2005, o ano em que virei indie

Outro dia estava ouvindo o Grandes Infiéis, do Violins, e lembrei do impacto que o disco teve em mim. Era dezembro de 2005 e eu tava fechando minha listinha de melhores do ano do Scream & Yell. De tanto ouvir falar dos goianos acabei baixando o disco e logo na primeira porrada de “Hans” eu sabia que ia ter que mexer na listinha. Foi provavelmente o último disco novo que eu ouvi naquele ano em que eu virei indie.

Esclarecendo e rememorando: música sempre foi parte central na minha vida. Há vídeos (inéditos para as grandes audiências) que mostram um pequeno eu cantando músicas de Raul Seixas em cima da mesa de centro da sala aos 6 anos, como se estivesse em um show. Aos 11 me tornei fã incondicional de Renato Russo e Legião Urbana no dia da morte do vocalista, um dia antes de ganhar minha primeira Playboy e decorar “Faroeste Caboclo” em menos de um dia com uma fitinha gravada da rádio. Foi também aos 11 que eu comprei minha primeira Bizz, que foi a Bíblia musical até parar de circular. Aos 13 aprendi a tocar violão e montei a primeira banda. Aos 16 veio a segunda, que durou até os 20.

A questão central é: até então eu ACHAVA que entendia de música. Quando saí de Curitibanos, no interior de Santa Catarina, pra fazer faculdade em Florianópolis, me achava o maior diferente porque gostava de The Police – porque ninguém que eu conhecia em Curitibanos gostava de Police. Até então, aos 18 anos, a vida musical era regada aos clássicos básicos do rock, Beatles, Stones, Led, Sabbath. Imagina uma pessoa dessas que começa a ouvir falar de Sigur Rós como fica…

Bem, eu demorei um tempo até entrar de vez no mundo indie. Lembro que foi no final de 2004, quando o Leo fez uma coletânea com músicas que eu deveria ouvir. Entre os discos citados estava o Hot Fuss, do Killers, e o Let’s Bottle Bohemia, do The Thrills. Ambos me impressionaram bastante. Mas, sem dúvida, uma das coisas que me fez cada vez mais entrar no universo indie foram as bandas nacionais. Depois de muito tempo eu comprava um disco de uma banda daqui com tanta expectativa quanto o do Wonkavision e o do Ludov. Aquilo era pop inteligente, feito com cuidado e esmero. Não sei por que, mas eu não acreditava muito na época que isso fosse possível no Brasil.

Daí pra frente eu não parei mais. E foi em 2005 que tudo isso mudou. Naquele ano eu fui descobrindo um monte de bandas, pegando carona no “estouro” do Franz e sua geração, além das rebarbas da geração Strokes. Foi o ano em que eu fui ao meu primeiro show internacional, o Placebo, que foi bem abaixo da média, mas mesmo assim tão legal. E aí, de repente, veio a interminável greve de 119 dias dos servidores e professores federais e as aulas pararam.

Manja o Ócio Criativo, do Domenico de Mais, né? Então, a greve foi um período maravilhoso para se ter idéias. Eu trabalhava na cobertura, então fiquei em Floripa, mas passava só umas 5 horas do dia efetivamente trabalhando. Foi nessa época que eu criei meu primeiro blog, o Balada do Louco (que na época era hospedado no blogspot) e, tão ou mais importante, foi quando surgiu o finado Godinez, meu primeiro e único zine, que durou duas edições virtuais. Juntar a galera que curtia cultura na faculdade e botar todo mundo pra escrever foi do caralho, com reuniões de pauta no Pida e tudo. Até cobertura do Oscar 2006 rolou, para se ter uma idéia.

O fundamental, no entanto, foi que nessa época eu decidi o que eu queria da minha vida enquanto jornalista: trabalhar com cultura, se com música melhor ainda. Então eu comecei a correr atrás disso, fiz amizade com o Mac e depois virei colaborador do Scream & Yell e basicamente daí pra frente tudo foi acontecendo naturalmente até, bem, eu estrear este blog no iG.

E já que 2005 foi tão importante para mim, uma lista revisada dos meu top 5 daquele ano. Quem quiser ler a original ta aqui (e se quiserem saber por que eu mudei de opinião, bem, é so pedir nos comentários).

Disco nacional
1 – Método Tufo de Experiências (Cidadão Instigado)
2 – Grandes Infiéis (Violins)
3 – Toda Cura Para Todo Mal (Pato Fu)
4 – O Exercício das Pequenas Coisas (Ludov)
5 – O Avesso (Poléxia)

Disco Internacional
1 – Road To Rouen (Supergrass)
2 – You Could Have It Much Better (Franz Ferdinand)
3 – Howl (Black Rebel Motorcycle Club)
4 – The Magic Numbers (The Magic Numbers)
5 – In Your Honor (Foo Fighters)

——

O nome do blog foi definido após eu assistir a este vídeo abaixo.

A Day In The Life é um blog sobre música, sem restrições. Vale clipe, entrevista, resenha de show, de disco, de single, teorias furadas e tudo mais. Seja bem-vindo e fique à vontade.

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12 Respostas to “2005, o ano em que virei indie”

  1. Sara Uhelski Says:

    vc virou coluniiiiiista!!
    que orgulho! viu como o CREA nos transforma em gente de verdade?
    rá rá rá

    Resposta

    Ah, se não fosse aquele tempo no CREA =)

    Saudades, mocinha

  2. giancarlo Says:

    já fui “tão indie” a ponto da canção da minha colação ser uma do sigur ros, mas Violins nunca me bateu e eu já tentei gostar varias vezes pq teoricamente a banda é(era) muito boa.

    Resposta

    Bicho, sem essa de Sigur Ros, por favor. Violins é muito melhor, hehehehe, e o Grandes Infieis é um dos cinco discos nacionais da década. Nem “Ok, ok” te ganhou?

  3. Maíra Flores Says:

    Tiago, adorei o Blog. Parabéns!

    Resposta

    Valeuzão, Maira =)

  4. Dum De Lucca Says:

    Tiago o nome do blog é legal e os mestres Neil Young e Paul MacCartney são geniais. Contudo ser indie é um pouco melancólico e deprimente. Em um bate papo informal com o maestro Júlio Medaglia e o baixista Luiz Domingues, do Pedra, um grande e veterano músico, chegamos a conclusão que o universo indie é bem pobre musicalmente. Bandas ruins, músicos que tocam medianamente e um estilo – indie – que não passa do pós punk engessado e sem rumo. Respeito, claro, sua opinião, mas como jornalista eu teria vergonha de me auto intitular indie. Entendo que goste do Franz Ferdinand , que não é uma banda ruim, mas o maior problema das ditas bandas indies é que raramente conseguem passar de dois discos bons, ou razoáveis. Bandas indies não se sustentam e as guitarras são iguais, sem criatividade, não tem pegada, nem atitude. Não são perenes. Você já ouviu Hanburg o novo do Arctic Monkeys? É uma constatação disso. E olha que gosto e achei o show dos ingleses o melhor do TIM de 2007. Enfim, o universo indie é bem pobre, cheio de modas e hypes que chegam e vão correndo. Porque, a cada momento, surge uma nova banda que vai salvar o rock seguindo as bobagens do NME.

    abraço

    Resposta:

    Dum, meu caro,

    Tu tá tomando indie como apenas as bandinhas geração 2000 como Franz, Strokes e Arctic Monkeys? Não é bem por aí. Se a gente for levar o termo extremamente a sério, essas bandas inclusives nem entram na classificação. O indie true começou lá nos anos 80 com o Smiths, Jesus and Mary Chain no Reino Unido e Sonic Youth, Pixies e o Dinosaur Jr, que você cita em um post do seu blog, nos Estados Unidos. Não dá pra acusar nenhuma dessas bandas de ter músicos ruins, guitarras pobres, não ter pegada, não ter atitude, nem que elas não se sustentam em mais do que um ou dois discos. Mesmo se você quiser pegar o Franz como exemplo, a banda tem dois primeiros discos sensacionais, cheios de pegada e atitude, como os shows deles no Brasil puderam comprovar, e foi audaciosa o suficiente para experimentar e injetar eletrônica e batidas africanas no terceiro disco, que pode não ser tão bom quanto os primeiros, mas mostra uma consistência em sua proposta e aponta rumos sólidos e bons para o futuro da banda. E eu não vejo nada de deprimente em me declarar indie, mesmo porque meu gosto musical não fica restrito a esse mundinho, tanto que as imagens retratadas no header do blog são de músicos bem longe do mundinho. Mesmo sendo indie eu não deixo de apreciar e reconhecer a qualidade de um disco como FutureSex/LoveSounds, do Justin Timberlake, ou o Vagarosa, da Céu, um dos grandes discos desse ano no Brasil. E antes de ser indie sou jornalista, portanto não coloco gosto pessoal acima da pauta, o que para mim é o mais importante.

    Abs e abra sua mente

    Ah, e o nome do disco do Arctic Monkeys é Humbug =)

  5. Daniel Medeiros Says:

    Tiagão,

    Muito legal ler este post e poder relembrar a tua trajetóría que já é cheia de conquistas. É mais legal ainda porque consigo resgatar da memória as imagens dos corredores, das salas, casas, apartamentos e festas onde tudo isso foi acontecendo nos quatro anos em que convivemos na universidade. Parabéns e boa sorte no novo desafio.

    Abs

    Resposta

    Bons tempos, Daniel, bons tempos. Ah, as rodinhas de violão com “Caloura” nos xurrashcos…

    Abs

  6. Rodrigo Bruxo Says:

    Tiagão, ainda bem que tu não virou emo! Tu de franjinha seria bizarro! Abs e sucesso no blog!

    Resposta:

    Bicho, não tenho nem mais franja quase, hahahahaha. Ainda bem que não virei emo =)

  7. Janice Says:

    Parabéns pelo blog, vc merece. Abraços

    Resposta

    Beijos e muito obrigado dona Janice =)

  8. Bean Says:

    eee! Parabéns pelo blog, Tiago!! Eu adorei esse post mais “pessoal”… é sempre bom saber onde e como essas referências surgem. Vou assinar! capricha! bjs

    Resposta

    Valeu, Bean =) Vou me esforçar pra manter bem atualizado

  9. mattoso Says:

    caramba, seus primeiros contatos indies foram com killers e tal… tipo, vc “virou” indie ontem! rsrs. achei um barato o lance de gostar de police ser exclusividade. parabéns pela coluna!

  10. Murilo Says:

    Pára de mentir cara pálida: tu sempre foi um indie enrustido! =)

  11. Marcelo Urânia Says:

    tenho medo de dizer que sou “indie” hahahaha

  12. Davi Rocha Says:

    Você também acha esse disco do Pato Fu o melhor de todos deles?

    Resposta

    Acho um puta disco, mas não o melhor. “Gol de quem?”, “Televisão de Cachorro”, “Ruído Rosa” e o “Daqui pro futuro” são melhores. Mas é uma banda que não tem nenhum disco abaixo de 8.

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