do que quem se importa, hehehehe. Então foi mais ou menos isso que norteou minha escolha.

Tentei ordenar as músicas como se fosse uma discotecagem mesmo, então faz todo sentido ouví-las em ordem. Tem muita coisa aí que eu poderia usar em uma provável discotecagem e muita coisa que eu deixaria de fora. Algumas músicas são inspiradas na época em que eu ia toda semana na Pelvis Shaker, lá em Floripa, algumas coisas que eu gosto pra caralho e outras que nem suporto. Tem um monte de velharia básicas e uns cavalos de batalha que animam qualquer pista, mas, por exemplo, eu tocaria The Killers e Supergrass mas não as duas que eu coloquei na lista – são óbvias demais. Mesmo assim eu coloquei algumas “cabecices” no meio (tipo “Idioteque”) e algumas coisas que não fazem muito parte do universo indie (tipo “Surfin Bird” com o Raimundos) como bem me lembrou a Helena, mas eu acho que ela funcionaria tão bem… Enfim, são duas listas bem básicas. Clique nos links abaixo, ouça, comente, me xingue, faça o que quiser.

Pequena atualização de terça de manhã: atualizei os links =)

O QUE SE DANÇA QUANDO SE É UM INDIE Disco 1 Disco 2

Tracklist

Disco 1
Radio 4 – “Enemies Like This”
Maximo Park – “Our Velocity”
Kaiser Chiefs – “Everyday I Love You Less And Less”
The Rapture – “Get Myself Into It”
Weezer – “Pork And Beans”
The Killers – “Mr. Brightside”
The Pipettes – “Pull Shapes”
The Sounds – “Queen Of Apology”
Scissor Sisters – “I Don’t Feel Like Dancing”
Justice – “D.A.N.C.E.”
MGMT – “Kids”
Klaxons – “Golden Skans”
The Go Team – “Panter Dash”
Los Pirata – “Nada”
The Clash – “London Calling”
Pulp – “Disco 2000 (Nick Cave Pub Version)”
Morrissey – “First Of The Gang To Die”
The Twilight Singers – “Underneath The Waves”
New Order – “Bizarre Love Triangle”
Franz Ferdinand – “All My Friends (LCD Soundsystem cover)”
Amy Winehouse – “Tears Dry On Their Own”

Disco 2
Black Rebel Motorcycle Club – “Six Barrel Shotgun”
CSS – “Left Behind”
The Strokes – “Juicebox”
Eagles Of Death Metal – “Only Want You”
Bloc Party – “Banquet”
Supergrass – “Alright”
Hot Hot Heat – “Bandages”
Peter Bjorn & John – “Young Folks”
Black Kids – “I’m Not Gonna Teach Your Boyfriend How To Dance With You”
The Ting Tings – “That’s Not My Name”
Radiohead – “Idioteque”
A-ha – “Take On Me”
Joy Division – “Love Will Tear Us Apart”
Violent Femmes – “Blister In The Sun”
Raimundos – “Surfin Bird”
David Bowie – “Rebel Rebel”
The Libertines – “Can’t Stand Me Now”
Queens Of The Stone Age – “No One Knows”
Franz Ferdinand – “This Fire”
The Smiths – “This Charming Man”
R.E.M. – “It’s The End Of The World As We Know It”

P.S.: Essa coletânea foi responsável por “Kids” entrar na minha lista de melhores músicas do ano.