This fire is out of control, we're gonna burn this city

Alex Kapranos, em um português bem razoável, resumiu bem o que foi o show do Franz Ferdinand na The Week, para pouco mais de mil felizardos: fudido. O palavrão sincero veio lá pela metade do show, após os escoceses quase colocarem a casa abaixo com os hits “This Fire” (com direito a “duelo” de guitarras), “Do You Want To”, “Walk Away” e o arrasa quarteirão “Take Me Out”, talvez a maior música de rock dançante da década. Os paulistanos ainda nem sabiam tudo que os aguardava pelo resto da noite, mas sem dúvida já dava para considerar o show antológico. (leia a resenha do iG Música com o setlist completo)

franz 3 capitu

Uma pequena pausa aqui para contextualizar toda a babação de ovo sobre o Franz. Quando anunciaram este show único deles, lembro do Rodrigo James, do Alto Falante, perguntando no twitter por que ninguém reclamava do Franz estar vindo pela terceira vez ao Brasil, já que o retorno do Sonic Youth para o Planeta Terra era tão discutido. Minha resposta rápida foi: eles ainda são hype, e vêm ao Brasil na turnê de um disco ótimo e ainda no auge. Ou seja, na hora certa.

A frase pode ser hiperbólica, mas fato é que o Franz é a maior e melhor banda da geração anos 2000. Quando surgiu, em 2004, foi, junto com o Killers, uma das duas bandas a emplacar um sucesso tão retumbante que ultrapassou o indie e ecoou em várias audiências – os escoceses com “Take Me Out” e os americanos com “Somebody Told Me”. Ambos ainda pegavam uma certa carona no caminho pavimentado pelo Strokes e o White Stripes. Estouro realizado, era a hora de colher os louros e trabalhar pensando no futuro.

E é aí que a gente chega no centro da questão da importância do Franz. O Killers foi engolido pelo ego gigante de Brandon Flowers e virou primeiro um arremedo mal acabado de Queen para depois se tornar uma paródia mal feita do Erasure; o Strokes sofreu com um certo desleixo e a falta de inspiração de um terceiro álbum com três ótimas músicas e um restante sofrível – tanto que todos integrantes começaram a fazer algo em carreira solo; e o White Stripes ficou à mercê dos projetos paralelos de Jack White (mas mesmo assim ainda lançou um bom disco, Icky Thump).

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O Franz, pelo contrário, aproveitou a boa onda do primeiro disco, homônimo, e lançou o segundo, You Could Have It So Much Better, um ano depois, com o mesmo pique e vigor da estréia e algumas poucas mudanças. Emendaram duas turnês em uma, viajaram o mundo inteiro, pesquisaram novas sonoridades, gravaram trechos de músicas em alguns países (no Brasil, inclusive), se aproximaram do público. E, depois de toda essa exaustão, se deram um tempo para preparar um terceiro álbum, o fabuloso Tonight: Franz Ferdinand, lançado no começo deste ano e com uma mudança significativa no uso maior de sintetizadores, mas mantendo os mesmos riffs simples, secos e espertos que fizeram a fama da banda. Talvez nunca eles tenham soado tanto como música para dançar com pegada de rock.

Foi com essas credenciais que a banda subiu ao palco da The Week, para uma platéia que abarrotava a pista da casa de shows da zona oeste de São Paulo. Estavam completamente entregues à histeria do público e nitidamente felizes no palco. Nada mais emblemático disso que a ida do guitarrista Nick McCarthy ao balcão do bar para terminar de tocar “Michael”, a primeira música do bis, e ainda se jogar num mosh tímido.

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A trama eletrônica psicodélica quase infinita do final de “Lucid Dreams”, o último ato de uma noite quase perfeita, ecoa nos ouvidos horas depois ainda do show acabar. Na fila para ir embora, todos que se cruzam guardam um sorriso no rosto e uma cara de espanto e satisfação, petrificados com o espetáculo que acaba de acontecer. É o último ponto para definir quem daquelas duas bandas que estouraram em 2004 consegue chegar ao final da década com mais vigor e excelência. Enquanto o Killers e todas as bandinhas da geração se esforçam muito e conseguem apenas fazer singles, o Franz parece conceber álbuns completos com a maior facilidade, além de shows incendiários e envolventes. Coisa de quem tem muito talento. Dia 19 de outubro começa a venda dos ingressos para as quatro apresentações que a banda faz em março, agora em casas maiores. Duvido que um dos presentes à The Week tenha saído de lá sem contar os centavos para comprar o ingresso do próximo show.

Vídeos do Bruno Dias do Urbanaque e fotos da Capitu

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9 Respostas to “This fire is out of control, we're gonna burn this city”

  1. Palugan Says:

    espetacular

  2. Fabi Says:

    Foi INCRÍVEL. Sem mais palavras.

  3. Tuane Vieira Says:

    INVEJAAAAAAAA!!!!!

    Tudo bem, ano que vem eu vou, custe o que custar!!!

  4. jessica Says:

    Foi fodastico!!!
    Que-bra-tu-do! hahaha

  5. Lilyan Says:

    Adoro FF eles são demais mesmo, adorei o seu texto, so não gostei de você ter falado mal do The Killers! =(

    • Tiago Says:

      Brigado do elogio, Lilyan. E eu gosto muito do primeiro CD do Killers, acho tão bom quanto o primeiro do Franz, inclusive no número de hits ou possíveis hits. O Sam’s Town é irregular mas guarda alguns bons momentos. Agora, o Day & Age é sofrível e dá um rumo horrível pra carreira da banda.

  6. Natália Baffatto Says:

    Tiago,

    parabéns pelo texto. Ele conseguiu expressar bem o que aconteceu naquela fantástica noite de rock n roll. Poucos conseguiram escrever um texto assim.

    Estive lá, o show foi realmente incrível, que até arrepia o corpo quando começam a cantar e tocar, sem contar que os meninos da banda são simpatiquérrimos e muito queridos. Adorei tu-do. Foi tudo uma surpresa.

  7. “If it’s crowded, all the better” « Balada do Louco Says:

    […] para cobrir para ninguém – comprei o ingresso, inclusive – e, bem, já tinha escrito dois textos sobre o show da The Week no ano passado. Assim, fui pra frente do palco, pulei, cantei, […]

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