De “por que música sertaneja é ruim”

novembro 17, 2010

“Longe” é uma composição de Arnaldo Antunes e Marcelo Jeneci. Ganhou sua primeira versão com o cantor Leonardo e virou trilha da novela Paraíso. Arnaldo a gravou no disco Iê Iê Iê. Agora é a vez de Jeneci registrá-la em Feito Pra Acabar, um dos discos mais lindos de 2010. Uma música, três versões, três arranjos. Ouve abaixo cada uma e me responde: qual é a pior?

 

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E o Los Hermanos calou minha boca

outubro 14, 2010

Antes do SWU eu ia escrever um texto sobre “porque o show do Los Hermanos no SWU vai ser ruim”. Como uma dezena de ideias de texto que eu tenho, não escrevi, pela preguiça habitual. Mas, pra todo mundo que me perguntava, sempre disse que o show seria ruim por não ser no local correto (show do LH precisa ter os fãs perto, cantando tudo e abafando a banda), estar numa noite deslocada (dia do Rage, nada a ver com os cariocas) e que dependia muito da vontade que os quatro barbudos iam estar de tocar (na abertura do Radiohead ela era próxima de zero).

Bem, o Los Hermanos calou minha boca. Ok,  eles foram uma das bandas que sofreu com a famigerada área vip – a empolgação na pista normal era bem maior e o show seria melhor se os fãs estivessem colados à grade -, mas a hostilidade que eu esperava dos fãs do Rage não aconteceu. Pelo contrário, em vários momentos o público cantou alto as letras das músicas (saca a versão de “O Vencedor” aí em cima). E, desta vez, os barbudos estavam nitidamente a fim de tocar, fazendo suas dancinhas desengonçadas e, vejam só, sorrindo.

Não que tenha sido um puta show. É impressionante como eles não sabem montar um setlist empolgante. A primeira parte do show, até “Cara Estranho”, foi num crescendo impressionante, com versões vigorosas comandadas por um empolgado Rodrigo Barba esmurrando a bateria. Mas aí eles começaram a enfileirar músicas mais calmas, o clima caiu, Camelo foi tocar baixo, e a intensidade só foi se reestabelecer no final, com a beleza dolorida de “Sentimental” e o tradicional final com “A Flor”.

Para não dizer que eu só critico, abaixo uma sugestão de setlist com as mesmas músicas que seria melhor – se tiver uma sugestão, põe aí nos comentários.

“Alem Do Que Se Vê”
“O Vento”
“Último Romance”
“Retrato Pra Iaiá”
“Morena”
“O Vencedor”
“Do Sétimo Andar”
“Deixa o Verão”
“A Outra”
“Cara Estranho”
“Condicional”
“Um Par”
“De Onde Vem A Calma”
“Sentimental”
“Todo Carnaval Tem Seu Fim”
“A Flor”

De qualquer forma, um show para fazer sorrir os admiradores, por mais que, como disse o Levino, a medida certa para os Hermanos seja um show a cada dois anos. Ah, e se você puder, não perde os shows da miniturnê nordestina da banda este final de semana. Com a energia que os quatro estão, estes sim prometem ser fodas.

SWU é muito fácil de rimar

outubro 13, 2010

Cobri o SWU, famigerado “festival ecológico” (segundo a tia do SPTV na segunda ao meio-dia) em Itu, pro blog do Lúcio. Dá uma sacada lá que tá massa a cobertura – e também fica com pena de mim por causa da epopeia narrada pelo Mac. Pra saber mais, o programa do Scream & Yell na Rádio Levi’s de sexta, sempre às 15h, é especial sobre o SWU. Prepare-se pra ouvir muitos xingamentos à organização.

Mas, falando apenas de música, lá vão os meus melhores do festival.

TOP 7 SHOWS

Queens Of The Stone Age

Pixies

Frank Black fazendo cosplay de Marcelo Tas

Otto

Rage Againt The Machine

Cavalera Conspiracy

Los Hermanos

Cara estranho

Josh Rouse

TOP 7 MÚSICAS

“No One Knows” – Queens Of The Stone Age

“6 Minutos” – Otto

“Where Is My Mind” – Pixies

“Refuse/Resist” – Cavalera Conspiracy

“Balada do Louco” – Mutantes (olha o nome do blog, né?)

“Sentimental” – Los Hermanos

“Hino da Internacional Comunista” – Rage Against The Machine

Goiânia Noise confirma dez bandas

setembro 27, 2010

A 16ª edição do Goiânia Noise, um dos principais festivais independentes do Brasil, já tem data e local: rola entre os dias 17 e 21 de novembro no Centro Cultural Martim Cererê – mesmo fim de semana do Planeta Terra e (dizem por aí) dos possíveis shows do Paul no Morumbi. A organização também divulgou as primeiras 10 bandas confirmadas na escalação.

Além dos americanos do The Mummies, que já estavam anunciados, engrossam a boa programação o El Mató A Un Policia Motorizado (Arg), Krisiun (RS), Nina Becker (RJ), Musica Diablo (SP), Vespas Mandarinas (SP), Walverdes (RS), Black Drawing Chalks (GO), Do Amor (RJ) e Otto (PE). Os dois últimos fizeram shows sensacionais no No Ar Coquetel Molotov neste fim de semana – em breve a minha resenha entra no Scream & Yell.

Para anotar na agenda.

Leia com um sorriso no rosto

setembro 20, 2010

No último final de semana, o Pato Fu estreou o show do disco Música de Brinquedo em São Paulo com três shows lotados no teatro do Sesc Vila Mariana. Como era de se esperar, a quantidade de crianças na plateia era enorme, mesmo que a sensação fosse de que elas estavam por ali apenas acompanhando os pais fãs da banda. Esse fenômeno traz seus prós e contras: crianças são esses seres imprevisíveis e serelepes que ora não param quietos um minuto, ora tem uma sacada ingênua e sensacional – no final do show, quando Xande esmurrava um dos Joões Bobos de plástico que faz parte do cenário na introdução de “Sobre o Tempo”, uma menina que estava ao meu lado soltou em voz alta um “não vai estourar, não” para o amiguinho do lado, fazendo o teatro inteiro cair na risada.

O show serve para amplificar a alma lúdica do disco. É certo que algumas músicas mais sutis, como “Rock N’ Roll Lullaby”, perdem força ao vivo, mas é impressionante como o Pato Fu conseguiu fazer um show coeso e cheio de punch com instrumentos tão difíceis de microfonar. Salta aos olhos a perfeição da cozinha da banda, que sustenta o show inteiro perfeitamente – o baixista Ricardo Koctus, mesmo em um instrumento miniatura, não erra uma nota.

Mas a grande atração são os bonecos do Giramundo, que substituem as crianças no show. Foi uma jogada de mestre da banda: o que era o ponto de estranhamento no disco (a desafinação infantil) acaba virando brincadeira no palco. Encenando esquetes e fazendo gracinhas, os bonecos prendem a atenção e divertem até mais os adultos que as crianças. A tradicional simpatia dos Fus, com John explicando o funcionamento das traquitanas e seus ruídos, conquista ainda mais, e fazer a plateia participar das músicas em diversos momentos do setlist deixa o show intimista e pessoal.

O segredo para curtir Música de Brinquedo, como diz John, é não prestar atenção aos detalhes como um adulto e se divertir como uma criança. Este é um show para assistir com um imenso sorriso no rosto.

“Pra ter um fim toda história tem que começar”

agosto 24, 2010

Em algum momento do ano passado eu prometi que não escreveria nenhuma linha a mais sobre o Móveis Coloniais de Acaju. Hoje eu repito a promessa com a querida Tulipa Ruiz. Eu já escrevi matéria, já fiz resenha do disco e resenha do show, já toquei “Pedrinho” e “Às Vezes” no Scream & Yell On The Radio e já cansei de dizer que este é o melhor disco do ano (até aqui) e que “Às Vezes” é deliciosamente pegajosa. Então agora o que você tem que fazer é ouvir o programa dos chapas do Urbanaque com a cantora e baixar aqui a versão da sensacional “Dia a dia, lado a lado”, parceria de Tulipa com Marcelo Jeneci que deve sair em um single especial dos dois até o fim do ano. Fora isso, a não ser em ocasiões especiais, não escrevo mais uma linha sobre Tulipa. Se você ainda não entendeu que ela é a maior revelação da música nacional nos últimos anos, bem, o problema é todo seu.

Dinosaur Jr. no Brasil: No Ar Coquetel Molotov divulga programação

julho 28, 2010

Dinosaur Jr., uma das grandas bandas indies dos 80, é a principal atração do No Ar Coquetel Molotov, que rola nos dias 24 e 25 de setembro no Recife, no Centro de Convenções da UFPE. A banda ainda deve fazer show em São Paulo, mas não há informação sobre datas. Além deles, de gringo vêm, para o No Ar, a cantora francesa SoKo e os suecos Taxi Taxi!, Taken By Trees e Anna Von Hausswolff – o também sueco Miike Snow pode pintar ainda. As atrações nacionais, por enquanto, ficam por conta do primeiro show de Otto do disco Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos no Recife, do rapper Emicida e dos locais d’A Banda de Joseph Tourton. Se eu faltei ao Abril Pro Rock deste ano, é em setembro que eu conheço Pernambuco.

“Tire isso da cabeça, ponha o resto no lugar”

julho 28, 2010

Eu demorei pra postar a lista de músicas e nesse meio tempo vazou o Música de Brinquedo, do Pato Fu, que já está à venda na Cultura (tem gente recebendo os pedidos já). Foi bom porque assim eu reouvi o disco depois de dois meses, quase, e pude refazer a avaliação dele. Já vi gente falando que viciou, que é a coisa mais fofa que ouviu nos últimos tempos, como teve gente que disse que não curtiu a sonoridade dos instrumentos de brinquedo – que realmente incomoda na primeira ouvida. Eu continuo defendendo que esse é o disco mais ousado da carreira do Pato Fu. A minha preferida até o momento é “Ovelha Negra”, e olha que eu nunca curti muito ela com a Rita (sempre preferi “Luz del Fuego” e “Agora Só Falta Você” do Fruto Proibido). Mas é só, a avaliação completa você confere primeiro na resenha da Rolling Stone de agosto que chega às bancas semana que vem e depois no especialzão do Scream & Yell com uma cacetada de material das sete horas de entrevista que não entraram no perfilzão do John e da Fernanda.

Essa São Paulo…

julho 28, 2010

… às vezes deixa a gente detonado e moído. Outro dia tava conversando com o Vitor Hugo, amigão da época de UFSC, sobre como a cidade nos engole. Disse o VH “parece que os três anos de vida em São Paulo tão começando a cobrar a conta” sobre o fato de a gente não se ver há muito tempo, porque eu ando meio cansado do trabalho e com uma preguiça enorme de sair de casa justamente por isso – sentimento que o VH também sente um pouco. E, mesmo assim, eu continuo adorando essa cidade maluca e que castiga.

Pra entender um pouco o fascínio que São Paulo causa nas pessoas, nada como “Alento”, o primeiro single do álbum Lero-Lero, da Luisa Maita. O disco foi lançado nessa terça pelo selo Oi Música e a primeira música de trabalho é simplesmente irresistível. Li em algum lugar a Luisa falando que a música é justamente sobre a gente batalhadora que tenta vencer nessa metrópole – desde a galera da Zona Leste que sai de madrugada de casa pro trabalho até gente como eu e o VH que deixamos família pra trás em Santa Catarina pra vir atrás do sonho de vencer na vida como jornalista (sonho ingrato, hein?).

Curtiu? Então anota na agenda: show de lançamento dia 27 de agosto na Choperia do Sesc Pompeia. Nos vemos lá =)

E eu sugiro uma brincadeirinha: bora tentar descobrir todos (ou a maioria) dos pontos de São Paulo retratados no belo clipe dirigido pelo João Wainer? Vai colocando aí nos comentários o nome do local e o minuto e segundo em que ele aparece. Será a nossa declaração de amor a essa cidade nos apoiando na declaração da Luisa. Eu começo: Túnel Ayrton Senna – 0’41”.

Coletânea Tineijão

julho 22, 2010

“Por que você gosta tanto de Teenage Fanclub?”

“Melodias. Mesmo quando são sujos eles conservam o senso melódico”

Aí eu fiz essa coleta pra provar. Saca o tracklist abaixo. De bônus tem uma seleção de covers feita pelos escoceses. Divirta-se.

1 – When I Still Have Thee
2 – Hang On
3 – What You Do To Me
4 – Everything Flows
5 – The Concept
6 – About You
7 – Neil Jung
8 – Mellow Doubt
9 – Sparky’s Dream
10 – Start Again
11 – Ain’t That Enough
12 – Discolite
13 – Star Sign
14 – Radio
15 – Speed Of Light
16 – Your Love Is The Place Where I Come From
17 – Some People Try To Fuck With You
18 – Going Places
19 – Is This Music?
20 – Guiding Star