Indie Rock Festival

Há pouco mais de um ano, Gruff Rhys, com o Neon Neon, e Eugene Hutz, com o Gogol Bordello, fizeram shows consecutivos na derradeira edição do Tim Festival em São Paulo. Exatamente como aconteceu na última terça-feira, 10-11, na segunda edição do festival Indie Rock, no Via Funchal, com a diferença que desta vez Gruff veio com sua banda de origem, o Super Furry Animals. Só que desta vez o grande show da noite coube a Gruff.

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A troca de papéis é fácil de explicar. O Super Furry é muito mais banda do que o Neon Neon, projeto paralelo de Gruff e que teve sua apresentação salva pela performance do cantor americano Har Mar Superstar. No Via Funchal a história foi diferente. Mesmo sem muita empolgação e para um público diminuto, o SFA foi ajudado pelo som levemente desajustado, que ressaltava as dissonâncias, distorções e microfonias, e fez um show tão lírico quanto psicodélico.

super furry

Se os aparatos visuais não foram tão sofisticados quanto os da apresentação da banda em 2003, Gruff compensou tudo com bom humor. A série de cartazes que levantou em diversos momentos da apresentação, pedindo aplausos ou gritos de “woah” surtiu efeito com a platéia que, hipnotizada com as harmonias circulares da banda, respondia prontamente. O momento mais divertido destes ficou por conta da faixa “Inaugural Trams”, do disco mais recente da banda, Dark Days/Light Years (2009), em que o guitarrista do Franz Ferdinand Nick McCarthy, que faz vocais em alemão, foi representado por um cartaz.

Os melhores momentos da apresentação ficaram para o final, com as alucinantes “Crazy Naked Girls” e “The Man Don’t Give a Fuck”. A segunda terminou com a guitarras e baixo cruzados no ar. “Keep the Cosmic Trigger Happy” encerrou um show apoteótico, “doido” na medida certa, não deixando nada a dever à apresentação sublime que o Sonic Youth havia feito três dias antes no Planeta Terra.

gogol

Já o Gogol Bordello… Não é que o show seja ruim. Eugene Hutz é um ótimo frontman e violonista, a banda é afiada, o público responde perfeitamente com entusiasmo, pula o tempo inteiro, mas não dá pra deixar de pensar que a banda é um embuste. Confesso que no ano passado me surpreendi muito com a performance deles no Tim, tanto que o show figurou na minha lista de melhores do ano. Então, o que mudou de lá pra cá¿

A diferença é que no show do ano passado havia o fator surpresa. Sempre achei as músicas do Gogol péssimas, uma mistura mal-acabada de influências ciganas e punk. Mas ao me deparar com um espetáculo tão bom, me senti envolvido pela atmosfera do público e pelo clima de festa. No Via Funchal, já sabendo o que iria encontrar, o foco ficou menos na performance visual e mais na musical e, bem, não há presença de palco que mude música ruim. Mesmo assim, a imagem no bis do pequeno público aglomerado pulando ensandecidamente na frente do palco, em contraste com os vazios que tomavam conta do Via Funchal, foi reconfortante para uma terça-feira atípica em São Paulo.

Fotos do Mac

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6 Respostas to “Indie Rock Festival”

  1. Dani Medeiros Says:

    Será que sou tão suspeita assim pra falar do Gogol Bordello? Aquela música é contagiante e não tem mesmo como ficar parado no lugar. Eu enlouqueço com aquele ciganão, fazer o quê? Talvez tenha sido pelo fato de tê-lo visto tocar na Jive na segunda edição da festa carioca, Go East!, em Setembro passado. Vale a pena conferir o tal balkan beats. Dia 20/11 tem a última do ano, apareça! =)

  2. Anderson Innocencio Says:

    a única coisa de subiime do show do Sonic Youth é o fato de terem saído do palco, é como a roupa do rei, ng entende nada, mas acha que é bonito afim de nào aprecer bobo.

    o show do Sonic Youth memorável foi no Free Jazz, pequeno, com um bom público e que sabia o que iria ver, não na disneylandia indie… adoro seus posts, mas o show do Sonic foi constrangedor, fez jus ao tapa-buraco que o Terra fez para não tomar uma surra tão grande do Maquinaria

    sobre o Gogol, tentei exaustivamente, mas nào consigo, realmente a música é fraca, ele é engraçado, mas acho que faria mais sucesso com uma stand up comedy do que com um show de rock, além disso, esse festival Indie Rock é uma piada… nunca dá certo, qdo escolheram as bandas certas (no ano do Dandy Warhols) cancelou.

    uma pena

  3. arlen Says:

    Não sei porque algumas pessoas acham que quem gosta de Sonic Youth ou outras coisas experimentais “não entende” ou curte para parecer descolado. Primeiro que muitas vezes tu não precisa entender algo para gostar o lance da arte nem sempre inclui “entender” a proposta.

    O Super Furry é uma grande banda, queria muito ter ido no show. Achei um tanto estranho eles tocarem depois do Gogol, embuste certo.

  4. Anderson Innocencio Says:

    Super Furry é uma baita banda cara, justamente pq não quer ser mais do que é. o grande problema do Sonic Youth é a carência dos fãs em não admitir que virou uma merda e continuar idolatrando qualquer microfonia no palco. Isso não é entender a proposta, é ser blasé. também concordo com o motivo que o fez tocar antes do Gogol, não mereciam. mas o grande problema do mundo indie é isso, as pessoas acham que gosta, acham q conhecem, vivem de achismos, e como o Sonic Youth é avesso ao som da grande massa, vira referência, mas pq mesmo? ng sabe. nem os fãs! é uma banda falida e o próprio Thurston Moore fala isso, se arrepende profundamente de ter continuado.

    outra banda que eu acho que é badalação demais é o tal do Beirut, pra mim, ele e o Gogol são farinha do mesmo saco.

  5. Saulo Pordeus Says:

    Nunca tinha visto o Sonic Youth ao vivo, e gostei muito do show, prendeu a atenção de muita gente que não conhecia o som deles, inclusive um amigo meu. Pra quem vive do passado, ouçam o cd novo do Sonic Youth primeiro, e comparem com os primeiros cds, vcs vão ver que a banda não toca igual, não compõe igual, e nem por isso a banda deixou suas raízes. Quanto ao show do Free Jazz, óbvio que deve ter sido melhor, pq um show desses sempre é melhor em um lugar menor, mas este no Planeta Terra foi mto bom tb.

  6. Tiago Says:

    Vou dar meus pitacos, beleza?

    Dani, o ciganão não me convence. Me enganou por um tempo, mas não o suficiente. Mas talvez seja eu que seja muito ranzinza, hehehe =)

    Sobre o Sonic Youth: realmente o consenso é que o grande show da banda no Brasil foi o Free Jazz, e o do Claro uma grande merda. Não vi nenhum dos dois, então não posso falar. Não sou grande fã da banda, não acho bom os momentos em que resolvem ficar fazendo barulinho, distorção e microfonia eternos, mas quando se põe a escrever canções “pop” de 3 minutos à Sonic Youth eles são muito bons. O show do Terra não teve hits, mas foi muito bom musicamelmente, com a entrega de todos eles no palco, Thurston incluso. Uma banda tocando com tesão. Conquistaram até a mim, que não sou fã.

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