Festival Calango 2009, a cobertura final

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Sei que já mencionei o fato antes, mas nunca é demais reforçar: Cuiabá continua um calor desgraçado, 38ºC durante o dia, 30 e tanto durante a noite. Mas não ia ser um sol forte que iria estragar o Festival Calango, de organização cuidadosa e uma seleção de atrações com ótimos nomes do novo cenário independente nacional, aliados a alguns veteranos da cena, que rolou nos dias 30 e 31 de outubro e 1º de novembro. Se a proposta do evento é dar um panorama do que se faz no Brasil, não poderia ter dado mais certo.

A estrutura do festival continua impecável, tanto nos dois dias em que os shows aconteceram no Centro de Eventos do Pantanal como quando foram realizados na Praça das Bandeiras. Mas, apesar do conforto que o primeiro local oferece, os shows funcionaram melhor na Praça das Bandeiras, ao ar livre, com um público maior e mais diversificado. Além disso, o som esteve notadamente melhor, já que várias bandas sofreram na sexta e principalmente no sábado, em que a equalização ruim aliada à falta de acústica apropriada foram característica marcante.

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Musicalmente falando, uma coisa deu pra notar do ano passado pra cá: as bandas locais evoluíram bastante (tira da conta o Macaco Bong, uma das grandes bandas do cenário nacional e que já está em outro patamar). Tudo bem, as bandas de metal continuam sendo maioria, mas já há vida inteligente entre elas, destaque pro Snorks e seu hardcore rápido, os Inimitáveis e a grande revelação local do festival, o Vitrolas Polifônicas (leia mais abaixo).

E se 2008 foi o ano em que o Calango ficou marcado pelas bandas que misturavam rock e ritmos brasileiros (Do Amor, Cérebro Eletrônico, Curumin), 2009 trouxe o que de melhor se faz em sons mais pesados e viajões, com um pé no indie, outro no stoner e outro no punk. Abaixo o Top 11 (porque show do Wander é hors concours, então abre um lugarzinho), mas com o mea culpa de não ter assistido aos shows do Mini Box Lunar, do Amapá, e do Macaco Bong, que todo mundo elogiou. Às vezes o cansaço cobra seu preço e você não consegue ver tudo que poderia.

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Holger – eles catalisam diversas influências indies em uma banda só, atendendo a todos os gostos. Se no primeiro EP a mistura não funciona tão bem, a espontaneidade alegre em cima do palco transforma as músicas completamente. Destaque para o riffzinho New Order de “The Auction” e a intensidade de “Nelson”.

Black Drawing Chalks – donos do grande disco de rock de roqueiro do ano, os goianos não pouparam energias em cima do palco. Com o público na mão, cantando todas as músicas, fizeram a festa. A dobradinha “My Favourite Way” e “I’m a Beast I’m a Gun” foi matadora.

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Walverdes – nunca esqueci o comentário de um amigo que mora em Porto Alegre sobre o Walverdes: tu vê os caras fora do palco e não consegue imaginar o barulho que eles são capazes de fazer. No meu primeiro show da banda consegui comprovar isso. “Câncer” é clássico. Barulho com melodia como ninguém mais conseguiu fazer no festival.

Wander Wildner – o que dizer de um show que tem “Eu não consigo ser alegre o tempo inteiro”, “Bebendo Vinho”, “Lugar do Caralho”, “Eu tenho uma camiseta escrita Eu Te Amo” e “Amigo Punk”? Show do Wander é sempre diversão garantida.

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Nevilton – a banda de Umuarama provou por que é uma das revelações do ano, com seu show explosivo e a performance contagiante do guitarrista e vocalista Nevilton e do baixista Lobão. Virtuose sem ser pedante, Nevilton é pop inteligente para as massas.

Caldo de Piaba – música instrumental com guitarra blueseira mas cozinha suingada. Referências regionais do Norte do Brasil, guitarrada e uma cover esperta e oportuna de “I Want You (She’s So Heavy)”, dos Beatles. Uma banda para se prestar atenção.

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Do Amor – acompanhando Jonas Sá durante o festival, eles ganharam 20 minutos para fazer um show. Mesmo de surpresa e com o som não ajudando muito, “Dar uma banda”, “Perdizes” e “Morena Russa” mostraram que eles continuam afiados – e deixaram ainda mais expectativa pelo primeiro CD, que deve sair no ano que vem.

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Cassim & Barbaria – kraut-rock vindo do Sul, a banda evoluiu bastante do primeiro show que vi deles no ano passado em São Paulo. O diálogo entre as duas baterias acrescentou um peso importante e os efeitos noise tirados por Zimmer deram um clima espacial ao show.

Jonas Sá – bem diferente do disco, Jonas apresentou um show mais ousado e quebrado, apoiado por um ótima banda e sua excelente performance frenética no palco.

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Vitrolas Polifônicas – a mistura de samba e rock dos jovens cuiabanos soou promissora, com uma cantora carismática, Maísa Hollanda, roubando os holofotes. O “hit” da banda, “É isso que me excita” – cantado pelo público juvenil a plenos pulmões -, é pura picardia. Pena que a banda anunciou seu fim após o show, por que Maísa vai morar em Belo Horizonte – mas promete carreira solo.

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Herod Layne – provavelmente a banda mais experimental do festival, os paulistanos mereciam um público maior para seu rock instrumental cheio de climas e noise.

Fotos do Marcelo Costa, que também escreveu sobre o festival aqui. Na ordem: Zimmer e a bala de bacon; Holger; Walverdes; Wander Wildner; Nevilton; Caldo de Piaba; Jonas Sá; Cassim & Barbária; Vitrolas Polifônicas

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Uma resposta to “Festival Calango 2009, a cobertura final”

  1. sinewave - net label of post-rock, shoegaze and experimental music » Blog Archive » Herod Layne @ Festival Calango Says:

    […] Leia o texto completo. […]

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