E o VMB foi para…

Um olhar rápido para o resultado do VMB pode sugerir que nada mudou na premiação musical: os vencedores continuam sendo ou medalhões da década de 80 ou os emos. Mas, com um pouquinho mais de cuidado na análise, dá para ver que nem tudo esteve igual este ano, por mais que muita gente tenha reclamado da mesmice nos vencedores. (Veja a relação completa de ganhadores no iG Música)

Na verdade, o que aconteceu no VMB deste ano é o que sempre aconteceu em qualquer votação de melhores na música: a opinião de público e crítica não bateu. Sempre foi assim, sempre será assim. Público e crítica são duas “entidades” completamente diferentes, com gostos e parâmetros contrários. É tolice esperar que o público não vote em Fresno, NX Zero, Pitty e quetais, já que estas são as bandas que tem maior exposição e maior sucesso com esse grande público (pelos mais diversos motivos).

Agora, como eu tinha falado la no final de agosto, o que importa nesse VMB é um olhar da MTV para a nova geração da música brasileira. Ter Mallu Magalhães concorrendo a Artista do Ano, a categoria de Aposta com apenas uma banda de gravadora, Móveis Coloniais de Acaju concorrendo a Melhor Show (e tocando na premiação), Autoramas concorrendo a melhor banda de Rock. Mas, talvez, o mais significativo seja a categoria de MPB, sem nenhum dos medalhões tradicionais, abrindo espaço para a genialidade de Céu, Curumin e Cérebro Eletrônico – Fernanda Takai, a vencedora, não pode ser considerada medalhão da MPB, e mesmo com o Pato Fu sempre foi um exemplo de música inteligente e bem sacada feita no Brasil.

Tudo isso ficou retratado bem na festa após a premiação. Muitas caras novas circulando pelo Espaço das Américas, todos sorridentes ao máximo – desde os meninos do Black Drawing Chalks, passando por Tatá Aeroplano, do Cérebro, até todo mundo do Móveis Coloniais de Acaju, que acabaram angariando vários depoimentos de famosos que acreditam na Revolta do Acaju. (As câmeras não mostraram, mas o saxofonista Paulo, do Móveis, caiu na platéia no meio da apresentação da banda, sem se machucar. O pessoal da banda acredita que, se alguém filmou, o momento pode concorrer a Web Hit no ano que vem).

Olhando a categoria de Hit do Ano, também há mais uma reflexão a ser feita. Me parecia claro que com um álbum recém-lançado e um single grudento, “Me Adora”, a baiana seria a vencedora da categoria. Ao contrário, o NX Zero, vence com uma musica de um disco com mais de um ano. Ou a Pitty já não tem essa popularidade toda, ou o NX Zero realmente é a maior banda do Brasil com milhas de distância.

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