Archive for julho \31\UTC 2009

A Day In The Life

julho 31, 2009

Pois então, meu povo, estreei essa semana um blog novo no iG, o A Day In The Life. O pessoal de música me convidou (brigadão, Ju e Marco) e eu topei esse novo desafio. A primeira ideia foi importar o Balada do Louco, mantendo o mesmo nome e tudo mais. Só que aqui tem muita coisa pessoal que eu coloquei durante todo esse tempo, e o blog novo vai ser focado só em música mesmo. Aí achei melhor começar tudo do zero, pra não confundir. De qualquer forma, o Balada não morre aqui. Vou manter ele como meu blog pessoal por enquanto, então volta e meia vai ter post novo pra eu liberar o estresse que volta e meia se instala por aqui. Foram quase quatro anos de blog (desde a época do blogspot) e eu sou muito grato por tudo que rolou por aqui. De qualquer forma, quem quiser continuar acompanhando meus textos é só se manter ligado no colunistas.ig.com.br/tiagoagostini. E, bem, a gente nunca sabe quando uma novidade pode surgir =)

Beijos, abraços, obrigado e um até logo.

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Dois discos nacionais que prometem

julho 31, 2009

O Charme Chulo colocou hoje no MySpace “Fala Comigo, Barnabé”, primeira música do próximo disco, Nova Onda Caipira, que tem lançamento previsto para setembro ou outubro. A primeira música acentua mais o lado pós-punk da banda, mas mesmo assim traz a assinatura caipira da viola de Leandro Delmonico.

No começo da semana quem também colocou coisa nova no MySpace foi o Cidadão Instigado. “Escolher Pra Quê” é a primeira música de UHUUU!, que começa a ser lançado esse fim de semana em shows no Nordeste. Em disco, mesmo, no final de setembro. A faixa traz o dedo de Fernando Catatau na guitarra, letras e melodia vocal. Gravado em equipamentos analógicos, o disco promete vir na linha do anterior, Método Tufo de Experiências.

Se mantiverem o nível das primeiras músicas, dois discos que devem brigar pelas primeiras posições dos melhores do ano.

2005, o ano em que virei indie

julho 30, 2009

Outro dia estava ouvindo o Grandes Infiéis, do Violins, e lembrei do impacto que o disco teve em mim. Era dezembro de 2005 e eu tava fechando minha listinha de melhores do ano do Scream & Yell. De tanto ouvir falar dos goianos acabei baixando o disco e logo na primeira porrada de “Hans” eu sabia que ia ter que mexer na listinha. Foi provavelmente o último disco novo que eu ouvi naquele ano em que eu virei indie.

Esclarecendo e rememorando: música sempre foi parte central na minha vida. Há vídeos (inéditos para as grandes audiências) que mostram um pequeno eu cantando músicas de Raul Seixas em cima da mesa de centro da sala aos 6 anos, como se estivesse em um show. Aos 11 me tornei fã incondicional de Renato Russo e Legião Urbana no dia da morte do vocalista, um dia antes de ganhar minha primeira Playboy e decorar “Faroeste Caboclo” em menos de um dia com uma fitinha gravada da rádio. Foi também aos 11 que eu comprei minha primeira Bizz, que foi a Bíblia musical até parar de circular. Aos 13 aprendi a tocar violão e montei a primeira banda. Aos 16 veio a segunda, que durou até os 20.

A questão central é: até então eu ACHAVA que entendia de música. Quando saí de Curitibanos, no interior de Santa Catarina, pra fazer faculdade em Florianópolis, me achava o maior diferente porque gostava de The Police – porque ninguém que eu conhecia em Curitibanos gostava de Police. Até então, aos 18 anos, a vida musical era regada aos clássicos básicos do rock, Beatles, Stones, Led, Sabbath. Imagina uma pessoa dessas que começa a ouvir falar de Sigur Rós como fica…

Bem, eu demorei um tempo até entrar de vez no mundo indie. Lembro que foi no final de 2004, quando o Leo fez uma coletânea com músicas que eu deveria ouvir. Entre os discos citados estava o Hot Fuss, do Killers, e o Let’s Bottle Bohemia, do The Thrills. Ambos me impressionaram bastante. Mas, sem dúvida, uma das coisas que me fez cada vez mais entrar no universo indie foram as bandas nacionais. Depois de muito tempo eu comprava um disco de uma banda daqui com tanta expectativa quanto o do Wonkavision e o do Ludov. Aquilo era pop inteligente, feito com cuidado e esmero. Não sei por que, mas eu não acreditava muito na época que isso fosse possível no Brasil.

Daí pra frente eu não parei mais. E foi em 2005 que tudo isso mudou. Naquele ano eu fui descobrindo um monte de bandas, pegando carona no “estouro” do Franz e sua geração, além das rebarbas da geração Strokes. Foi o ano em que eu fui ao meu primeiro show internacional, o Placebo, que foi bem abaixo da média, mas mesmo assim tão legal. E aí, de repente, veio a interminável greve de 119 dias dos servidores e professores federais e as aulas pararam.

Manja o Ócio Criativo, do Domenico de Mais, né? Então, a greve foi um período maravilhoso para se ter idéias. Eu trabalhava na cobertura, então fiquei em Floripa, mas passava só umas 5 horas do dia efetivamente trabalhando. Foi nessa época que eu criei meu primeiro blog, o Balada do Louco (que na época era hospedado no blogspot) e, tão ou mais importante, foi quando surgiu o finado Godinez, meu primeiro e único zine, que durou duas edições virtuais. Juntar a galera que curtia cultura na faculdade e botar todo mundo pra escrever foi do caralho, com reuniões de pauta no Pida e tudo. Até cobertura do Oscar 2006 rolou, para se ter uma idéia.

O fundamental, no entanto, foi que nessa época eu decidi o que eu queria da minha vida enquanto jornalista: trabalhar com cultura, se com música melhor ainda. Então eu comecei a correr atrás disso, fiz amizade com o Mac e depois virei colaborador do Scream & Yell e basicamente daí pra frente tudo foi acontecendo naturalmente até, bem, eu estrear este blog no iG.

E já que 2005 foi tão importante para mim, uma lista revisada dos meu top 5 daquele ano. Quem quiser ler a original ta aqui (e se quiserem saber por que eu mudei de opinião, bem, é so pedir nos comentários).

Disco nacional
1 – Método Tufo de Experiências (Cidadão Instigado)
2 – Grandes Infiéis (Violins)
3 – Toda Cura Para Todo Mal (Pato Fu)
4 – O Exercício das Pequenas Coisas (Ludov)
5 – O Avesso (Poléxia)

Disco Internacional
1 – Road To Rouen (Supergrass)
2 – You Could Have It Much Better (Franz Ferdinand)
3 – Howl (Black Rebel Motorcycle Club)
4 – The Magic Numbers (The Magic Numbers)
5 – In Your Honor (Foo Fighters)

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O nome do blog foi definido após eu assistir a este vídeo abaixo.

A Day In The Life é um blog sobre música, sem restrições. Vale clipe, entrevista, resenha de show, de disco, de single, teorias furadas e tudo mais. Seja bem-vindo e fique à vontade.

Humbug na rede

julho 30, 2009

O terceiro disco do Arctic Monkeys, Humbug, com lançamento marcado para o dia 24 de agosto, vazou na internet ontem à noite. À primeira ouvida dá pra perceber que toda a urgência adolescente dos primeiros discos passou, principalmente pela levada mais calma das músicas. A produção de Josh Homme, do Queens Of The Stone Age, em sete faixas (as outras são de James Ford, o mesmo de Favourite Worst Nightmare) pode ser percebida principalmente no tratamento das guitarras, mas, ao contrário do que já falaram por aí, o disco não lembra a banda do produtor. E não há eco evidente do projeto paralelo do vocalista Alex Turner, o The Last Shadow Puppets, apesar das belas melodias tristes de “Secret Door” e “Cornerstone”.

Clipe novo do Mika

julho 29, 2009

O single de “We Are Golden” já tinha sido lançado semana passada e agora ganha clipe. Mika vem mais dançante do que nunca, com produção e som grandioso e o refrão mais pegajosamente pop do ano até agora. Faça a festa no seu quarto.

“We Are Golden”, o disco, será lançado dia 21 de setembro.

Cena de Curitiba se renova sem mudar muitas caras

julho 27, 2009

É impressionante como o Nevilton conseguiu, sendo apenas um trio, fazer mais barulho do que todas as bandas que passaram neste final de semana pelo palco do 7º Rock de Inverno, em Curitiba. Assim como o The Who ofuscava os Beatles na década de 60 em shows em premiações musicais (o que pode ter contribuído para os Fab Four desistirem de se apresentar ao vivo), o trio de Umuarama, uma “terra sem inverno”, deixou o público de queixo caído na sexta-feira.

A citação do The Who não é gratuita. A primeira comparação que salta aos olhos durante a performance do Nevilton são os pulos do guitarrista e do baixista, além da energia do baterista. Junte isso a um punhado de canções pop e cheias de referências nacionais, apimentadas com o virtuosismo não exibicionista do guitarrista. Eles provam ao vivo o motivo de serem uma das bandas mais badaladas nos últimos tempos na imprensa especializada.

Quem também surpreendeu na noite de sexta foram os locais do Pão de Hambúrguer. Cinco moleques cabeludos, com visível cara de quem acabou de sair da adolescência, executaram um competente hard rock clássico com os dois pés fincados nos anos 70. Misturando a lisergia do Pink Floyd, a atitude do Pearl Jam e a pegada do Black Sabbath, os cinco precisam apenas descobrir que solos de guitarra são legais, mas quando na dose certa. A cover de “Será que eu vou virar bolor”, de Arnaldo Baptista, foi o ponto alto do show.

O Hotel Avenida subiu ao palco com seu folk lírico, inspirado em Ryan Adams e que remete em vários momentos a Lobão. Ao vivo as músicas ganham em intensidade graças à entrega na interpretação do vocalista Giancarlo Ruffato. A música “Eu Não Sou Um Bom Lugar” tem clima e potencial para virar hino dos depressivos. Completaram a escalação da noite o Liquespace, com uma espécie de música tradicionalista gaúcha com peso de rock que não funciona, o 3 Hombres, que demorou um pouco para esquentar o show e fez uma apresentação longa demais, e Diedrich e Os Marlenes, novo projeto de Oneide Diedrich, ex-Pelebrói Não Sei, que deu uma animada na noite fria com seu rockabilly desajeitado e divertido.

Ainda restava o show do brasiliense Beto Só, mas, enfim, eu também sou filho de Deus e o cansaço que batia há cerca de uma hora, graças às poucas horas de sono, acabou vencendo. Reza a lenda que o final do show foi lindo, com vários músicos em cima do palco cantando uma versão de Gloria, de Van Morrison.

O sábado prometia ser o grande dia do festival, principalmente pelo show de comemoração dos 25 anos do Fellini, lenda da cena independente brasileira. A apresentação de Cadão Volpato, Thomas Pappon, Jair Marcos, Ricardo Salvagni e o baterista convidado Clayton Martin foi uma legítima celebração. A banda provou que, mesmo separada há um bom tempo, não perdeu a presença de palco e foi a única a fazer bis no festival.

Mas quem roubou a cena mesmo foi a banda de abertura da noite, Heitor e Banda Gentileza. Com um som límpido e muito bem equalizado, o grupo destilou seu lirismo meio brega com muitos sorrisos nos rostos. Junte música caipira romântica, bandinhas alemãs, Los Hermanos e Cake e você estará perto do som da banda. Aliás, ver o HBG no palco é uma das provas de como o LH é a banda mais importante da década no Brasil. Sem eles, certamente a banda curitibana não existiria. Com disco recém-gravado e produzido por Plínio Profeta, Heitor e Banda Gentileza aparecem como uma das promessas do cenário independente.

Koti e os Penitentes fez o que se pode chamar de um show “diferente”. Com megafone no lugar do microfone, um tambor enorme, baixo sem um captador e até tábua de lavar roupa, a banda prendeu a atenção pela entrega em cima do palco. Cantando sobre fatos do cotidiano como a vida de um mendigo e de um alcoólatra, ele foi um dos destaques do festival. O Mordida fez um show competente e divertido, com um power pop grudento e assobiável. Já o Ruído/mm apresentou seu rock instrumental lisérgico e o Je Rêve de Toi não empolgou com seu rock eletrônico moderninho demais. O clima acústico da última banda, a boa Les Tics, estava calmo demais e pouco convidativo, mas competente.

Ao final, um festival que rendeu boas apresentações e provou que a música de Curitiba e do Paraná passa por uma renovação bem interessante de valores, mesmo sem trocar alguns protagonistas (não era difícil encontrar membros de bandas que recém acabaram tocando no festival). Um alento para uma das cenas mais férteis do Brasil, mas que ainda precisa de muita organização para vingar. Um bom festival como o Rock de Inverno, se repetido todos os anos, pode ser um bom início para essa consolidação.

(Fotos: Nevilton, Fellini, Heitor e Banda Gentileza – crédito Marcelo Stammer)

“Se eles têm três carros, eu posso voar”

julho 13, 2009

“Faço a maior força possível para alcançar esse âmbito de comunhão onde eu falaria X e eles entenderiam X, não Y” (Arnaldo Baptista)

Documentário obrigatório, sobre uma das figuras fundamentais da música brasileira.

“It holds my arms down, sits upon my chest”

julho 6, 2009

Acima, um dos grandes momentos musicais do ano até agora, junto com o coro do público em “Paranoid Android”. Pra entender do que eu estou falando, dá uma olhadinha nessa resenha que eu escrevi pro iG Música.

Por enquanto é só. A qualquer momento, boas novidades por aqui \o/