Archive for janeiro \28\UTC 2010

O Festival Alto Verão – e algumas considerações sobre shows

janeiro 28, 2010

Quem não foi ao Festival Alto Verão perdeu quatro shows sensacionais, em um local com som e iluminação perfeitos. Simples assim. Ver o Macaco Bong tocando com convidados e ampliando seu som como eu nunca poderia imaginar e o Móveis dividindo a plateia para cantar as linhas de sopro no final de “Indiferença”, tal qual Simonal fazia em “Meu Limão, Meu Limoeiro”, foram dois momentos para guardar na memória. Pra tentar exprimir o que foram os shows, selecionei os vídeos abaixo. Mais sobre o festival na edição de fevereiro da Rolling Stone =)

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Falando em bons shows, o período pré-carnaval, quando São Paulo tradicionalmente está mais vazia por causa das férias escolares e do verão, se revela um dos melhores para os amantes da música. Não sei qual o motivo, mas janeiro e fevereiro costumam ser lotados de shows ótimos. Nesse ano, além do Festival Alto Verão, já rolou Los Piratas, Mombojó, Instituto tocando Pink Floyd, Mockers tocando Beatles pós-66.

E tem mais por vir. Sábado agora o Lucas Santanna toca no Studio SP, no outro fim de semana tem shows especiais armados pelas meninas da Alavanca no CCSP, com Banda Gentileza e Nevilton, e o CB ainda abre todas as quintas do próximo mês para shows de Curumin, Numismata, Rômulo Fróes e, pra fechar com chave de ouro, os cariocas do Do Amor.

Pra se ter uma ideia, nos dois primeiros meses de 2009 eu vi Móveis, Autoramas, Cachorro Grande, Supercordas, Cérebro Eletrônico, Little Quail & The Mad Birds, Fino Coletivo. Só show de primeira.

Melhores de 2009

janeiro 28, 2010

Eu sei que o ano novo já está avançando bem, mas nunca é tarde pra soltar uma lista. Essa semana o Mac colocou no ar o Melhores do Ano do Scream & Yell, com o voto de 68 jornalistas e músicos brasileiros. A lista do Scream costuma ser a mais equilibrada que sai no país, pela quantidade de votantes e pela transparência do processo – os votos estão todos abertos para quem quiser ver e recontar. A minha lista completa dá pra ver aqui, mas, como 2009 foi um ano sensacional para a música brasileira, acho que listar apenas cinco discos é pouco. Por isso, aí embaixo está o meu Top 10 discos do ano.

1 – Uhuuu! – Cidadão Instigado

2 – C_mpl_te – Móveis Coloniais de Acaju

3 – Vagarosa – CéU

4 – No chão, sem o chão – Rômulo Fróes

5 – Life is a big holyday for us – Black Drawing Chalks

6 – Tudo que eu sempre sonhei – Pullovers

7 – Banda Gentileza – Banda Gentileza

8 – The Way Opa! – Superphones

9 – Certa manhã acordei de sonhos intranquilos – Otto

10 – Cassim & Barbária – Cassim & Barbária

P.S.: E se é pra falar de boa música brasileira, dá uma lida nesse texto do Pedro Alexandre Sanches sobre a caixa do Jorge Ben – e de quebra na entrevista completa que ele fez com o “homem da gravata florida” pra Trip. Saca abaixo o começo do texto sobre a caixa:

“Em 1967, aconteceu um congestionamento de movimentos musicais no Brasil. A tropicália foi o rótulo vencedor do acirrado campeonato, mas até que essa definição se consumasse o futuro da música pop brasileira hesitou entre apelidos como pilantragem, som universal, samba jovem, jovem samba, samba brasinha, toada moderna. Se tantas vertentes (tropicália incluída) pudessem ser somadas, resumidas e transfiguradas em gente, o movimento teria um só nome: Jorge Ben.

Figura referencial de todos aqueles balões de ensaio, esse músico carioca ímpar saltaria dos bastidores, onde se encontrava em 1967, para o trono nunca largamente reconhecido de artista mais influente da música brasileira dos anos 1970 adiante.”

Rock no Carnaval

janeiro 28, 2010

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Quer fugir da comemoração tradicional e curtir shows legais no carnaval? Opções não faltam pelo Brasil. O festival Rec-Beat  completa 15 anos em Recife e já faz parte da programação oficial do carnaval da cidade, um dos mais variados e ecléticos do Brasil. Este ano, entre os dia 13 e 16 de fevereiro, o festival traz cinco bandas internacionais para tocar – Cabezas de Cera (MEX), Ojos de Brujo (ESP), Puerto Candelária (COL), Magic Slim (EUA) e Madensuyu (BEL) – junto com novos e bons nomes da cena recifense e brasileira, como Volver, Cidadão Instigado, A Banda de Joseph Tourton, Lucas Santanna e Caldo de Piaba. O evento ainda ganha uma perna paulista, com shows no Sesc Pompeia entre os dias 18 e 20 de fevereiro.

Ainda em Recife, quem quiser pode ver show da Nação Zumbi no Campo de Chão de Estrelas, no dia 14, e na Praça da Várzea, dia 15. Ou então se divertir com a dobradinha Mombojó e Jorge Ben no Pólo Nova Descoberta, no dia 14.

O Festival Grito Rock, que acontece em mais de 40 cidades pelo país é uma ótima opção. A programação de cada cidade ainda está sendo definida, mas você pode acompanhar a movimentação aqui. Em São Paulo tem show do Macaco Bong e do Porcas Borboletas, no dia 12, no Studio SP. Já em Floripa tem show do Cassim & Barbária na Célula. E também na Ilha da Magia, na segunda-feira, dia 15, a festa Devassa recebe o baixista do New Order, Peter Hook, para uma discotecagem no Confraria das Artes.

SERVIÇO

REC-BEAT RECIFE
SÁBADO – 13/02
00h30 Puerto Candelária (Colômbia)
23h10 Lucas Santtana (BA)
22h00 Renegado (MG)
21h00 Zé Manoel (PE)
20h00 Radistae (PE)

DOMINGO – 14/02
00h30 Gabi Amarantos (PA)
23h10 ** A definir **
22h00  Magic Slim (EUA)
21h00 Volver (PE)
20h00 A Banda de Joseph Tourton (PE)

SEGUNDA – 15/02
00h30 Ojos de Brujo (Espanha)
23h10  ** A definir **
22h00 Madensuyu (Bélgica)
21h00 Stela Campos (SP)
20h00 Diversitrônica (PE)
17h00 Recbitinho: Circo In Bottiglia : Il Transporto Umano

TERÇA – 16/02
00h30 Original Olinda Style – Eddie + Orquestra Contemporânea de
Olinda (PE)
23h10 Cabezas de Cera (México)
22h00 Cidadão Instigado (CE)
21h00 Caldo de Piaba (AC)
20h00 Mestre Galo Preto (PE)

"Não fosse o bom humor"

janeiro 25, 2010

Esse aí de cima é o clipe de “Não Fosse o Bom Humor”, música que dá nome ao single que o Superguidis lançou há algumas semanas, preparando o público para o terceiro álbum, que já está pronto e sai este ano. Mais um ótimo exemplar do indie-rock guitarreiro e sincero desses gaúchos. O single ainda vem com uma versão acústica, dupla e arrepiante de “Malevosidade”, simplesmente uma das canções juvenis (isso é um elogio) e urgentes mais sinceras lançadas no rock nacional. Clica na capa do single aí embaixo e baixa “di grátis”.

Superguidis_Single_Capa

"Let It Be" em russo

janeiro 20, 2010

Me mandaram o vídeo acima hoje pelo twitter. A versão é bem bizarra, com coro de crianças e um arranjo pra lá de duvidoso. Aí um amigo comentou que as rimas eram estranhas e eu fiquei pensando que, na verdade, sobre isso, deve ser como se os russos ouvissem a versão do Kiko Zambianchi pra “Hey Jude”.

E aí, qual das duas é pior?

Festival Alto Verão traz cena independente para tocar no Auditório Ibirapuera

janeiro 14, 2010

Sabe o que é o vídeo acima? Um pedaço do ensaio do Macaco Bong para os shows deste final de semana (dias 15 e 16/01) no Festival Alto Verão, que rola no Auditório Ibirapuera. O trio instrumental de Cuiabá preparou uma apresentação especial e em algumas músicas vai assumir ares de big band, com participações especiais do pianista Vitor Araújo, do naipe de metais do Móveis Coloniais de Acaju, de Siba no violino e do percusionista Jack, do Porcas Borboletas. Dá para sentir pela gravação acima o quão diferente e bom está ficando o show. O som do Macaco Bong ganha em peso e melodia com as participações. Um show para não se perder. (No finzinho do post tem mais um vídeo dos ensaios).

O Festival Alto Verão ainda traz shows de Hurtmold (17/01), Móveis Coloniais de Acaju (22 e 23/01) e Cidadão Instigado (24/01), num belo panorama do cenário independente brasileiro. O Móveis, inclusive, aproveita as apresentações para gravar um DVD em parceria com o Canal Brasil, que deve ser lançado em abril deste ano. Os ingressos custam R$ 30 para cada shows, sendo que quem quiser assistir a todos pode comprar um pacote promocional de R$ 80. Estudante paga meia nos dois casos.

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SERVIÇO
FESTIVAL ALTO VERÃO, no Auditório do Ibirapuera (SP)
HORÁRIO: sexta e sábado às 21h, domingo às 19h
SHOWS: Macaco Bong (15 e 16/01), Hurtmold (17/01), Móveis Coloniais de Acaju (22 e 23/01), Cidadão Instigado (24/01)
PREÇO: R$ 30 cada show (R$ 15 meia). R$ 80 pacote promocional para todos os shows (R$40 meia)
ENDEREÇO: Parque do Ibirapuera (saiba como chegar ao local)

"Não precisamos saber pra onde vamos, nós só precisamos ir"

janeiro 12, 2010

Humberto Gessinger é um gênio incompreendido do rock nacional? Nessa segunda, 11 de janeiro, foi o aniversário de 25 anos do primeiro show do Engenheiros do Hawaii e o assunto gerou comoção no twitter, o que me levou à pergunta anterior. Fato é que a banda sempre possuiu uma relação de amor e ódio com crítica e público desde que lançou o primeiro disco, Longe Demais das Capitais, lá em 1986.

Eu, particularmente, só fui saber que não era legal gostar de Engenheiros quando entrei na faculdade. Até então, quando morava na minha querida Curitibanos, Humberto e sua trupe eram unanimidade e garantia de show lotado. Aí um dia eu comecei a ver as reclamações sobre os jogos de palavra simples das letras, do instrumental recalcado e retrô, mezzo progressivo mal tocado. E, bem, há coisas indefensáveis sobre o Engenheiros (como a letra de “Parabólica”, por exemplo), mas a banda – e Humberto, principalmente – pagou o preço de ter seguido à risca suas convicções durante toda a carreira.

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O Miranda, quando entrevistou o cantor para a Bizz, disse que finalmente tinha entendido qual era a da banda: eles são caras que tomam leite no café da manhã. Em suma, pessoas normais, a antítese do que você espera de um rockstar. Por causa desse seu “jeitinho” normal e mais recluso, acabou que o Engenheiros nunca fez parte de turma nenhuma na história do rock nacional, trilhou um caminho paralelo e próprio, mesmo sendo da geração do rock 80, ficarando à margem da turma formada por Legião, Titãs, Paralamas. E mesmo na terra natal eles também eram excluídos – imagina, o Engenheiros valorizava a chamada MPG (Música Popular Gaúcha), tudo que Miranda, Replicantes, Cascavelettes e toda aquela turma do rock gaúcho odiavam. Até regravar música do Gaúcho da Fronteira (vídeo abaixo) eles regravaram.

Existe uma história sobre a gravação de “Terra de Gigantes” que explica esse posicionamento de “fazemos o que queremos, do nosso jeito”, uma atitude meio rebelde sem causa juvenil. Quando a banda gravava o segundo disco, A Revolta dos Dândis, um produtor que passava pelo estúdio ouviu a música e achou muito boa, dando a dica de que se a banda acrescentasse bateria à canção aquele seria um hit fácil. De birra, a música tem uma bateria que entra e sai – e a letra nem entrou no encarte. Mas a banda continuava fazendo sucesso, então as “irreverências” serviam para fortalecer o elo com o público.

Daí pra frente o Engenheiros construiu uma carreira linear e sem problemas de popularidade, sem ter que apelar para discos acústicos ou de versões para resgatar a fama – fenômeno bem diferente de todos de sua geração. Aliás, quando quase ninguém sabia o que era o tal formato acústico no Brasil a banda lançou o sensacional disco ao vivo Filmes de Guerra, Canções de Amor, em 93, último registro com o guitarrista Augusto Licks e que traz versões intimistas e recheadas de sentimentalismo para as canções. Na contramão do público, o egocentrismo e a mania de Gessinger de trocar as formações da banda tal qual um Sílvio Santos ajudaram a aumentar o ranço da crítica com o cantor e a banda.

Por isso é legal ver tanta gente citando letras de músicas de Gessinger no “Engenheiros do Hawaii Day”, que rolou no twitter para comemorar os 25 anos do primeiro show – aqui você confere tudo que foi postado. Porque Humberto Gessinger pode não ser nenhum gênio, errar muito quando insiste em jogos de palavras, mas quando acerta ele costuma ser muito bom.

P.S.: A quem interessa possa, os versos que eu postei no twitter e quem para mim são grandes acertos poéticos de Gessinger foram:

– “Viver assim é um absurdo como outro qualquer Como tentar o suicídio ou amar uma mulher” (de “Muros e Grades”)
– “
Pergunte ao pó por onde andei há um mapa dos meus passos nos pedaços que eu deixei” (de “Ando Só”)
“Não importa se só tocam o primeiro verso da canção, a gente escreve o resto sem muita pressa, com muita precisão” (de “Exército de um Homem Só”)
“A dúvida é o preço da pureza, e é inútil ter certeza” (de “Infinita Highway”)
“Devolva-me o que voce levou ou leve-me contigo, perca-se comigo” (de “Faz Parte”)

E pra quem achava que o Felipe Dylon tinha sido pioneiro nessa loucura de fazer rastafári

Se o ano começa com música…

janeiro 7, 2010

dj

Chega de mini-férias no blog! E aí, como foi o seu começo de ano?  Por aqui 2010 não poderia ter começado de melhor maneira. Após uma festa de virada sensacional em casa, cheia de amigos e gente querida, já no sábado, dia 02, eu e o Mac discotecamos na festa do Urbanaque, dos chapas irmãos Dias, na Funhouse. Durante boa parte da faculdade eu era o responsável pelo som nas festinhas, mas brincar de DJ em balada mesmo esta foi a segunda vez. E foi muito bom. Eu e Mac tínhamos decidido fazer um set só com hit, para o povo se acabar dançando – e acabou que acho que, como toquei antes, até atrapalhei o set dele. No final, sem ordem prévia (tá, eu assumo que a sequência ao redor de “Lisztomania” foi programada) e com quatro CDs, a discotecagem ficou mais ou menos assim.

“The Good Life” – Weezer

“Next to You” – Police

“Disco 2000” – Pulp

“Beautiful Ones” – Suede

“Great DJ” – Ting Tings

“Just Like Heaven” – The Cure

“Lisztomania” – Phoenix

“Modern Love” – Bowie

“Blister in the sun” – Violent Femmes

“Dashboard” – Modest Mouse

“Steady As She Goes” –  Raconteurs

“Hard to Explain” – Strokes

“Sparky’s Dream” – Teenage Fanclub

“Girls & Boys” – Blur

E era pra ter rolado essa aí de baixo também, mas o tempo se acabou

A foto do começo do post é da Capitu e não é na Funhouse, hehehe.

Brasil ganha ferramenta online de agendamento de shows

janeiro 5, 2010

toque no brasil

O circuito brasileiro de shows ganhou nesta terça-feira, 05 de janeiro, uma importante ferramenta para facilitar o agendamento de turnês pelo país. A plataforma Toque no Brasil é uma rede social que pretende dar condições de que toda negociação para o fechamento de um show seja virtual, direto entre artista e contratante. A primeira grande experiência é o festival Grito Rock, que acontece em fevereiro em várias cidades do Brasil e terá mais de 500 vagas disponíveis para bandas no site, com inscrições aberta até o dia 15 de janeiro. Basta entrar, se cadastrar e entrar com os locais onde você queira tocar e começar a negociação.

O próximo passo é que contratantes e bandas possam se avaliar na ferramenta, mais ou menos como acontece no eBay e MercadoLivre. O modelo já é utilizado fora do Brasil, como o americano SonicBids.com, que facilita o agenciamento de cerca de 60 mil shows por ano nos Estados Unidos. Mas Fabrício Nobre, presidente da Associação Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin), faz uma importante ressalva: “a ferramenta é apenas uma plataforma virtual de negociação. Os esforços, tanto de investimento para a circulação e outros, deverão ser feitos pelos agentes envolvidos na transação e não pelo TNB”.

O projeto surgiu de uma parceria entre a Abrafin, BM&A (Brasil Música & Artes – entidade conveniada à APEX), Circuito Fora do Eixo e Casas Associadas.

"Hold me closer tiny dancer"

janeiro 1, 2010

Uma das melhores cenas do meu filme preferido para começar o ano com as melhores vibrações possíveis. Que 2010 seja um ano ótimo para todos.

___o___