O melhor show do rock nacional

Verdade absoluta da música número 45: todas as pessoas do mundo devem, ao menos uma vez, ir a um show do Móveis Coloniais de Acaju. Você pode até dizer que as músicas são medianas, as letras são fracas (a exceção é “Aluga-se Vende”, uma das baladas de desamor mais lindas dos últimos tempos) e que os fãs xiitas são tão chatos quanto os dos Los Hermanos. Talvez você esteja certo em relação aos dois últimos argumentos, agora a falha em provar o primeiro e a presença de palco e entrega dos oito brasilienses conseguem arrebatar qualquer um.

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O show do Sesc Pompéia no último dia de janeiro serve como um bom exemplo de como o Móveis Coloniais de Acaju é tão superior a todas as outras bandas brasileiras em cima de um palco. E olha que a banda de abertura, o Fino Coletivo, não fez feio. Com seu samba torto e moderno, a banda promoveu uma semi-festa em cima do palco, com os vocalistas Adriano Siri e Alvinho Lancelotti dançando o tempo inteiro. A presença do novo membro da banda, o tecladista Donatinho (filho de João Donato), acrescentou novas possibilidades sonoras e de textura à banda. As músicas novas, no entanto, não empolgam tanto quanto as do sensacional primeiro álbum e a levada meio funk-soul de algumas músicas deu uma esfriada na apresentação. Mesmo assim, um bom show de Alvinho Cabral e sua trupe.

Agora, basta a luz se apagar e o naipe de metais do Móveis entrar pelo meio da platéia tocando as primeiras notas de “Perca Peso” para esquecer completamente o que viu dez minutos antes. O público muito maior e espremido em frente ao palco canta junto a linha melódica dos metais e quando chega o momento do vocalista André Gonzáles começar a cantar a letra e o microfone falha, eles levam a canção aos berros com devoção no melhor estilo Los Hermanos de ser. E assim vai a música inteira. Difícil, muito difícil uma banda criar um público desses.

O segredo do Móveis, além da presença frenética de palco, reside basicamente em duas coisas: o naipe de metais extremamente afiado e ensaiado e a figura de frontmen de André Gonzáles. Os primeiros conseguem realizar com maestria os arranjos intrincados e melódicos de seus instrumentos. Já André conquista e agrada igualmente homens e mulheres. Os rapazes por seu jeitão de boa praça e por parecer aquele brother que pode sentar no buteco da esquina e discutir sobre futebol durante horas e horas; e as moças por seu estilo sexy de dançar e se portar no palco. Junte isso à imensa salada de ritmos que eles fazem dar certo e você tem uma banda única no cenário.

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O grande desafio da banda agora é provar no segundo disco, a ser lançado em março pelo projeto Álbum Virtual da Trama, que não funciona apenas em cima do palco. A primeira impressão das novas músicas apresentadas no show do Sesc Pompéia é de que a missão tem tudo para ser bem sucedida. O tempo de ensaios escolhendo quais músicas entrariam no repertório e a intervenção do produtor Carlos Eduardo Miranda parecem ter surtido efeito e as composições soam mais maduras e independentes entre si. Fora que “O Tempo”, que deve ser o primeiro single, é a música que o Móveis precisava e tinha potencial para fazer. Melódica como nenhuma outra do grupo, já começa com os metais em uníssono e vai deslizando uma melancolia alegre na linha vocal com uma providencial quebra de ritmo. Talvez a música com mais cara da banda e desde já candidata a melhor canção deles, rivalizando diretamente com “Aluga-se-vende”.

O show vai chegando ao fim e o Móveis lança mão de seus últimos artifícios de domínio do público. A já tradicional roda em “Copacabana” é celebrada como o acontecimento do ano pelos fãs, mas nem é esse o principal momento do show. Quando antes da última estrofe de “Aluga-se-vende” (a última música antes do bis) André pede a todos que se agachem e você observa umas 700 pessoas obedecerem e explodirem num pulo com os versos finais não tem como não se render à magia da banda no palco. O melhor show do rock nacional na atualidade, sem sombra de dúvidas.

Fotos Liliane Callegari / Scream & Yell

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4 Respostas to “O melhor show do rock nacional”

  1. Raphael Bispo dos Santos Says:

    Muitos acertos em sua observações, e fato, o show do móveis é o melhor da atualidade por que consegue arrebatar o público e faz dançar até os melhores “fingidores de timidez”. Foi um grande salto entre o EP e o primeiro disco, estou curioso para ver o que vem por aí. “O tempo” tem tudo para ser uma das melhores faixas do banda, com um belo refrão que te faz cantar por dias, tentando decorar a letra que aprendeu no show. Quanto as outras faixas, MEDO. estou curioso para ver o trabalho do Miranda. Falei com ele, há duas semanas, e receio que o disco demore um pouco mais. O mais certo e mais próximo para ouvir todas as novas é o show de lançamento, em abril.

  2. tiagoagostini Says:

    então, o Fabricio, produtor do Moveis, me falou que sai em março. e eu nao to com medo das outras musicas, do q deu pra ver no show o disco vem melhor do que o primeiro. mas tem q esperar a confirmação =)

  3. Raphael Bispo Says:

    “O Tempo” foi mesmo o primeiro single. Já está disponível para download no site da banda ou no meu blog.

  4. “Eu me perdi lembrando o teu olhar” « Balada do Louco Says:

    […] oficial. Pega aqui, e pega rápido, porque é uma PUTA música. Quando eu ouvi pela primeira no show do Sesc Pompéia já tinha achado muito boa. Tive a sensação exata de que aquela era a música que a banda sempre […]

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