Archive for maio \21\UTC 2010

“Quero ouvir uma canção que diz assim”

maio 21, 2010

Gabriel Thomaz é um dos grandes compositores de rock do Brasil. Exímio conhecedor de surf music, rock de garagem, jovem guarda e da produção dos anos 60 e 70, ele sabe como poucos escrever canções de 3 minutos com riffs de guitarra ganchudos. Mesmo estando no “meio musical” há quase 20 anos, Gabriel – que já foi ídolo indie em Brasília com o Little Quail, tocou com a seminal banda carioca Acabou La Tequila e compôs com Rodolfo o talvez maior hit do Raimundos, “I Saw You Saying” – consegue não soar datado a cada novo álbum do Autoramas. Assim, não é errado dizer que a banda transita com firmeza na atual geração do rock brasileiro, mesmo estando na ativa desde 97.

Se você não conhece o Autoramas ainda, não entre em pânico: baixa aqui uma coletânea esperta que eu montei da banda – ou, se você quiser ser gente boa e dar uma graninha pra eles, baixa música por música na página da Trama Virtual e depois organiza na seguinte ordem:

1 – Você sabe
2 – Mundo Moderno
3 – Paciência
4 – Catchy Chorus
5 – Nada a Ver
6 – Fale Mal de Mim
7 – A 300 Km/H
8 – A História da Vida de Cada Um
9 – O Bom Veneno
10 – Sonhador
11 – Copersucar
12 – Música de Amor
13 – Carinha Triste
14 – Surtei
15 – Gente Boa
16 – Eu Mereço
17 – Multiball
18 – Rei da Implicância

Rrrrrrrrrrrrrrrrock!!!

“Then I saw her face”

maio 21, 2010

Saca só a versão do Weezer para “I’m A Believer”, dos Monkees, que estará em “Shrek Para Sempre”, último filme do ogro verde, que estreia no Brasil dia 9 de julho. Fodaça, a prova de que, quando quer, Rivers Cuomo consegue fazer músicas pop deliciosas.

Virada Cultural 2010

maio 20, 2010

Virada Cultural é geralmente aquela coisa: você faz uma programação gigantesca e no final acaba perdendo metade dos shows que queria ver pelos mais diversos motivos, entre eles a distância dos palcos e a dificuldade de se locomover com rapidez pelas ruas lotadas. Esse ano eu tinha me programado pra ver pouca coisa e, bem, vi menos ainda.

O começo da noite foi nos palcos dos independentes, vendo o Black Drawing Chalks fazer um show quente para um belo público – em todos os sentidos. Os goianos comandaram a platéia receptiva com seus riffs circulares, fazendo as primeiras filas baterem palma com os braços para cima durante quase toda a apresentação e comandando as obrigatórias rodas de pogo em qualquer show pesado. A jogar contra apenas um fator, que assombrou os dois palcos montados a um quarteirão de distância na rua Cásper Líbero: os problemas sonoros. Ora embolado, ora com o PA abafado, o som foi o grande vilão da noite.

Pontual, Tulipa Ruiz sucedeu os goianos no outro palco da rua reduzindo o nível de testosterona no ar a quase zero e apresentando as músicas de seu primeiro CD, Efêmera, a ser lançado no final do mês de maio. Mesmo com as falhas no som, as canções que concebem desde já um dos melhores discos nacionais do ano se fizeram notar, com destaque para a belíssima “Às Vezes”, que conquistou fãs à primeira ouvida. Definitivamente, há algo de mineiro no carisma dessa paulistana que arrebata naturalmente.

Ainda deu tempo de conferir a apresentação da Camarones Orquestra Guitarrística, que mistura referências díspares como surf rock e glam para fazer um rock instrumental que, apesar de bem executado, acaba não convencendo. Uma caminhadinha rápida pelo entorno iluminado da Estação da Luz e chegamos (eu e alguns amigos) à Praça Julio Prestes a tempo de assistir o começo do show da CéU. Mais uma vez, a potência do som atrapalhou , agora em um palco com proporções bem maiores. De qualquer forma, a delicadeza do repertório suingado da cantora talvez não tenha como melhor local um show ao ar livre, onde se perdem as nuances do espetáculo. Foi tudo correto, mas poderia ser melhor.

Aí, cansado e com fome, resolvi voltar para casa e nesse momento sofri as agruras de enfrentar a multidão que tomava as ruas. Estava quase na Avenida São João quando dobrei em uma rua para escapar da muvuca do Palco Rock. Quando me dei conta, estava no meio da galera que curtia o Palco Reggae, na Barão de Limeira, e não adiantava querer voltar. Foram 20 minutos de empurrões e muita clasutrofobia até conseguir me desvencilhar da horda com carteira e celular sãos e salvos. No caminho para casa ainda deu para dar uma espiada no também lotado Palco Brega, no Arouche, onde Sidney Magal regia o coro dos embriagados. Melhor dormir.

No domingo, acordei para ver o show que mais me intrigava. Às 13h30 o Raimundos entrava no palco da avenida São João para aquele deveria ser um show redentor aos olhos do agora vocalista Digão – junto com Canisso, um dos membros originais a restarem na banda candanga. E, bem, durante a hora inteira da apresentação eu não conseguia tirar o último parágrafo da matéria do Arnaldo Branco para a Bizz (reproduzido abaixo) da cabeça.

Nessa hora lembrei do que o Matias (Maxx, fotógrafo da matéria) falou assim que o show terminou: “me senti de novo com 15 anos!”. Já era bem mais velho do que isso quando eles estouraram, e estava achando graça da frase, quando chegou Alf: “Onde você estava quando a gente tocou ‘Puteiro’? Ia te chamar para fazer backing vocal!”. Traído na hora por um sentimento de frustração, percebi que sonho de adolescente não tem idade, e que provavelmente, como os Raimundos remanescentes, não abriria mão fácil de alguma coisa que conquistei só porque tem gente em torno que decidiu que a festa acabou.

Digão, de fato, logo no começo do show mandou um “eu esperei muito tempo para estar aqui”. Para uma banda que ano passado tocou no Outs, ver a avenida São João gritando Raimundos não podia deixar de ser emocionante. Mesmo que o público que ocupava o gargarejo pedisse insistentemente “Sol e Lua”, canção do álbum lançado na internet Pt qQ cOizAh e não reagisse com o vigor esperado a clássicos como “Nega Jurema”, por exemplo. Fato é que o volume do canto da platéia era bem menor do que outrora – duvido muito que minha memória me traia em relação ao show antológico que vi da banda em 2000, no auge de seu sucesso.

Reações do público à parte, é preciso dizer que a banda no palco continua afiadíssima. Digão é um bom frontmen, incitando a galera a abrir rodas de pogo pela avenida. Ignorando o repertório de Lapadas no Povo, o show fez uma mescla das músicas dos outros três álbuns de inéditas gravados com Rodolfo (sem considerar o híbrido Cesta Básica). No palco é legal recordar a força das canções dos dois primeiros álbuns e a genialidade cínica de Só No Forévis, principalmente de “A Mais Pedida”, executada com o auxílio de Pitty. Ao final, em êxtase, Digão teve que cortar músicas do repertório pelo tempo avançado mas encerrou o show com uma vibrante e indefectível “Eu Quero Ver O Oco”. Apesar do cheiro de naftalina no ar, foi uma apresentação divertidíssima.

Depois disso juro que tentei almoçar rápido e voltar assistir ao Arnaldo Antunes, mas encontrei dois grandes amigos no meio desse caminho e a conversa se estendeu. No final, Virada é meio que isso: mesmo que a programação deste ano estivesse mais fraca, o grande barato acabam não sendo os shows, e sim o clima do evento, andar pelas ruas cheias de gente e confrontar o público com o descaso do poder público em relação ao centro da cidade. Os shows são meio que coadjuvantes, você passa e vê o que dá.

Fotos de divulgação. A 1ª é da Priscila Azul e a 2ª do Antonio Brasiliano

Porto Velho é logo ali

maio 19, 2010

Fiquem tranquilos: eu não encarnei o Vanucci. Mas ó, de 16 a 19 de junho Porto Velho recebe o 11º Festival Casarão que este ano traz uma programação de primeira, com algumas coisas que eu acho legais: menos bandas por dia e shows distribuídos por mais dias. Resultado: quatro dias de música boa. Confere a escalação e baba (a quinta e o sábado estão sensacionais).

Dia 16 de junho
Quarta-feira

Local: Piratas Pub
01:00 Ricardo Koctus (MG)
00:00 Cassino Supernova (DF)
23:00 Versalle

Dia 17 de junho
Quinta-feira

Local: Mercado Cultural
22:00 Do Amor (RJ)
21:00 Caldo de Piaba (AC)
20:00 Expresso Imperial

Local: Escadaria da Unir
22:00 Mugo (GO)
21:15 Bedroyt
20:30 NEC
19:45 Dyviron
19:00 Hipnose

Local: Piratas Pub
01:00 Autoramas (RJ)
23:30 Maria Melamanda

Dia 18 de junho
Sexta

Local: KABANAS
23:30 Cidadão Instigado + Edgard Scandurra (CE/SP)
23:00 Hey Hey Hey!
22:30 Comunidade Nin-Jitsu (RS)
22:00 Survive (AC)
21:30 Coveiros
21:00 The Name (SP)
20:30 Dom Capaz (MG)
20:00 Cabocriolo (AM)
19:30 Theoria das Cordas

Dia 19 de junho
Sábado

Local : KABANAS
23:30 Móveis Coloniais de Acaju (DF)
23:00 Nevilton (PR)
22:30 Superguidis (RS)
22:00 Di Marco (Ji-Paraná)
21:30 Ultimato
21:00 Strep
20:30 Capelinos(TO)
20:00 Banda Prévia Casa Fora do Eixo – Cuiabá
19:30 Sub Pop (Vilhena)
19:00 Jam

“Dez, nota dez”

maio 18, 2010

Post curto pra avisar que o Walverdes colocou duas músicas do disco novo, Breakdance, para baixar na Trama Virtual. “Spray” e “Diagonal” se juntam a “Cérebro Embrião”, que já estava no MySpace, como primeiro registro deste que promete ser um dos discos pesados do ano. Quem já ouviu diz que tá classe A, nível Anticontrole.

Tô voltando à ativa aqui no blog, aos pouquinhos. Mas ó, não fiquei parado não. Já conferiu o entrevistão que eu e o Mac fizemos com a Stela Campos e a Lulina? Separa uma horinha que vale a pena ler. E se prepara que o Entrevistão de junho tá foda.