“Vai, vai, vai, vai, vai…”

Atenção: assista ao vídeo antes de ler o texto. Ele é muito importante para a compreensão. =)

Todas as luzes do teatro do Sesc Pompéia estão apagadas. Aos poucos, é possível perceber alguns vultos subindo ao palco e, quando John dedilha o primeiro mi menor de “O amor em carne e osso” (a música do vídeo), você sabe que o show do Pato Fu já vai começar, mesmo com apenas alguns poucos feixes de luz passeando pelo local. Ao trio inicial no palco – além de John, Fernanda Takai (voz, violão) e Ricardo Koctus (baixo) – adiciona-se o baterista Xande Tamietti que, discreto em uma percussão, comanda o ritmo da versão lenta de “Spoc”, uma das melhores músicas da carreira da banda. E, após um início intimista e mais, digamos assim, “alternativo”, Fernanda Takai abre os trabalhos, já com o estreante Dudu Tsuda (teclados) no palco, garantindo que este também será um show de músicas conhecidas. John, para não decepcionar, puxa o riff de “Perdendo Dentes”.

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O que se seguiu nas próximas quase duas horas é a grande razão para o Pato Fu ser a melhor banda de rock em atividade no Brasil. Misturando os barulhinhos e esquisitices de “Mamãe Ama Meu Revólver” e “Capetão 66.6 FM” com os acordes doces e melodias suaves de “Agridoce”, “Canção pra você dizer mais” e “Anormal” e o peso de “Eu”, a banda passeou pelos 15 anos de história e oito discos de estúdio. Teve música para dançar “Uh, uh, uh, la, la, la, ie, ie” -, para cantar junto – os hits “Depois”, “Antes Que Seja Tarde”, “Made In Japan – e bônus ao gosto do freguês – “Anormal”, “2 Malucos”, “Licitação”. Como num bom CD do Pato Fu, um repertório variado e de qualidade.

Fernanda arrasa como frontwoman. Talvez tenha sido o tempo com a turnê de seu disco solo, onde ela acaba sendo o centro total das atenções. Conversa com a platéia, faz concurso de dança com dois fãs e mostra toda sua simpatia e doçura ao chamar uma convidada especialíssima para abrir o bis. Nina, a filha de seu casamento com o guitarrista, traz consigo o cachorrinho de pelúcia Poti, que é responsável pelos barulhinhos de “Mamã papá”, ainda mais linda que em disco. É o tipo de show que deveria ter toda semana.

Quando a cantora anuncia a última música, “Sobre O Tempo”, a conclusão óbvia é que, com o perdão do clichê, o Pato Fu amadureceu como nenhuma outra banda no Brasil. Isso significa uma Fernanda que nunca esteve tão à vontade para cantar as canções da banda e uma banda afiadíssima, com destaque para a versatilidade e rapidez do baterista Xande. Macio, macio, o tempo tem sido companheiro e aliado do jeitinho mineiro da banda para construir uma das mais tranqüilas trajetórias do rock nacional. Vai, vai, vai, tempo amigo, porque, como o vinho, o Pato Fu fica melhor a cada dia.

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Crédito fotos: Liliane Callegari

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