"Herbert de Perto" foge do dramalhão simples e se torna uma homenagem sincera

1_foto Mauricio Valadares

A vida não é filme. A primeira cena do documentário “Herbert de Perto” mostra o cantor e guitarrista do Paralamas do Sucesso no esplendor de sua juventude e no auge do sucesso nos anos 80 falando com uma confiança impactante: “Acho que sempre consegui todas as coisas que eu quis, e não vejo nada que eu queira que eu não me sinta capaz de conseguir. Mesmo que acontecesse uma tragédia eu ia começar de novo e ia conseguir tudo de novo”. Corta. Um Herbert Vianna mais velho, já na cadeira de rodas, assiste ao vídeo em sua casa e faz uma cara de reprovação: “esse mané aí não sabe o que ta falando”.

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Entre os dois momentos há uma história que todos conhecem: no dia 04 de fevereiro de 2001, Herbert Vianna e sua mulher, Lucy, sofreram um acidente no Rio de Janeiro. O ultraleve que Herbert pilotava para ir à festa de Fernanda, mulher de Dado Villa-Lobos, caiu na água. O vocalista ficou internado no hospital por dois meses, numa luta contra a morte. Em conseqüência do acidente, ficou paraplégico. Lucy morreu na tragédia.

12_Arquivo_pessoal

Seria muito fácil, com um roteiro desses, fazer um dramalhão piegas sobre a celebração da vida. Ao contrário disso, o documentário, dirigido por Roberto Berliner e Pedro Bronz, faz um retrato quase que imparcial de toda a vida do cantor, abrangendo desde a peregrinação por diversas cidades na infância até os shows pós-acidente. E, claro, foca boa parte de seu tempo na história do Paralamas.

Como todo documentário desse estilo que se preze, o filme é recheado de imagens raras ou inéditas, mostrando os bastidores dos anos 80 com maestria. A cena em que “Meu Erro” aparece pela primeira vez é sensacional, com cada membro da banda tocando sua parte separadamente enquanto Gilberto Gil conta a importância de um trio de rock. Berliner tem papel fundamental nesse resgate. Ele foi um dos primeiros a registrar os shows que aconteciam no Circo Voador no começo da década de 80, quando o local era o ponto de ebulição do nascente rock nacional. Mais do que isso, amigo pessoal de Herbert desde os anos 80, era dono de um material bruto fantástico de 250 horas, cuidadosamente decupado por Pedro.

Mais do que apenas imagens, o que vem à luz são histórias de bastidores engraçadas e pitorescas, como por exemplo o que a mãe de Herbert, achou da primeira demo gravada pela banda. Ou então a do primeiro violão do músico, que ele customizou para conseguir tocar melhor as notas mais agudas. A paixão de Herbert pela aviação também é tratada com carinho, até desembocar no fatídico acidente. O depoimento de Dado, que viu a cena de longe, é emocionante e cuidadoso.

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A parte final do filme trata do pós-acidente e da importância que a família e os amigos tiveram na recuperação de Herbert. É nessa hora que a câmera de Berliner fica mais pessoal, acompanhando o cantor no limite possível de sua intimidade. Os ensaios com a banda, as gravações dos novos álbuns, o retorno ao Circo Voador, a primeira aparição pública, tudo serve para mostrar a força de vontade de um guerreiro. Mas, sem dúvida, o momento mais emocionante fica por conta da homenagem do músico a Lucy, a amada falecida, que termina com uma sacada sensacional do diretor.

A participação de Pedro Bronz no projeto foi essencial para garantir o distanciamento necessário e tão fundamental para um bom resultado. O filme é mais um passo para documentar a história do principal movimento jovem da música brasileira. “Herbert de Perto” poderia ser um dramalhão mas é uma grande homenagem a um dos gênios do rock dos anos 80.

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2 Respostas to “"Herbert de Perto" foge do dramalhão simples e se torna uma homenagem sincera”

  1. viva brasilia Says:

    para quem viveu essa epoca maravilhosa o documentario e imperdivel.valeu!

  2. “Herbert de Perto”: um filme sobre a amizade | Mauricio Stycer Says:

    […] notou Tiago Agostini, uma das cenas-chave do documentário ocorre quando Herbert, hoje, tem a oportunidade de ouvir o […]

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