Archive for março \31\UTC 2010

“Eu só saio dessa cama quando você me disser decidida que me ama”

março 31, 2010

Pense numa versão 2010 para “Como 2 e 2”, do Caetano. Não precisa ir muito longe: está aí no vídeo acima. “Cama”, música que estará no disco Deus e o Diabo no Liquidificador, do Cérebro Eletrônico, é desde já, mesmo sem ser lançada, uma das grandes músicas de 2010. O álbum chega ao público no final de junho, mas você pode ir acompanhando as gravações no hotsite especial que a banda construiu.

Mais que isso, você pode conferir “Cama” ao vivo no dia 16 de abril, na segunda edição da Festa Scream & Yell. Depois do ótimo show do Charme Chulo na estreia, é hora de aumentar ainda mais as good vibes na Casa Dissenso. Sou suspeito em falar, mas ó, festão, showzão. Marca na agenda e aparece lá que a gente bate um papo e bebe uma cerveja.

“Mais que anormal, eu devo ser”

março 29, 2010

Dias 24 e 25 de abril o Pato Fu faz, no Teatro do Sesc Pompeia, aqueles que prometem ser os melhores shows nacionais a passar por São Paulo neste mês. Este textinho que eu fiz do primeiro show que vi deles, no mesmo local, dá uma boa dimensão do que deve rolar. O show ainda é da turnê do disco “Daqui Pro Futuro”, mas sabe-se que a banda entrava em estúdio em fevereiro para gravar seu décimo disco. Quem sabe já não rolam músicas inéditas?

Para entrar no clima, coloco aqui uma coleta que fiz para a Babee do lado mais “calmo” e melódico do Pato Fu. O tracklist se concentra na década 00 – que era o primeiro objeto da coletânea – mas inclui algumas coisinhas dos 90. Para ouvir no repeat e animar uma tarde cinzenta e melancólica de chuva.

1 – O Amor em Carne e Osso
2 – Nada Original
3 – Imperfeito
4 – Um Ponto Oito
5 – Vida diet
6 – 30.000 Pés
7 – Agridoce
8 – Nada Pra Mim
9 – A Verdade Sobre o Tempo
10 – Me Explica
11 – Vagalume
12 – Tribunal de Causas Realmente Pequenas
13 – Anormal
14 – A Hora da Estrela
15 – Quase
16 – Sorria, Você Está Sendo Filmado

“Eu vou namorar com esta negrinha”

março 24, 2010

Para não parecer que eu só falo do Franz Ferdinand, saca essa versão bacanérrima de Ramones abaixo.

E ontem o Teenage Fanclub divulgou as datas de lançamento de seu novo álbum. Shadows sai dia 31 de maio na Inglaterra e no dia 1º de junho nos Estados Unidos. Junto com as datas, eles mostraram o setlist (abaixo) e colocaram a música “Baby Lee” para audição – baixa aqui. Parece que vem coisa boa por aí.

Tracklist:

  1. Sometimes I Don’t Need To Believe In Anything
  2. Baby Lee
  3. The Fall
  4. Into The City
  5. Dark Clouds
  6. The Past
  7. Shock And Awe
  8. When I Still Have Thee
  9. Live With The Seasons
  10. Sweet Days Waiting
  11. The Back Of My Mind
  12. Today Never Ends

“If it’s crowded, all the better”

março 24, 2010

Escrever sobre música tem dessas coisas. Você se acostuma a ir aos shows e ficar prestando atenção nos mínimos detalhes: o som estava bom, nítido, alto? E a interação da banda com o público? Eles tocaram as músicas com tesão? Teve algum arranjo diferente? E aquela hora que o baterista errou uma entrada? Putz, o vocalista desafinou feio na terceira música. Porra, lá vem mais um artista gringo usar a demagogia de voltar pro bis com a bandeira/camiseta da seleção brasileira. E tudo isso mesmo quando você não está cobrindo o show, o que torna o ato muito mais contemplativo do que participativo. Eu sei, coisa de gente chata, que fica procurando defeito em tudo.

Nesta terça-feira, no show do Franz Ferdinand, eu me propus me despir de todo esse ranço de crítico. Era meu terceiro show da banda, eu não estava lá para cobrir para ninguém – comprei o ingresso, inclusive – e, bem, já tinha escrito dois textos sobre o show da The Week no ano passado. Assim, fui pra frente do palco, pulei, cantei, berrei minhas músicas favoritas, entrei em roda de pogo. Suei como há muito, muito tempo não acontecia – até pelo vãozinho da orelha devia escorrer suor. E me diverti como nunca. Não sei se o som estava bom. Tudo que eu me lembro é de ficar completamente sem ar depois de pular em “This Fire” como se meu time saísse da fila sendo campeão brasileiro desse ano – e mesmo ofegante, o sorriso estava de orelha a orelha. Sambei em “Outsiders”, abracei os amigos, me descabelei em “Take Me Out”. Terminou o show e eu estava em estado de transe.

Me permitam, porém, aqui, um pequeno arroubo de análise do show (não adianta, é mais forte que eu): foi extremamente significativo a banda ter voltado para o bis tocando sua cover de “All My Friends”, que consegue melhorar a estupenda canção do LCD Soundsystem. É como que um reconhecimento da banda a todo fervor do público brasileiro, tal qual o agradecimento de um doente Alex Kapranos em seu twitter, pós-show: “São Paulo: thanks for making me feel alive. Been feeling nearer dead, last 48 hours: shivering in bed with a fever & pus in my tonsils. Euch”. No palco, totalmente entregue, a banda encarna por completo os versos da canção: “and to tell the truth, oh, this could be the last time, so here we go, like a sail’s force into the night”. Se cada vez pode ser a última, o negócio é dar tudo de si.

Fora isso, não mudo uma vírgula do que escrevi ano passado aqui – fazendo as devidas atualizações de tempo, espaço e repertório, obviamente. O Franz Ferdinand é a melhor banda de sua geração. Voltem sempre que quiserem. Estarei lá em todas as vezes.

PS: O vídeo não é do show do Brasil, mas assim que tiver um eu troco.

“So if you’re lonely, you know I’m here waiting for you”

março 23, 2010

Hoje à noite o Franz Ferdinand encerra a turnê brasileira com o show de São Paulo, às 22h, no Via Funchal. Pra aquecer, republico a resenha que eu escrevi pra Rolling Stone do show na The Week no ano passado. No final, saca o vídeo insano de “This Fire” que o Matias gravou. Nem preciso dizer que é um dos shows do ano.

“Tinha tudo para ser uma noite especial. O Franz Ferdinand fazia show único em uma pequena casa de shows em São Paulo para cerca de 1300 pessoas, sendo que os 500 ingressos colocados à venda evaporaram em 15 minutos. Totalmente entregues à performance, os quatro rapazes da Escócia, capitaneados por um Alex Kapranos canastrão e um Nick McCarthy frenético, não deram margem para crítica. Do começo cadenciado com “No You Girls” eles já passaram ao dance-rock contagiante que os caracterizou com “The Dark Of The Matinée”, até chegar à catarse coletiva dos hits arrasa-quarteirões “This Fire” e “Take Me Out”, que deixaram o público extasiado. Ao voltar para o bis com “Michael” e com um Nick ensandecido que subiu no balcão do bar no meio da platéia, o Franz se deu ao luxo até de encadear uma música mais obscura, “Van Tango”, sem desagradar os presentes. A trama psicodélica infinita de “Lucid Dreams” que encerrou o show deixou no ar um gostinho de quero mais para o ano que vem, quando eles voltam para quatro shows no país. Desde já, candidatos ao melhor show de 2010.”


Você tem programa para o sábado a noite?

março 16, 2010

Tá vendo o flyer? Então, sábado agora, dia 20/03, estreia a festa Scream & Yell, na Casa Dissenso, com discotecagem deste que vos fala e do Mac. Pra abrir os trabalhos, o primeiro show é dos curitibanos do Charme Chulo, que fizeram uma apresentação surpreendente no começo do mês, na festa do Urbanaque. Sábado agora tem tudo para repetir a dose. Então, interessou? Pega o servicinho completo =)

Festa Scream & Yell #1
Sábado: 20/03
Abertura da casa: 22h
Show: Charme Chulo às 23h (transmitido via web)
Discotecagem: DJ Set Scream & Yell (Marcelo Costa e Tiago Agostini)
$20 na porta $15 na lista (screamyell@gmail.com)
Local: Casa Dissenso, Rua dos Pinheiros, 747

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Semana corrida. Tô cheio de coisa pra fazer – e ainda tem que trabalhar, veja só… Mas eu prometo que logo logo me dedico direitinho a este espaço de novo. Enquanto isso, algumas considerações sobre coisas da vida

1 – Se você ainda não viu O Segredo dos seus Olhos, corra ao cinema mais próximo e assista. O filme argentino ganhador do Oscar de Filme estrangeiro é um dos melhores filmes que eu vi nos últimos tempos. Um roteiro surpreendente e muito bem amarrado, conduzido com sutileza pelo diretor Juan José Campanella. São tantas nuances na história que estou há um dia pensando nela e a cada momento me vem uma interpretação diferente da motivação dos personagens e dos fatos. Mas uma coisa é certa: às vezes os olhos deveriam ser calados, pois eles falam demais.

2 – O Teenage Fanclub está para lançar disco novo. Normam Blake colocou no Twitter nesta segunda as datas já programadas da turnê de divulgação de The Shadow. Mais detalhes sobre o lançamento do álbum serão reveladas em breve no site oficial da banda. Numa busca rápida pelo YouTube dá pra achar duas músicas que estarão no disco (nos vídeos acima e abaixo). Como sempre, melodias de primeira qualidade. Não dá para esperar menos do que um álbum bom vindo do Teenage.

3 – Semana que vem o mestre Frank Jorge estará em São Paulo para dois shows, na quarta (24) na FNAC da Paulista e na quinta (25) no Sesc Santana. Como a FNAC é do lado do trabalho novo, vou dar um jeito de dar uma escapulida e ver um pouquinho do show. Será que rola de novo a sensacional versão de MGMT?

“So sentimental…”

março 10, 2010

Ou homens trabalhando. Se você não sabe ainda, troquei de emprego recentemente, o blog no iG está morrendo em breve e, por isso, o meu querido Balada do Louco foi reativado. Todos os posts que estavam lá no A Day In The Life foram importados, mas tem bastante coisa desconfigurada ainda. Ainda não tive tempo de sentar e mexer nisso com cuidado, mas em breve este blog estará tinindo de novo.

Enquanto isso, confere este vídeo fofo de um coral de crianças de Staten Island, Nova York, cantando a melhor música de 2009, “Lisztomania”, do Phoenix.

De brinde, mais dois vídeos da mesma música: uma versão acústica e o clipe que me fez adorar ela, cheio de cenas de filmes clássicos dos anos 80.

Jorge Ben Jor comanda micareta sofisticada em São Paulo

março 1, 2010

Jorge Ben Jor é um dos três grandes gênios da música brasileira – coloque na conta Chico Buarque e Caetano Veloso. Isso é fato. Com o lançamento, no final de 2009, da caixa Salve Jorge, com seus discos lançados entre 1963 e 1976 na Philips (hoje Universal), ele vive agora mais um de seus momentos de prestígio e boa exposição. Tem sido assim mais ou menos durante toda a carreira, momentos de esquecimento intercalados com o sucesso, até porque Jorge é um artista muito mais discreto do que boa parte dos seus companheiros de geração. Mas, como tem a mão perfeita para refrões balançantes e simples, volta e meia crava um sucesso desses que você decora a letra sem nem perceber.

É desses hits fáceis que o repertório de duas horas de show no Credicard Hall foi feito. Logo de cara, Jorge já lança mão de “Mas Que Nada” e “Chove Chuva”, em um dos muitos pout-pourris que marcam o show, sem medo de ser feliz. Com o público ganho e na mão – como se isso já não estivesse claro nos corredores antes do primeiro acorde soar – ele vai desfilando clássicos como “A Banda do Zé Pretinho”, “Os Alquimistas Estão Chegando”, “W/Brasil”, “País Tropical”, “Por Causa de Você Menina”, “Zumbi” e tantos outros. A plateia lotada pula, samba, agita, maravilhada com a apresentação da mão direita mais abençoada da música brasileira. É festa fácil. Mas parece que falta alguma coisa.

A primeira sensação que se tem no show do mestre é que Jorge merecia uma banda melhor para lhe acompanhar. A cozinha da Banda do Zé Pretinho não passa nem perto de ter o “punch” necessário e o teclado é repetitivo e sem inspiração – um midi no lugar não faria feio. Talvez se Jorge fizesse como Caetano e recrutasse jovens talentos da nova geração a apresentação ficasse mais vibrante – apesar que o homem da gravata florida não precisa se renovar ou reinventar sua carreira, como fez Caetano ao recrutar a Banda Cê. É só uma questão de sonoridade, mesmo. O balanço e o suingue de Jorge nunca saem de moda.

O segundo grande problema do show: a obsessão de Jorge por pout-pourris. Ok, o repertório é enorme, poderia render um show de três horas fácil, todo mundo quer ouvir suas músicas favoritas e fazendo a união de duas ou mais músicas você acaba agradando mais gente. Contudo, enfileirando estrofes diferentes a cada minuto, Jorge acaba tirando as particularidades de cada música, igualando todas ao mesmo patamar e arranjo, transformando o show meio que em um lugar comum. De repente, você sente que há 20 minutos está ouvindo a mesma coisa, a mesma canção, e ir até o bar pegar uma cerveja não parece algo tão ruim – afinal, o que de tão diferente você pode perder?

Então, ao final do show, Jorge liga a distorção e toca uma versão envenenada e chapante de “Umbabarauma”, emendada com “Fio Maravilha”. E, como se estivesse em um estádio lotado driblando zagueiros cheio de humildade, você sai rodopiando, abraçando as pessoas ao seu lado, o sorriso brota sorrateiro e toda a frieza da análise crítica vai por água abaixo. Se o show parece uma micareta sofisticada, qual o problema de pular e ser feliz?

Após um longo intervalo para a volta ao bis – e um longo e enfadonho solo de teclado, sempre ele -, uma versão pungente de “Jorge da Capadócia” e nosso mestre resolve chamar “todos os emos para perto do palco”. Sorriso de orelha a orelha, Ben Jor traz umas 20 meninas lindas ao palco para cantar e dançar com ele “Gostosa”, ensinando a esses meninos chorões o que importa mesmo na vida. Clima de festa no palco, é hora de emendar “Taj Mahal” com “A Banda do Zé Pretinho” numa versão quilométrica e ver, mesmo com as luzes acesas, ninguém arredar pé do salão. O baile está a toda. O homem sabe das coisas.