“If it’s crowded, all the better”

Escrever sobre música tem dessas coisas. Você se acostuma a ir aos shows e ficar prestando atenção nos mínimos detalhes: o som estava bom, nítido, alto? E a interação da banda com o público? Eles tocaram as músicas com tesão? Teve algum arranjo diferente? E aquela hora que o baterista errou uma entrada? Putz, o vocalista desafinou feio na terceira música. Porra, lá vem mais um artista gringo usar a demagogia de voltar pro bis com a bandeira/camiseta da seleção brasileira. E tudo isso mesmo quando você não está cobrindo o show, o que torna o ato muito mais contemplativo do que participativo. Eu sei, coisa de gente chata, que fica procurando defeito em tudo.

Nesta terça-feira, no show do Franz Ferdinand, eu me propus me despir de todo esse ranço de crítico. Era meu terceiro show da banda, eu não estava lá para cobrir para ninguém – comprei o ingresso, inclusive – e, bem, já tinha escrito dois textos sobre o show da The Week no ano passado. Assim, fui pra frente do palco, pulei, cantei, berrei minhas músicas favoritas, entrei em roda de pogo. Suei como há muito, muito tempo não acontecia – até pelo vãozinho da orelha devia escorrer suor. E me diverti como nunca. Não sei se o som estava bom. Tudo que eu me lembro é de ficar completamente sem ar depois de pular em “This Fire” como se meu time saísse da fila sendo campeão brasileiro desse ano – e mesmo ofegante, o sorriso estava de orelha a orelha. Sambei em “Outsiders”, abracei os amigos, me descabelei em “Take Me Out”. Terminou o show e eu estava em estado de transe.

Me permitam, porém, aqui, um pequeno arroubo de análise do show (não adianta, é mais forte que eu): foi extremamente significativo a banda ter voltado para o bis tocando sua cover de “All My Friends”, que consegue melhorar a estupenda canção do LCD Soundsystem. É como que um reconhecimento da banda a todo fervor do público brasileiro, tal qual o agradecimento de um doente Alex Kapranos em seu twitter, pós-show: “São Paulo: thanks for making me feel alive. Been feeling nearer dead, last 48 hours: shivering in bed with a fever & pus in my tonsils. Euch”. No palco, totalmente entregue, a banda encarna por completo os versos da canção: “and to tell the truth, oh, this could be the last time, so here we go, like a sail’s force into the night”. Se cada vez pode ser a última, o negócio é dar tudo de si.

Fora isso, não mudo uma vírgula do que escrevi ano passado aqui – fazendo as devidas atualizações de tempo, espaço e repertório, obviamente. O Franz Ferdinand é a melhor banda de sua geração. Voltem sempre que quiserem. Estarei lá em todas as vezes.

PS: O vídeo não é do show do Brasil, mas assim que tiver um eu troco.

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Uma resposta to ““If it’s crowded, all the better””

  1. Márcio Padrão Says:

    Aqui, ó 🙂

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