Banda Gentileza lança CD com show em São Paulo

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Eles vêm de Curitiba, mas espantam a atmosfera cinzenta da capital paranaense em sua sonoridade. Unindo viola caipira com saxofone, rock com lirismo, a Banda Gentileza acaba de lançar um disco homônimo multicolorido. Neste sábado, às 20h, a banda faz show em São Paulo, no Espaço +Soma, para divulgar o álbum, produzido por Plínio Profeta. Heitor Humberto, vocalista da banda, conta um pouco da história do sextexto, comenta a cena de Curitiba e fala como foram as gravações do CD na entrevista abaixo.

Banda Gentileza no Espaço +Soma
14 de novembro, a partir das 20h
Rua Fidalga, 98 – Vila Madalena – São Paulo, SP
R$ 10

Esse é o primeiro álbum de vocês. Quais as expectativas?

A expectativa é grande. Várias das músicas que gravamos neste álbum já estavam nos nossos dois primeiros EPs, que foram gravados ao vivo. Apesar desses dois primeiros registros serem mais “crus”, menos trabalhados, conseguimos alguma repercussão em Curitiba, em Santa Catarina e também em São Paulo. Além de possibilitar o trabalho com o produtor Plínio Profeta. Ou seja, a gente acredita bastante no potencial dessas músicas, cada uma apontando para uma direção diferente, mas que ficaram bastante coesas dentro do álbum. E a produção do Plínio foi muito importante nesse sentido, pois as músicas formaram um belo conjunto. E é justamente com essa proposta que a gente espera alcançar novos ouvintes, marcar novos shows e criar novas expectativas.

Como rolou o contato pra trabalhar com o Plínio Profeta?

Quando a gente começou a pensar mais seriamente em gravar um álbum, concluímos que precisaríamos de um produtor bacana que tivesse bastante referência de diferentes estilos e que pudesse entender a nossa proposta. Eu já conhecia o trabalho do Plínio pelos artistas que ele produziu e que, de uma forma ou outra, tinham a ver com a sonoridade Banda Gentileza: Pedro Luís e a Parede, Kátia B., Lenine, Lucas Santtana, Pavilhão 9, O Rappa, Xis, entre outros. Para nós, seria ótimo poder trabalhar com ele. Mandei um e-mail e ele foi bem receptivo, pediu algumas de nossas músicas para conhecer o nosso trabalho. Ele ouviu e disse que tinha gostado da nossa mistura, que topava produzir o nosso disco. Depois disso, foi só conciliar as agendas para iniciar os trabalhos.

Vocês fizeram meio que um reality show das gravações. Teve bom resultado de retorno do público?

O retorno foi ótimo. A rotatividade de pessoas que assistiram ao vivo as gravações foi muito grande. A gente podia acompanhar sempre o número de computadores conectados e chegamos a picos de 40 pessoas simultaneamente (o que pra gente foi sensacional). Teve também o lado de nos aproximarmos das pessoas, pois o pessoal podia escrever no chat. Então eles faziam perguntas, queriam saber qual música estávamos gravando, como estava sendo o processo no estúdio etc. E a gente respondia tudo na hora pela câmera. Além do mais, teve gente que não conhecia a banda, mas assistiu às nossas transmissões por curiosidade e passou a nos conhecer. E por último, teve uma repercussão na imprensa dessa nossa iniciativa, o que atraiu ainda mais pessoas para a TV Gentileza.

Vocês são relativamente novos na cena de Curitiba. Como vocês sentem ela? É bem diversificada, mas por que não vinga tanto quanto cenas de outras cidades? O que falta?

Por partes. Sobre a cena: Há uns meses eu estava convencido de que a cena de Curitiba estava em ebulição, que não demoraria para ser destaque no Brasil. Isso porque dava para perceber que os shows estavam sendo melhor produzidos, as bandas mais preocupadas. Mas quando você toma conhecimento da movimentação e da organização que estão rolando em Cuiabá (meu deus, com moeda própria!), em Vitória, no Circuito Fora do Eixo, tudo com uma cena organizada, com pesquisas, com patrocínio, com ideias novas, é de ficar com o queixo caído. Eu continuo achando que a cena de Curitiba está muito boa, mas fica claro que ainda temos um grande caminho pela frente em termos do que precisamos fazer e aonde queremos chegar com tudo isso. Acho que falta uma visão global para entender o nosso potencial, conhecer o nosso nicho, o nosso mercado. Falta um festival de peso, por exemplo. Recentemente tivemos o De Inverno que está batalhando muito para crescer. Felizmente neste ano foi uma grande edição. Eu espero que ele cresça cada vez mais. Acho que o Ivan e a Adriane estão fazendo a parte deles. Então, na minha opinião, apesar de ser perceptível que as pessoas por aqui estão tentando deixar tudo cada vez melhor, ainda falta alguma coisa. O negócio é se espelhar nas belas iniciativas que estão rolando pelo Brasil para desenvolver algo semelhante por aqui e não apenas olhar para o umbigo e manter o discurso vazio de que “a cena de Curitiba é uma das melhores do Brasil e em breve deve estourar”, pois isso vem sendo repetido há algum tempo e infelizmente não se tornou realidade ainda.

A cena curitibana é bem diversificada mesmo, conta com bandas que se dedicam a diferentes estilos, o que é maravilhoso. Tem ruído/mm, Charme Chulo, Copacabana Club, Sabonetes, Anacrônica, Stella Viva, Chucrobilly Man, só pra citar alguns nomes. São todas bandas curitibanas, mas é impossível dizer que há uma estética, uma cara da cidade. E isso é muito bom, torna a cena muito rica.

O que falta? Na minha opinião, falta parar com essa eterna expectativa de que uma banda curitibana se destaque. E eu acho que essa expectativa, essa cobrança, só vai se encerrar quando algum grupo ou artista da cidade tiver um desempenho comercial e de público semelhante ao Skank, Jota Quest, Titãs ou coisa parecida, já que o Bonde do Rolê, por exemplo, lançou álbum por uma puta gravadora, fez shows importantes, participou de festivais, mas ainda assim a gente espera alguém daqui estourar. No meio independente, ruído/mm lançou um EP super elogiado, o Copacabana Club está subindo cada vez mais, mas parece que ainda não foi o bastante. Então na verdade eu acho que é uma questão de conceito, é uma questão de esperar que uma banda de Curitiba gere repercussão tanto na imprensa quanto entre o grande público. E por que isso ainda não aconteceu? Porque nada do que fizemos até hoje despertou em grande escala a atenção dos críticos, da imprensa, ou das grandes gravadoras. E por que não? Ou porque nunca teve apelo mercadológico ou porque nunca surgiu algo que realmente seja bom o bastante para isso. Se tivesse, a gente não estaria falando sobre isso.

Felizmente, as bandas estão se profissionalizando, trabalhando com produtores importantes que estão sabendo extrair o melhor cada banda, cada qual no seu estilo. Enfim, os grupos estão lançando trabalhos caprichados tecnicamente. Resta agora convencer o restante do país que o produto é bom. E aí a gente volta pro início da pergunta: o que fazer e como trabalhar com o potencial da cena curitibana?

A banda já teve muitas formações?

Algumas. Começamos como um quarteto (duas guitarras, baixo e bateria). Mas quando o nosso amigo Artur começou a tocar trompete, imediatamente o chamamos para testar umas linhas nas músicas que a gente já tinha. Em 2007, gravamos o nosso segundo EP e queríamos mais um metal na banda. Convidamos a Tetê, que tocava saxofone em uma banda feminina (a Toca Toca Errado). Foi aí que viramos um sexteto. Em 2008, depois de dois novos integrantes, tivemos uma baixa: o Jota, guitarrista, acabou saindo da banda e entrou o Emílio. Hoje, apenas o Diogo toca um instrumento (bateria). O resto da banda alterna bastante: o Emílio toca guitarra, violão, bandolim, viola caipira e ukelele. O Diego fica no baixo, mas também se aventura na concertina. O Artur assopra o trompete, toca baixo e guitarra. A Tetê comanda o saxofone e o teclado. Eu vario entre guitarra, violino e cavaquinho.

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Vocês trocam bastante de instrumentos no palco e também usam violino, sopros e tudo mais. Árcade Fire é uma referência?

É uma referência, afinal todos na banda gostam de Arcade Fire. Mas acho que acaba não sendo uma influência direta, pois na hora de compor ou criar arranjos, não nos lembramos deles. A questão de usar vários instrumentos tem sido bem natural: quando alguém arranja um instrumento novo, tentamos ver como ele pode se encaixar na nossa sonoridade. Ou então pode acontecer o contrário: a vontade de explorar uma nova textura nos leva a buscar um instrumento que já tínhamos, mas não usávamos (violino e viola caipira, por exemplo) ou instrumentos que não tínhamos e precisariam ser adquiridos (cavaquinho e ukelele).

Qual o papel e a importância da música caipira e regional no som e na formação de vocês?

São importantes na medida em que nos despertam a vontade de agregá-las às nossas composições. O Emílio toca viola caipira e é o que melhor domina esse estilo dentro da banda, já fez algumas oficinas nessa área. Mas o nosso maior interesse é nos divertir enquanto tentamos descobrir estilos que não temos contato mais direto, como valsa, bolero ou músicas do leste europeu. Enfim, coisas que nos proporcionam passeios agradáveis.

Por onde sai este primeiro CD?

Vamos lançar do próprio bolso mesmo. Faz tempo que sonhamos em lançar um disco de estúdio e resolvemos correr atrás para que ele fosse viabilizado o quanto antes, sem selo ou gravadora. Depois que a primeira tiragem estiver pronta, vamos ver se surgem novas possibilidades.

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2 Respostas to “Banda Gentileza lança CD com show em São Paulo”

  1. Resenhas elogiam show da Banda Gentileza no Espaço +Soma | Agência Alavanca Says:

    […] como foi a apresentação. Antes, o vocalista Heitor Humberto havia conversado com o jornalista Tiago Agostini sobre a história da banda e do CD de estreia. Tags: A Day in the Life, Banda Gentileza, Bloody […]

  2. Dum Says:

    Achei interessante, essa música lembrou Corta Jaca, Arnaldo Baptista, do Singing Alone, mas menos rock do que o Mutante

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