Charme Chulo lança segundo CD, Nova Onda Caipira, com show em São Paulo

charme

Eles sintetizam a dicotomia entre modernidade e tradição como poucas bandas em atividade no Brasil hoje. A proposta sonora do Charme Chulo é uma das mais ousadas da atual cena musical brasileira: fundir viola e música caipira com o pós-punk dos anos 80, as duas principais influências dos primos Igor Fillus (voz) e Leandro Delmonico (viola e guitarra). Se na estréia eles lembravam bastante os Smiths, no segundo disco, Nova Onda Caipira, o quarteto de Curitiba resolveu levar a mistura a seu extremo, acentuando a presença dos ritmos regionais. Recheado com uma nostalgia sincera, Nova Onda Caipira é um disco de rock concebido e gravado para dialogar com as grandes massas.

Nesta quinta-feira, 03/12 (também conhecida como hoje à noite), o Charme Chulo faz o show de lançamento de seu disco em São Paulo, no Sesc Vila Mariana, às 20h30. Com participação especial de Gustavo Martins, do Ecos Falsos, o show custa R$ 12,00. Você pode ouvir o disco na íntegra no MySpace da banda.

O Charme Chulo conversou com o blog sobre as mudanças e evoluções neste disco novo. Confere abaixo.

No primeiro disco vocês gravaram “Intriga de cinco pessoas”, que fala sobre a cena de Curitiba. Alguma coisa mudou nesse tempo que se passou ou a música continua atual?

Igor: “Intriga de cinco pessoas” continua atual por que ela trata sobre uma questão cultural da nossa cidade, não apenas sobre a cena musical especificamente, mas sobre uma coisa mais ampla, algo que sentimos em todos os meios artísticos e intelectuais de Curitiba. Ela é sobre vários mitos e traumas que existem por aqui, da frustração da cidade não ter tido nenhuma grande e clássica banda de rock nacional, da população ter a tendência de não consumir e valorizar o que é produzido aqui, do público ser o mais chato e difícil do país (o que soa como exigência, mas pode ser ignorância ou timidez), de tudo isso

O nome do disco é Nova Onda Caipira. Vocês pretendem lançar tendência com isso? É um projeto ambicioso?

Leandro: Nova Onda Caipira é um titulo dúbio, como muitas coisas no universo do Charme Chulo. Um dia eu estava andando de ônibus e comecei a rir sozinho do termo “new rave”, usado pra definir novíssimas bandas do cenário inglês, então eu pensei, vamos lançar a Nova onda caipira, ironizando o movimento criado pelos jornalistas britânicos, por outro lado, achei legal essa coisa de lançar tendência,Recentemente conhecemos duas bandas que também são consideradas rock caipira, Matuto moderno de São Paulo e Os Pamonheiros de Piracicaba, e o mais interessante é que as duas bandas são boas e não se parecem com o Charme Chulo, ou seja, temos um pequeno movimento de bandas desse gênero. Sendo ambiciosos ou não, queremos mostrar que o Folk brasileiro é a música caipira de raiz, tião carreiro e Tonico e Tinoco ainda são pouco valorizados, como muita coisa histórica no país.

Como foi o processo de composição e gravação do disco?

Leandro: Foi empolgante e muito cansativo. Durante os shows de divulgação do nosso primeiro disco começamos a compor sem muita pressa, então o Igor alertou a banda de que precisávamos pensar no segundo disco de uma forma mais concreta, deveríamos aumentar o ritmo de trabalho se a pretensão fosse lançar o segundo disco num tempo razoável, algo que daria uma boa continuidade à carreira da banda. Isso gerou um pouco de “stress” na pré-produção e gravação, afinal, muitos arranjos estavam crus e tivemos que criar alguns detalhes no estúdio mesmo.

O mais importante é que sabíamos o que queríamos do disco, nosso estilo foi contrastando com a opinião dos técnicos e co produtores, houve uma equalização das idéias, mas o resultado final foi bastante satisfatório. Isso tudo me ensinou que a inspiração é realmente menor que a transpiração no processo todo, Nova onda caipira demorou 8 meses pra ficar pronto , o disco foi gravado em 4 cidades diferentes.

Que tipo de sonoridade vocês quiseram buscar nesse disco?

Igor: Neste segundo disco basicamente buscamos afirmar e evoluir o estilo que chamamos de Rock Caipira. Este estilo foi esboçado de leve pela banda no primeiro disco, mas agora ele mostrará mais as caras, resultando numa sonoridade mais brasileira, músicas mais resolvidas, influências roqueiras oitentistas desta vez mais para o estilo new wave, que aproveita o trocadilho do título do álbum: “Nova Onda Caipira”.

Uma coisa que dá pra notar por “Fala Comigo Barnabé” é que ela une os dois lados de vocês como talvez nenhuma música do primeiro unisse (tem a caipirice da viola, mas o ritmo é mais quadrado e anos 80 pós-punk). Acha que vocês conseguiram misturar melhor as influências e referências nesse disco? Por quê?

Leandro: Esse disco aparenta mais unidade que o primeiro, isso foi uma das buscas da banda, no álbum de estréia existem momentos em que a troca da viola pela guitarra é muito brusca, procuramos amenizar isso nesse trabalho, adicionando mais violões e elementos regionais na maioria das músicas, acho que fomos mais corajosos também, a primeira faixa do novo trabalho é uma moda de viola, em compensação Fala comigo, barnabé! tem um lado pop inédito na banda, a proposta era exatamente essa, diluir mais o caipira e usar um rock mais direto para expressar isso, eu diria que trabalhamos muito também, pode não parecer mas existe um pouco de pesquisa no Charme Chulo , como combinar ritmos diferentes sem que um atrapalhe o outro é um exemplo disso, acho que nos saímos bem.

Qual foi a grande evolução de vocês do primeiro pra esse segundo disco?

Igor: Como eu disse, musicalmente a maior evolução foi sabermos valorizar mais o nosso diferencial como banda e proposta sonora, que é a mistura do Rock Caipira. Essa com certeza deve ser a melhor contribuição da banda para a música e também o que aumentará as chances da gente alçar vôos mais altos a partir deste disco. E pessoalmente a estrada é sempre a melhor maneira de evoluir, muitos shows neste tempo todo, a banda apresenta muito mais segurança e presença de palco hoje, de produção também (banda se autoproduz), de profissionalização também, em fim, quando uma banda independente lança um segundo disco é porque ela vem pra ficar!

O que representou a saída do Peterson da banda, musicalmente? (o baixista Peterson saiu da banda logo após a gravação de Nova Onda Caipira)

Leandro: Considerávamos a formação que gravou o primeiro disco a oficial. O que mais fez falta num primeiro momento foi a presença dos vocais que havíamos construído ao longo do tempo. Ele tinha muita afinidade com a gente nas ideias da banda, tanto que esse disco já traz uma composição assinada por ele, “Vida Moderna”. Apesar disso, o Charme Chulo se adaptou rapidamente ao Luciano, estamos num bom momento.

Como estão os shows de lançamento? Tem alguma surpresa pro show de São Paulo?

Leandro: Lançar um segundo disco é muito interessante, a gente acha que tudo vai mudar de uma vez e não é bem assim, fizemos alguns shows de transição, mostrando um pouco do repertório novo. Este show de São Paulo segue o padrão do que fizemos no SESC lá em Curitiba, vamos tocar o disco novo inteiro mesmo. O bacana é que o show tem uma produção maior do que a habitual, as projeções funcionam no lugar do cenário e os músicos convidados dão um toque a mais na apresentação. No sul o resultado foi muito legal, o público elogiou muito, vamos ver como rola por aqui. Estamos ansiosos.

Esse disco tem várias letras com críticas políticas e sociais. Foi algo pensado?

Leandro: Acho que o disco todo está mais direto, gostamos mais de fazer críticas culturais de forma sutil, só que o próprio caipira tem essa coisa forte e sincera. Acho que foi um pouco pensando sim,   o som e as letras seguem esse estilo.

Ao mesmo tempo o disco tem algumas letras sobre essa raiz interiorana de vocês, como em “Nova Onda Caipira” e “Galo Maringá”. É um exercício de auto-afirmação?

Leandro: Isso, pode se dizer que sim (risos). O Charme Chulo do primeiro disco é um pouco misterioso, resolvemos chutar o balde mesmo e falar de algumas coisas que todo mundo sabe o que é. Temos uma coisa muito forte pelo nosso estilo, é meio que uma filosofia de vida , a letra de “Nova Onda Caipira” fala bem disso, enquanto em “Galo Maringá” o Igor trata de uma poesia mais clássica, saudade da terra e tal.

“Rádio AM” é uma crítica a misturas sonoras? Ou uma letra irônica?

Leandro: É uma letra louca na verdade, muitas vezes começamos uma música pelo titulo, eu tinha um riff dançante e achei que combinava com rádio AM. A partir daí desenvolvemos a letra em cima do universo da rádio AM, ela fala um pouco da periferia, onde os costumes antigos se misturam com outros, que são caóticos, trata de todo esse universo conhecido em todo o país.

De onde veio a inspiração para “Galo Maringá”? O tema dessa musica (a saudade de casa, basicamente) é recorrente nas músicas caipiras, gaúchas. Como foi escrever algo nessa linha e mesmo assim conseguir soar original e inovador?

Leandro: Eu e o Igor nascemos em Maringá. Além disso, a cidade se tornou um lugar muito especial para a banda, nossos shows são aguardamos por lá. Eu acho que na hora de compor algo assim você tem que se entregar e não pensar muito. Tem uma música caipira muito famosa chamada “Cabocla Maringá” , ficou muito conhecida na voz de Tonico e Tinoco. A nossa música faz uma certa referência a ela, então acho que o Igor juntou um monte de coisa , assim com o time da cidade que é conhecido por Galo Maringá, e fez a música, queríamos mesmo fazer algo nessa linha clássica e se soa inovador é surpreendente pra gente, a ideia era fazer uma boa canção.

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17 Respostas to “Charme Chulo lança segundo CD, Nova Onda Caipira, com show em São Paulo”

  1. Eduzo Says:

    Pode crer… é rock puro.. nunca vi rock tão bom como essa BOSTA de MERDA PURA!

  2. Fábio Armando Pinto Says:

    É ruim de doer, gosto do caipira e mais ainda do rock e etc…Sabe quando comprarei esta m…?
    NUNQUINHA, acorda galera, meu ouvido não é pinico…

  3. Amanda Says:

    Acho que essas ‘músicas’ são ‘moderninhas’ demais pra mim! Aliás, esse tipo de som não deve agradar muita gente.

  4. Leandro Says:

    Pessoal , charme chulo é muito bom
    vocês tem que ver o show de hoje.
    ai vão entender melhor a banda.
    espero vocês lá

  5. Flavio Says:

    sinceramente.. essa musica do clip aí é muito ruim.. nossa..

  6. Francisco Costa Says:

    EU RESPEITO MAIS NÃO FÁS MEU GENERO, ISTO É A PURA LOUCURA E MUITO BARULHO, PARA POUCA MUSICA.

  7. Mari Says:

    Gente se vcs não curtem este som para que escrachar? Se não curtem não deveriam nem ter entrado aqui pra dar opinião, certo? Vão procurar o que fazer pra não ler entrevista que não interessa!!! Gosto da banda já assisti show e tb comprei cd e ainda vou comprar o último, um abração pra turma do Charme Chulo.

  8. Rodrigo Says:

    Bom, eu ouvi antes de dizer qualquer coisa (não sei se os comentaristas acima fizeram o mesmo. E é melhor que muita banda que tem por aí, um som contemporâneo que quem curte rock com cereza vai achar pelo menos legal. Só acho que tem rock sulista demais e caipira de menos. Essa parte caipira poderia ser explorada além de somente ter uma viola na banda. Acho que a sonoridade poderia ter mais de caipira.

    Eu acho que na pobre pobre música atual brasileira tá faltando isso mesmo. Ousar e, quem diria, misturar. Chega da cultura de MPB, Forró, Pagode, Sertanejo, Axé. VAMOS MISTURAR.

  9. Henrico Says:

    Achei inteligente a música do clip, vou conferir, quanto aos “entendidos” aí, devem ouvir NXZero ou Funk Carioca HAUAHUAUHAUA comecem a pensar minha gente!

  10. Henrico Says:

    Melhor banda deste país maluco!

  11. Gustavo Pelogia Says:

    Sou fã, não só do som, mas também dos caras. O Igor é um cara muito centrado, muito pé no chão, tem um puta respeito por todo mundo.

    É por isso que estarei hoje lá, cantando com com o Barnabé! :p

  12. Fernando Says:

    Banda muito boa mesmo.Gostando bastante desse segundo cd,eu tenho o primeiro,que é muito bom também.Pena que não deu pra ver algum show deles.Espero que ainda veja.

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