“Mas com amor é mais caro”

Maio 11, 2008 by tiagoagostini

Dois vídeos bacanas de uma das melhores bandas independentes brasileiras, a Poléxia, de Curitiba. De brinde, a matéria que o Abonico fez sobre a volta por cima da banda. Esse ano deve pintar cd novo, com produção de John Ulhôa, do Pato Fu.

“Aos Garotos de Aluguel”

“Eu te amo, porra!”

“My aim is true”

Maio 10, 2008 by tiagoagostini

Hoje me lembrei da “Teoria de Alison” e, como essa é uma das minhas músicas favoritas do Elvis Costello, resolvi relê-la. E nunca ela fez tanto sentido como hoje. Então, não dá pra deixar de repassar.

Teoria de Alison
por Miguel F. Luna

“Oh, it’s so funny to be seeing you after so long, girl.
And with the way you look
I understand that you are not impressed.”

Essas são as três primeiras frases de Alison, canção de Elvis Costelo, clássico absoluto. E é a canção que empresta som, palavras e sentimento para esse texto, ou melhor, teoria. Essas frases já são uma pista mas o que vem a ser a Teoria de Alison? Bem, a teoria de Alison é uma equação muito simples:

{É só juntar um cara legal, uma garota bacana, platonismo à vontade, alguns itens da Lei de Murphy, e, às vezes, um relacionamento quase perfeito acontece. Quase perfeito. Aí é só bater no liqüidificador e beber o resto da vida entre silêncios e sonhos}

Alisons são aquelas garotas que marcam a vida da gente e que a gente não consegue esquecer com o tempo, ao contrário, elas nos tomam cada vez mais, como se só existissem elas no mundo. Sei que não existem apenas elas, mas isso é inexplicável, acontece. E acontece a ponto de as tornarem as maiores adversárias de novos relacionamentos, embora nem estejam mais ali, talvez apenas como fantasmas, mas nós acabamos sempre as querendo. É diferente de flertes corriqueiros e inconseqüentes e é sacrifício até manter a amizade depois que a história chega ao fim, ou melhor, quase início.

Ela pode ser qualquer garota, como a vizinha, uma colega de classe, a amiga de um conhecido, a irmã de uma amiga, a namorada do melhor amigo, uma prima, qualquer uma. Parece piada, mas acredite, não é. Acontece. Quem tem uma Alison tem também uma porção de histórias tragicômicas para contar. Eu mesmo tenho um monte e daria para escrever um livro só contando minhas mancadas.

Cada um deve ter a sua Alison. Eu tenho a minha, bonita, inteligente, frases iniciadas por um e finalizada por outro, quase beijos, e por fim, silêncios. Tá, ela me envia emails vez em quando. Mas já não está sozinha, o que a torna ainda mais impossível. Mas é a minha Alison, vou fazer o que? Não escolhi. Ela me apareceu do nada, numa tarde de julho a quase 800 km da minha casa (acho que fui eu que apareci) e, bem, ela vai se casar em setembro e eu não quero ser muito sentimental (como canta Costelo) mas a vida segue, cada um na sua, e geralmente Alisons nos trazem tristeza. É a sina. Eu só sei que ela não é minha.

Isso é o fim ? Não, como eu disse, a vida segue. Apenas segue mais arrastada. Isso tudo não impede da gente encontrar alguém e se apaixonar e tal. Eu já me apaixonei mas não foi lá grande coisa, nem por culpa da paixão mas por culpa da Alison. Mesmo assim acredito que a minha garota está andando por aí e qualquer dia eu a encontro. Acredito. Mas Alison é Alison, a gente bebe a vida inteira dessa chuva. E desde então parece que tem chovido sempre. Sempre.

“Alison, my aim is true. My aim is true.”

Extraído do Scream & Yell.

“Sem freio, faço questão de ficar com você”

Maio 7, 2008 by tiagoagostini

Clipe novo do Autoramas. A melhor balada do Roberto Carlos não escrita pelo Roberto Carlos.

“A 300 Km/H”

Da série Links Amigos

Maio 7, 2008 by tiagoagostini

Vale a pena dar uma boa olhada no blog do Richard, que foi meu veterano (nossa, como o tempo passa, hehehe) lá na UFSC e desde o ano passado está em Pequim para aprender a cultura do país das próximas Olimpíadas. Tem muita história boa. Recentemente o Richard, que já trabalhou na SporTV, estreou um blog no portal Globo Esporte com o mesmo propósito - contar mais sobre as peculiaridades da China e mostrar o clima que antecede as Olimpíadas de Pequim. Uma das coisas mais legais dos blogs é a AmanTV - o nome é auto-explicativo. Eis o mais novo quadro da “emissora”, o Amante Entrevista, que começa com uma ótima participação.

Essa tal Virada Cultural

Maio 7, 2008 by tiagoagostini

Se teve uma coisa pela qual valeu a pena a Virada Cultural foi o clima de descontração e alegria que dava pra sentir nas ruas de São Paulo. Acabei assistindo apenas os shows do domingo à tarde (estava em Florianópolis me formando no sábado, mas isso é outra história) e por isso acabei não vendo o centro à noite cheio de gente andando pelas ruas, o que dizem que é uma coisa linda. Mesmo assim, ver as ruas lotadas durante o dia já foi super agradável, ainda que o calor infernal e o fedor de mijo de algumas ruas castigassem os cansados. De qualquer forma, segue um relato bem pessoal e parcial, porque, enfim, não dá pra cobrir nem um décimo da Virada sozinho.

Há de se dizer que eu quase não fui para a Virada. Cheguei de Floripa às 10h, literalmente virado do baile de formatura, já extenuado, com as pernas doendo. Mas, depois de um banho e uma ligação para um amigo me animei e pensei: “estar em São Paulo durante a Virada e não ir é um dos maiores sacrilégios que podem existir”. Total verdade. Comi uns salgados no Pão de Açúcar (já falei que a coxinha deles é qualquer coisa de sensacional?) e saí correndo pra conseguir assistir o Do Amor no Pátio do Colégio – já tinha perdido o Overcoming Trio no Palco das Meninas.

Depois do ônibus errado e de problemas no Metrô cheguei exatamente 12h20 – hora marcada para o show – na Praça da Sé. Assim que comecei a andar em direção ao Pátio ouvi os primeiros acordes de Morena Russa e apressei o passo para não perder a apresentação. Com um som extremamente bem regulado, os cariocas do Do Amor fizeram o habitual – um show competentíssimo, quase sem retoques, praticamente perfeito. Nem o sol de rachar do meio-dia impedia o (infelizmente) pequeno público de balançar ao som da mistura de rock com ritmos regionais da banda.

Cerveja quente, ruim e mais cara na mão – comprei Nova Schin a R$ 3,00 quando na esquina tinha Skol e Brahma por R$ 2,50 – parti junto com alguns amigos rumo ao palco Canja Rock Blues, onde uma super banda punk – Mingau (365/Ultraje), Clemente (Inocentes), Redson (Cólera) e Ari (365) – fazia uma homenagem ao Clash. Depois completos pelo ex-VJ Thunderbird, atacaram clássicos do punk nacional, movimentando as rodinhas de pogo que se formavam em frente ao palco. Aliás, esse palco se mostrou uma boa opção para quem estivesse de bobeira, sempre com garantia de bom rock sendo executado e agradando pais e filhos – mais tarde passei por ali de novo e uma banda comandada por Andréas Kisser interpretava clássicos do hard rock dos anos 70. Saí buscar minha credencial de imprensa bem no momento em que a presença de Wander Wildner no palco era anunciada, mas não podia me deter mais ali com perigo de não conseguir voltar a tempo de ver a Orquestra Imperial.

Confesso que preciso assistir ao show da Orquestra com melhor humor. Adoro o CD deles, dava pra ver que eles estavam se divertindo em cima do palco, a execução das músicas era competente, o público dançava junto como num grande baile, mas eu não consegui gostar. O fato é que, cansado do jeito que eu estava – além de ter virado a noite de sábado, eu praticamente não dormi na sexta, e ainda tinha na bagagem duas viagens de avião em menos de 48 horas em assentos não lá muito confortáveis – parecia que apenas guitarras distorcidas conseguiam me animar (mas não, eu não sou indie-roqueiro de carteirinha). E o som que chegava baixo onde eu estava, bem longe do palco, também não colaborava. Assim, de cinco em cinco minutos eu olhava o relógio para me certificar que sairia a tempo de percorrer o trajeto Av São João – Pátio do Colégio a tempo de ver o Superguidis às 16h30. Tomei um bom copo de café e parti.

Cheguei às 16h20 e o show já tinha começado (a pontualidade extrema de algumas apresentações era de se espantar). Sem o som perfeito do Do Amor e contando com alguns percalços como a queda da guitarra de Andrio durante “Malevosidade”, os Guidis fizeram uma apresentação um tanto aquém do que eu esperava. Não dá pra dizer, porém, que eles não são competentes e tem boas canções que se sustentam ao vivo – como a Orquestra, fica para o rol das apresentações a serem vistas novamente em outras condições.

Enquanto o MQN se arrumava para subir ao palco, meu comboio partiu em direção daquele que prometia ser o grande show do dia, o Ultraje A Rigor. Antes, uma breve passada pelo Palco das Meninas para dar uma olhada no maravilhoso show da Fernanda Takai, com todo seu charme sutil. Ancorada no repertório de seu disco dedicado a Nara Leão, ela fazia uma multidão cantar as doces melodias de músicas como “Com Açúcar, Com Afeto” e “Diz que fui por ai” – mas cantarolar estas canções é fácil, visto que elas estão no imaginário popular brasileiro, difícil (e lindo) é fazer o coral entoar junto os vocais de “There Must Be An Angel”, do Eurythmics.

Totalmente esgotado da maratona, encontrei alento em algumas cadeiras da área de imprensa do Palco Rock República, enquanto esperava por cerca de 20 minutos o Ultraje entrar para encerrar a Virada. Como bem disse um amigo, quando a passagem de som começa a dar problemas é sinal de que o show não vai ser tão bom. Não deu outra, os problemas de som ora na guitarra de Roger ora na de Serginho Serra deram a tônica da apresentação. Sem tocar na íntegra o álbum Nós Vamos Invadir Sua Praia como foi anunciado na programação, o Ultraje fez um show irregular, apoiado na excelência técnica de seus músicos e de um repertório com algumas das grandes canções do rock nacional. A participação especial de Lobão tocando bateria em “Nós Vamos Invadir Sua Praia” deu um brilho especial à apresentação, mas a banda abusou das covers e dos solos de guitarra.

Toda banda tem uma cota de chatice para gastar antes de entrar no palco. Há quem não gaste nada dela e há quem a ultrapasse. No show da Virada (sem trocadilho, please) o Ultraje usou a segunda opção no momento em que Roger e Serginho voltaram para o bis fazendo uma longa improvisação baseada em dois acordes básicos e em ritmo de blues, demorando mais de cinco minutos para realizar uma das introduções de música mais sacais da história. Depois de toda punheta virtuosística, atacaram “Marylou”, “Eu Gosto É de Mulher” e debandaram a tocar covers. Eu, já com os olhos quase pregados, debandei também, preferindo não enfrentar as filas nas catracas do Metrô nem a espera por um ônibus e agüentando o mal-humor do taxista até em casa (“que merda de evento, só serviu pra foder o trânsito”, esbraveja, enquanto me oferecia uma bala de coco).

O saldo final da Virada ficou mesmo com – ao contrário do que a anta do taxista disse – a beleza do evento. Como disse outro amigo, para quem gosta um mínimo de música brasileira a Virada é um prato cheio. Nunca estive em nenhum grande festival europeu, mas não há como não pensar neles como parâmetro. Fora isso, nenhum show memorável – os melhores (Do Amor e Fernanda Takai) eu já tinha visto antes e, como diz o ditado lá de onde eu venho, “figurinha repetida não completa álbum”.

P.S.: A matéria de capa do Caderno 2 especial com a cobertura da Virada Cultural foi um dos textos mais escrotos que eu já li na minha vida. Deu até vergonha de assinar o jornal.

P.S. 2: A máquina não ajuda, mas sim, eu sei que eu sou um péssimo fotógrafo. :~

O poder de uma primeira frase

Maio 5, 2008 by tiagoagostini

Gabriel Garcia Márquez conta que resolveu ser escritor por causa da primeira frase de A Metamorfose, do Kafka (”Certa manhã, ao despertar de sonhos intranqüilos, Gregor Samsa encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso”). Simples assim, em poucas palavras, Kafka consegue resumir praticamente todo o romance - quem já leu o livro sabe que, óbvio, há mais coisa no enredo, mas essa frase já basta.

É por isso que “Many Shades of Black” é a melhor música do novo CD do The Raconteurs, Consoler of the Lonely. Basta o primeiro verso para se entender a canção (”Go ahead, go ahead smash it on the floor”). Ali você já sabe que tudo que vem pela frente é devastação, é um caso acabado que não tem possibilidade nenhuma de volta. Ao contrário da outra balada de destaque do disco, “You Don’t Understand Me”, que é uma canção de redenção - depois de muito falar sobre alternativas para este amor, Jack White acaba cantando que “I’ve been looking around but I haven’t found anybody like you”. Há um final feliz.

Embora eu prefira a redenção, os finais felizes (sim, eu sou brega), “Many Shades of Black” mostra um término de relação de forma tão contundente, firme e carregada de uma carga emocional de raiva que é impossível não simpatizar com a canção.

“Many Shades of Black”

“You Don’t Understand Me”

Para se preparar bem para a semana

Maio 5, 2008 by tiagoagostini

Quarta tem Fino Coletivo no Studio SP e quinta tem Wado no Sesc Pompéia. Dois shows que eu queria ver há muito tempo.

Fino Coletivo - “Hortelã”

Fino Coletivo - “Tempestade”

Wado - “Se vacilar o jacaré abraça”

Wado - “Tormenta”

Isso sim é querer ser interativo

Abril 30, 2008 by tiagoagostini

Tipo, neguinho às vezes abusa dessa história de colaboratividade. O Skol Beats resolveu montar toda sua programação de acordo com escolhas do público. Vai rolar uma discussão pra definir uma pré-lista e, desses nomes pré-definidos, haverá uma votação pra ver quem são os preferidos. Ai os organizadores vão tentar trazer essa galera. Fora que quase tudo que tiver a ver com o festival - lugar, decoração, formato, horário - será decidido pelo público. Mas, como bem disse o Terron, o ingresso que é bom vão ser eles que vão determinar.

Nessa mesma linha teve a história da nova companhia aérea brasileira, que fez concurso pra escolher o nome e vai definir tudo - catering, identidade visual, uniforme e o caralho a quatro - através do voto popular. Como é bonita essa tal interatividade. Detalhe, o concurso de nomes gerou todas essas porcarias aqui. Bizarro.

P.S.: Sim, eu to particularmente ranzinza hoje.

O melhor momento da Virada Cultural 2008

Abril 29, 2008 by tiagoagostini

Essa gravação é de um dos shows no Sesc Pinheiros no início de março. Mas foi emocionante ver e ouvir a platéia do palco das meninas cantando essa música junto com Fernanda Takai - sendo que, sei lá, 90% delas não devia nunca ter ouvido a versão original.

“Vazio feio eu senti”

Abril 23, 2008 by tiagoagostini

Lá pelos idos de 2004 mais ou menos estava eu em Curitiba ouvindo sem parar Perdido e Meio, da Video Hits. Música foda, de longe a melhor do segundo álbum da banda, gravado mas nunca lançado (a faixa em questão entrou na trilha sonora do filme Houve Uma Vez Dois Verões). E eu ficava imaginando um clipe para ela, mais ou menos assim:

Tudo se passa na rodoviária de Curitiba. Tem várias cenas da banda tocando nos corredores do local mas, ao contrário do clipe do Charme Chulo, tem que ser de dia e, de preferência, com pessoas ao redor. E apenas um ator, meio com cara de banana, todo engomadinho, que vai esperar a namorada com um buquê de flores na mão - e, apesar de adorar buquês de rosas, no clipe ele seria de flores do campo (não me pergunte por que). Conforme a música toca ele passa pelas situações da letra - esperar com uma puta cara de bobo e apaixonado (redundância), perder a carteira sentado num banco de uma lanchonete, se desesperar e começar a pedir informação para todas as pessoas, conversar com um policial… E, com o tempo passando, o figurino fica mais desleixado - a camisa amassada sai pra fora da calça, o cabelo cheio de gel despenteia. Até que o clipe acaba com ele indo embora desolado e deixando cair o buque de flores já meio surrado e desarrumado - e nessa hora tem uma tomada foda, filmada do chão, enquadrando ele ao fundo e a foto meio desbotada da namorada no chão, em primeiro plano.

Pode ser canastrão e sentimentalóide, mas eu gosto. Quem sabe um dia eu conheço o Diego Medina e convenço ele a fazer a produção. Agora leia tudo de novo ouvindo a música. Talvez faça mais sentido.

P.S.: Amanhã, com calma e não de madrugada, subo o segundo disco da Video Hits pra quem não conhece ouvir. É uma pequena obra-prima.