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Planeta Terra 2011: uma cobertura 80% pessoal

novembro 7, 2011

No ano de seu melhor headliner, o Planeta Terra teve sua pior edição. Quando a organização anunciou o Strokes como atração, tudo fazia sentido. Sim, Iggy Pop, headliner de 2009, é melhor que Julian Casablancas e cia., mas a escalação do tiozão punk ficou meio deslocada em um festival que desde o começo se anunciou indie.

O Terra sempre apostou forte nas bandas pós-2001: Kasabian e Kaiser Chiefs fecharam as duas primeiras edições, Bloc Party e The Rapture deram as caras. Como já perdera as duas maiores bandas da geração fora o Strokes – Franz Ferdinand e Killers -, trazer os nova-iorquinos em ano de disco novo e de comemoração de uma década de “Is This It” parecia perfeito.

E, de certa forma, era perfeito em abril, quando foi anunciado. Os ingressos foram à venda, esgotaram em menos de um dia e então, meio que de repente, tudo mudou. “Angles” se provou um disco fraco com apenas uma grande canção (“Under Cover of Darkness”), os shows lá fora não corriam tão bem e o clima entre o grupo não parecia dos melhores – os relatos eram de uma banda apática, fraca no palco. À boca pequena, mensageiros do apocalipse espalhavam a palavra: seria sorte se o Strokes chegasse vivo ao Terra.

Para (não) ajudar, o line-up de apoio foi ruindo antes de tomar cara. O Vaccines, “the next big thing” dos primeiros quatro meses do ano, cancelou o show para sair em turnê com o Arctic Monkeys. O Beady Eye, carregando o sobrenome Gallagher na credencial, não sustentava nem meio hype com as canções fracas de “Different Gear, Still Speeding”. E isso que Noel, o irmão talentoso, só foi lançar o grande “High Flying Birds” em outubro.

Festival com DNA indie, o Terra parecia perdido a cada nova atração anunciada. A ousadia dos anos anteriores sumiu exatamente no ano em que deveria ter sido mais forte. Com a lotação máxima garantida no primeiro dia de vendas, era a hora de fechar bandas que agregassem credibilidade entre um público notoriamente chato e que adora xingar muito no Twitter para seus 500 seguidores – e não de trazer o cadáver do Interpol.

Para um festival que teve em todos anos pelo menos um heroi do indie tradicional (Devo, Breeders, Jesus & Mary Chain, Sonic Youth, Pavement), deixar a tarefa nas costas do Broken Social Scene é sacanagem. O grupo fez um bom show, mas a volta do Pulp, a teatralidade de “Let England Shake”, da diva PJ Harvey, ou mesmo o Blondie (todos na bolsa de apostas que antecedia cada nova atração) teriam feito melhores. E olha que nem estou contando o Arcade Fire – a vinda desses merece um texto próprio.

O palco indie, que era outro trunfo do festival, também ficou aquém do normal. Para quem já trouxe Animal Collective (um dos piores shows da minha vida, mas mesmo assim relevante), Spoon, Passion Pit e Yeasayer, se apoiar apenas no Gang Gang Dance e no Toro Y Moi é muito pouco.

E aí, contrariando todas as expectativas, o Strokes veio e salvou o Planeta, como disse o Lúcio. Banda com tesão no palco, tocando alto, deixando o disco novo de lado, apostando nos hits e lembrando como o “Room On Fire”, meio esquecido, é legal pacas. Tá, o Julian patinou feio na afinação em mais de uma música, mas a simpatia compensou.

Afinal de contas, o show do Strokes é para dançar, para sentir. Se você fica pensando demais durante, algo está errado. Assisti à apresentação lá de trás, perto da saída, para evitar a muvuca pós-final. Foi legal ver a pista se enchendo aos poucos, com o povo chegando correndo dos brinquedos e do outro palco trazido por músicas como “Someday” e “12:51”. Ou então o oceano de mãos esticadas e pulando durante “Reptilia”.

Me fez entender porque eu gostei tanto do show da banda em 2005 em Porto Alegre. Apesar do Arcade Fire ter me deixado de queixo caído naquela noite de 25 de outubro, eu pulei como nunca com a então nova “Juicebox”. Porque tudo tinha frescor: depois de 18 anos morando no interior eu fazia faculdade, ia aos meus primeiros shows internacionais, aquele clichê de achar que tinha a vida pela frente.

Olhando aquele mundo de gente pulando eu senti uma ponta de inveja. Cantei alto, dancei um pouco, esperei até “Hard to Explain”, a melhor, desde sempre. Seis anos, uma formatura e uma mudança se atropelaram, porém, e a posição estratégica que escolhi no Playcenter diz muito sobre como tudo mudou. Continua divertido, só que de forma bem diferente. Só experimentar aquela sensação antiga já é bom, pelo menos por uma hora.

Mesmo com o showzão do Strokes, talvez pela primeira vez o Terra tenha tido saldo negativo. A organização continua perfeita – o clima de parque é ótimo, os preços são honestos, as filas amigáveis – mas o line-up que antes tinha pelo menos três coisas legais para qualquer pessoa esse ano deu poucas alternativas. Com a possibilidade de venda do terreno do Playcenter, ano que vem o festival pode mudar de lugar de novo. Vai carregar quatro anos de saldo positivo ainda como garantia, mas não pode bobear pelo segundo ano seguido.

Olha ali, sou eu

novembro 16, 2008

capa-madonna_alta

Tem dois textinhos meus (um sobre a Relespública e outro sobre o novo disco do Móveis Coloniais de Acaju) na edição de novembro da Rolling Stone. Corre lá comprar. De quebra você ainda tem uma matéria enorme com a Madonna (e uma prévia do show que vem pro Brasil, a partir do relato do editor Ademir Correa, fã da moça, sobre um show em Chicago) e uma ótima entrevista com o Michael Stipe, publicada em 1992, no auge do sucesso do R.E.M.

E tem a minha cobertura do Planeta Terra, pro Mondo Bacana, escrita a quatro mãos com o Abonico. Toda a minha ranzinzice tá lá, apesar de eu ter pegado leve com algumas coisas – Animal Collective e o Bloc Party, principalmente.